Descrição
Cada vez mais se fala de “litigância predatória” no Brasil, culpando-a por males variados mesmo sem saber direito do que se trata. Litigar demais é bom ou ruim? É bom para quem? Depende de quem está litigando? Aliás, o que é “demais”?
Nesse cenário, vale a pena ter outra visão. Se em “Por que ‘quem tem’ sai na frente” Marc Galanter usa esse outro olhar para nos mostrar a importância da diferença entre jogadores habituais e participantes eventuais, em “Interpretando a paisagem das disputas”, eles nos mostra que é preciso abrir os olhos para além do visão míope dos processos judiciais. Se lá a sugestão era ver pelo outro lado do telescópio, aqui se amplia o foco para apontar para as estrelas.
O discurso da “explosão de litigância” dos anos 1980 nos Estados Unidos guarda muita semelhança com o da “litigância predatória” dos anos 2020 no Brasil. Ambos são baseados em muitas opiniões e poucos dados; ambos concluem que a responsabilidade, mais uma vez, é, sobretudo, daqueles que não têm. Falar em “litigância predatória” reversa ajuda, mas não resolve, caso não haja uma abordagem mais ampla do conflito.
Para tanto, ver e interpretar a paisagem com outros olhos é imprescindível. Ao oferecer a presente tradução ao público brasileiro, o que se busca, assim, é ampliar os horizontes da visão. Afinal, como diz Italo Calvino, “em cada forma de olhar uma cidade, há uma cidade diferente, uma cidade invisível.
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