Descrição

A criança aprende brincando. Através do jogo, ela aplica as normas sociais, aprende uma série de movimentos, explora o espaço, regula as emoções e cria um esquema mental sobre as possíveis jogadas do adversário.
Na brincadeira, ocorre uma influência recíproca entre o conhecimento e a experiência: ao brincar, coloca-se em prática o conhecimento existente, ao mesmo tempo que se adquirem novos conhecimentos (SPERHACKE, HOPPE, MEIRELLES, 2016). Isso gera um círculo virtuoso, que sustenta a motivação (ROVATTI, ZOLETTO, 2005).
O jogo é também o território das possibilidades. As regras que caracterizam uma atividade lúdica estabelecem o perímetro dentro do qual os jogadores praticam uma vasta gama de movimentos (HUIZINGA, 2015). A inteligência se eleva acima das respostas automáticas que fornece no cotidiano e se lança em busca de alternativas, apoiando-se na imaginação. Devido à sua dimensão estratégica (“se eu fizer isto, então…”), cada jogo é um extraordinário campo de treino para a mente.
Na educação, o foco da atenção é deslocado para a tarefa e não tanto para a matéria. Isso significa que se dá menos importância à aprendizagem puramente mnemónica; em vez disso, prevalece um contexto cooperativo em que se aprende colocando em prática os conhecimentos. Se o ambiente é sereno, o erro não preocupa os participantes: aqueles que têm a atitude exploratória própria do jogo interpretam o erro como um fato natural.

[…]

Os jogos incluídos nesta coleção, em sua maioria concebidos por Paolo Torresan, foram adaptados para enriquecer o ensino do árabe na escola Ahlan, com o propósito de proporcionar uma abordagem mais lúdica. Em outras palavras, eles buscam criar oportunidades de interação, diversão e desafio, mesmo a partir de exercícios mais tradicionais. O ponto relevante é que muitas atividades podem ser adaptadas ou modificadas de acordo com o contexto em que os professores estão trabalhando em sala de aula (ISLAM, MARES, 2003).
O propósito é que os alunos desfrutem da experiência do jogo, o que somente é possível se o professor mantiver uma atitude positiva em relação ao mesmo. Se não estiver disposto a participar e a conduzir as atividades lúdicas com entusiasmo, é pouco provável que elas obtenham sucesso. Como dizem SPERHACKE, HOPPE e MEIRELLES (2016), “Antes de se tornar um professor lúdico, é necessário ser uma pessoa lúdica”.

Rio de Janeiro, 23 de janeiro de 2023
Paolo Torresan

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