Descrição
“Produzindo um olhar sobre a vagueza: as formas da língua e as fronteiras do sentido” propõe uma travessia teórica e analítica por um dos aspectos mais constitutivos e menos pacificados da linguagem: a imprecisão. Longe de tratar a vagueza como falha, ruído ou insuficiência do sentido, assumo-a como condição mesma do significar, como força que mantém a língua em movimento e os sentidos em disputa.
Ancorado na Semântica Histórica da Enunciação, especialmente nos trabalhos de Eduardo Guimarães e Luiz Francisco Dias, o livro investiga como o sentido se produz nos acontecimentos enunciativos, atravessado por memória, história e sociedade. Nesse quadro, a vagueza não é mais tratada como algo a ser evitado, mas como mais um traço revelador da temporalidade da linguagem, na qual passado, presente e futuro se articulam.
A obra dialoga criticamente com diferentes tradições teóricas — da lógica à filosofia da linguagem, da história dos conceitos à linguística — para problematizar noções como conceito e sentido. Ao mobilizar autores como Frege, Wittgenstein, Quine e Koselleck, tento mostrar que todo esforço de fechamento conceitual convive com zonas de abertura e indeterminação. O conceito, aqui, não é conclusão, mas introdução: um ponto de partida que mantém ativa a pluralidade dos sentidos.
As análises se constroem a partir de materiais do cotidiano, como manchetes jornalísticas, quadrinhos, slogans publicitários, placas, textos humorísticos, revelando em que medida a vagueza organiza práticas sociais, regula convivências e se inscreve em zonas de tensão do dizer. Seja pela palavra, seja pelo silêncio, a vagueza expõe o funcionamento da língua em sua dimensão material e simbólica.
Ao propor categorias como os modos de enunciação vagos e a vagueza particular, não busco sistematizar a imprecisão, mas torná-la visível, operatória e teoricamente produtiva. Trata-se de um convite à escuta do “entre”: esse espaço poroso onde os sentidos não se fixam, mas se reformulam.
Este livro interessa a pesquisadoras e pesquisadores, leitoras e leitores, dispostos a pensar a língua para além de fronteiras rígidas, reconhecendo, na vagueza, não um obstáculo, mas uma potência.
Luciani Dalmaschio






