Descrição
Entre Fronteiras e Insurgências: Epistemologias, Culturas Negras e Práticas Educativas Antirracistas emerge do Curso de Aperfeiçoamento em Educação para as Relações Étnico-Raciais na Educação Básica, promovido pelo MEC/SECADI em parceria com a Universidade Federal de Sergipe, no contexto da implementação da Política Nacional de Equidade e Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ). A obra resulta da articulação entre políticas públicas, trajetórias acadêmicas e práticas pedagógicas, oferecendo uma reflexão crítica sobre os desafios e possibilidades da educação antirracista. Ao longo do livro, analisam-se tanto as bases coloniais que estruturam a educação quanto epistemologias insurgentes capazes de reposicionar sujeitos, saberes e histórias historicamente marginalizados. A diversidade territorial e humana dos cursistas — provenientes de municípios sergipanos e alagoanos — demonstra a amplitude do processo formativo e a relevância de experiências que conectam teoria, memória e prática. Esta primeira parte do livro contempla perspectivas históricas, teóricas e epistemológicas, discutindo a constituição do sujeito, a reprodução do racismo à brasileira e os desafios da formação docente. O leitor é convidado a compreender criticamente os mecanismos de exclusão e a identificar os espaços de resistência e transformação na educação brasileira.
A segunda e terceira partes do livro exploram pedagogias insurgentes e práticas educativas em territórios negros, quilombolas e periféricos, articulando feminismos negros, ecofeminismos, ancestralidades e saberes comunitários como fundamentos de práticas educativas antirracistas. São abordadas também expressões culturais, como literatura, oralidade e teatro negro, que fortalecem identidades étnico-raciais e promovem experiências educativas coletivas. A obra evidencia que a educação antirracista não se limita à inclusão de conteúdos legais, mas exige ruptura com epistemologias coloniais, ampliação da participação de sujeitos historicamente marginalizados e engajamento crítico de docentes, estudantes e comunidades. Ao final, esta coletânea se configura como resultado de múltiplos encontros, trajetórias e experiências educativas, reunindo vozes que atravessam contextos históricos e territórios diversos. É um convite à reflexão, ao diálogo e à ação comprometida, reafirmando que a transformação educacional e social se constrói coletivamente, a partir da valorização das memórias, dos saberes e das lutas por justiça e equidade racial.






