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Entre o tecer e os fios da Teoria Histórico-Cultural: expressões da formação continuada de professoras da Educação Infantil

Carolina Helena Micheli Velho, Débora Cristina Sales da Cruz Vieira, Maria do Socorro Martins Lima, Rhaisa Naiade Pael Farias

R$60.00

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Descrição

NOTA DAS ORGANIZADORAS

A história deste livro, assim como um bordado foi sendo tecida com vários fios de cores espessuras diferentes, alguns despontaram, outros se emaranharam. O que foi produzido não é definitivo e, seu avesso, é tão encantador quanto o motivo visto do lado direito. O risco do bordado da capa é de autoria de Martha Dumont, integrante do grupo Matizes Dumont que há mais de 30 anos tem bordado de maneira espontânea e à mão, a brasilidade em formato poético. É uma árvore com diferentes crianças, sua professora com a maleta e vários corações. Em cada coração, o pulso da esperança, da descoberta e das potências das crianças e das professoras de Educação Infantil. É a metáfora do bordado que nos inspira da capa à contracapa. bordado tem em si as mais variadas possibilidades, tem memórias e representações diversas, tem também os princípios éticos, políticos e estéticos que orientam a Educação Infantil. O bordado é ético porque oportuniza a autonomia do manuseio da agulha, da escolha dos pontos, é político porque é democrático, uma vez que pode ser coletivo e todos podem trazer seus pontos e contrapontos que gera respeito ao outro, é estético porque mobiliza nossa sensibilidade, ludicidade e criatividade. Vemos ainda no bordado o quanto os pontos se juntam e formam um todo, tudo está interligado, assim como na Educação Infantil em que o educar e cuidar são indissociáveis.
O bordado, assim como a escrita, é um trabalho manual, delicado, da minúcia e atenção. No processo do bordado e da 
escrita, erramos, desconstruímos, um ponto atravessa outro, a linha dá um nó em um lugar que não era para ser e é preciso nova forma de criar, reinventar, às vezes reconstruir, assim como no processo de escrita. O bordado e a escrita têm caminhos de construção muito próximos, é preciso olhar, definir a narrativa, as partes do texto, assim como a difícil missão de colocar a linha na agulha, decidir as cores e quais pontos usar. Juntas, professoras estudantes do curso de Especialização em Educação Infantil na Perspectiva HistóricoCultural e professoras orientadoras parceiras, assinam os capítulos. No tecer seu capítulo, as professoras estudantes passaram a olhar para a sua própria prática e cresceram nesse processo de reflexão e escrita de maneira surpreendente. À medida que escreveram foram se empoderando criando confiança. Os textos mostram como cada uma das disciplinas impactaram as professoras estudantes e transformaram os sentidos que davam à Educação Infantil, às crianças e suas práticas. Carolina Velho foi professora da disciplina que orientava trabalho de conclusão de curso nas duas primeiras turmas do curso, por isso, ela é coautora em diversos capítulos deste livro.
Lembramos também que desde oferta da primeira turma, algumas colegas deixaram de concluir curso por conta da dinâmica da vida, mas outras se juntaram, e até mesmo um novo curso surgiu, o da Educação Especial e Inclusiva. 
Enquanto grupo de organizadoras tivemos complexa prazerosa atividade de nos encontrarmos, discutirmos deliberarmos a respeito dos pontos a serem feitos no bordado do livro. No processo compartilhado, agregamos várias competências, nos fortalecemos, nos apoiamos e seguimos juntas. Uma obra com tantas autoras e quatro organizadoras teve como ponto de partida o acolhimento, e seguimos de mãos dadas em todo o processo, que por vezes foi desafiante. O ponto que aperta, o tecido que puxa … 2021 foi um ano tão atípico quanto 2020, e exigiu de todas nós as mais diversas saídas e propostas para o enfrentamento do luto, da tristeza, da pandemia de COVID19, e de todas as demandas do dia a dia. Inventamos um tempo para trabalhar com o livro que não existia, um tempo que foi além do chronos.
Esta é uma obra que valoriza as autoras, professoras estudantes, dentro da formação continuada, considerando a escrita narrativa e respeitando os limites e possibilidades de cada uma no seu processo de produção. Há uma grande diversidade nos textos, por isso, acreditamos que esta obra pode colaborar com outros grupos de professoras na busca da sua autonomia e criação no processo de formação continuada na Educação Infantil. 
A opção pelo emprego da palavra “tecer” para nomear as partes da obra originouse do desejo das organizadoras de, ao longo da produção escrita, suscitar ideia de constituição, produção, elaboração, do movimento de idas e vindas às diversas leituras das orientadoras na reorganização pelas autoras, constituindo assim, essa tessitura da produção. Uma trama feita a muitas mãos e, em diferentes momentos, cada uma das “tecelãs”, professoras estudantes, foram constituindose autoras. Também por essa razão, a presente obra adquire caráter tão valoroso, para além da relevância de seus textos para a Educação Infantil!
A agulha quebra, a linha acaba, o ponto sai torto… tudo isso fica marcado no verso do bordado e mostra que neste processo também existem barreiras. O emaranhado do verso mostra as idas vindas, confusãarranjo, evidencia ainda toda generosidade de como uma linha se conecta à outra. Na escrita também encontramos processos semelhantes, por fim, no bordado e na escrita existem a exaustão e a felicidade. Desejamos que os leitores desta obra aprendam, bordem, criem e recriem.

Informação adicional

Ano de lançamento

2022

Organização

Carolina Helena Micheli Velho, Débora Cristina Sales da Cruz Vieira, Maria do Socorro Martins Lima, Rhaisa Naiade Pael Farias

ISBN

978–65–5869–818–0

ISBN [e-book]

978–65–5869–819–7

Número de páginas

436

Formato

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