Descrição
A presente obra é resultado das pesquisas desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisa sobre Educação Infantil e Formação de Professores (Grupeiforp), coordenado pela Professora Doutora Lígia de Carvalho Abões Vercelli. O grupo é vinculado ao Programa de Pós-Graduação Profissional Gestão e Práticas Educacionais (Progepe) da Universidade Nove de Julho (Uninove) e está devidamente registrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Desde sua criação, em 2015, portanto há dez anos, o grupo tem se dedicado à produção de diversas coletâneas voltadas às práticas pedagógicas e à formação de professores que atuam na Educação Infantil, primeira etapa da educação básica.
No ano de 2025, atendendo a uma demanda do próprio grupo, elegemos como tema de estudo a construção da identidade docente, dialogando com diferentes pesquisadores que investigam o processo de constituição dessa identidade e os múltiplos fatores que nele se entrelaçam.
Neste exercício autobiográfico reverberam gestos educativos, filosóficos, éticos e também poéticos. Suas escritas escutam as lembranças antes mesmo de dizê-las, revelando um modo de estar no mundo que agrega o pensamento, a memória e a experiência. No interior de cada texto, a palavra é selecionada como quem afina um instrumento para compor uma sinfonia de memórias reencantadas.
Há obras que se impõem pela densidade conceitual. Os 16 textos aqui contemplados impõem-se por metamemórias sensíveis e coerentes, que optam por dizer o essencial e, talvez por essa razão, dizer apenas o que é verdadeiro. Não se lê esta obra como quem percorre um ensaio; lê-se como quem pode também meditar sobre os próprios caminhos trilhados. É preciso silenciar para escutar a si mesmo.
Na cartografia das memórias, diluídas nos diferentes capítulos, ressoam metáforas pulsantes, como: desemparedamentos; castração simbologênica; travessia; semeadura e colheita; rua, avenida, estrada e rodovia; “devir-professora”; vivência do amor freiriano; mosaico, entre tantas outras. São lembranças de um tempo histórico, que mescla o Kronos, tempo físico e linear, e o Kairós, tempo certo da fruição, ambos envolvidos pelo Aión, o tempo cíclico das reconstruções.
Vale ressaltar que a escuta de si implica escutar o próprio pensamento, observá-lo em movimento, relendo lembranças e relançando perguntas até que o “verbo se torne carne”. Ao falarem de si, as autoras abrem-se para o outro, compartilhando experiências humanas e tornando-as lugar de acolhimento. Essa busca torna-se, assim, travessia e labirinto; um desenho afetivo feito com os vestígios que restaram de cada história. Dessa forma, em todos os capítulos, o leitor poderá perceber uma profunda consciência da impermanência, do transitório, do “estar sendo”.






