Descrição

Para Bacha et al (2006), o passado não pode ser percebido, ele pode ser evocado. O passado traz boas lembranças, diferente do presente problemático, e a infância é lembrada como momentos de felicidades. Diante disso, é possível evocar lembranças nostálgicas que simbolizam momentos felizes em Brasília, como relembrar os passeios de domingo quando era possível brincar no escorregador em formato de foguete, localizado no parque da cidade. Esse passeio era realizado por muitas escolas públicas daquela época, com os alunos do ensino fundamental. Como esquecer a beleza da avenida W3 Sul com as suas lojas, que ainda está no imaginário de parte dos moradores de Brasília […]

A percepção da vida cotidiana de uma criança ou de um adolescente passa por mudanças e as boas lembranças da infância ficam no passado, o sujeito passa para um novo estágio que seria a construção social da realidade.

[…] Na fase de adolescência na década de 1980, era possível interpretar a realidade como uma vida cotidiana cheia de contradições sociais. Nas quadras do Plano Piloto, a interpretação da realidade era a de que ali tudo era aparentemente perfeito, com prédios bem cuidados, muitas áreas verdes e espaço para o lazer, ao contrário da realidade vivenciada nas áreas carentes como Ceilândia onde, na cidade que estava em processo de construção, destacava-se a aparência de desorganização decorrente de um grande quantitativo de barracos pouco atrativos, ruas sem asfalto e a ausência de infraestrutura básica como rede de esgoto, energia e água potável […]”.

No transcorrer dos anos, nasceram novas Regiões Administrativas (antigas Cidades-satélites), a Ceilândia passou por mudanças substanciais e se tornou uma Região Administrativa amada pelos seus moradores, com uma cultural forte que representa os nordestinos migrantes e simboliza a resistência de pessoas que acreditaram no sonho de JK e vieram ajudar a construir a nova capital. Por outro lado, temos a Brasília que precisa de cuidados para que não ocorra alterações indesejadas, que possam destruir o projeto que viveu dentro da cabeça de Lúcio Costa.

(Os fragmentos fazem parte da memória vivenciada pelas autoras na capital do país e são apresentados no artigo “A percepção e a interpretação social da realidade: o Distrito Federal do passado evocado à modernidade líquida”, disponível no ebook diálogos contemporâneos II, 2022)

 

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