Descrição
A coletânea que ora temos em mãos possui como objetivo central analisar o trabalho profissional a partir de vários ângulos, seja através das implicações postas pelo mundo do trabalho e, neste sentido, também pelas políticas sociais; seja por meio das contradições que atravessam a atuação do Serviço Social em campos socioprofissionais distintos, além dos processos sociais mais amplos do tempo presente que também incidem sobre o exercício cotidiano.
Contudo, é importante se destacar que a própria apreensão do trabalho profissional do modo como se apresenta nesta coletânea, é produto dos ganhos que o Serviço Social tem construído nas últimas décadas. A concepção do Serviço Social como uma profissão e seu sujeito profissional – o assistente social – como um trabalhador assalariado se inscreve como um dos ganhos centrais desta categoria profissional em solo brasileiro a partir dos anos de 1980. Como sabemos, este ganho soma-se a vários outros, que resultantes de processo de indiscutível “Virada” do Serviço Social brasileiro na tentativa de ruptura com sua trajetória conservadora, afirmaram-no não mais como uma “missão”, um “dom”, um tipo de arte ou de ajuda, ou até como uma disciplina, mas como uma profissão partícipe da divisão social e técnica do trabalho.
[…]
No entanto, os capítulos aqui dispostos também observam a necessidade de enfrentamento por parte das/os assistentes sociais do quadro político, econômico e ideológico atual marcado pela crise do capital. As lutas e as resistências da classe trabalhadora e das/os assistentes sociais, partícipes desta classe, fazem parte historicamente dos processos sociais e nesta conjuntura não seria diferente. Neste sentido, a coletânea também destaca a necessária atuação política dos/as assistentes sociais no âmbito institucional e na relação com usuários das políticas e dos movimentos sociais que em tempos de crise e barbárie social nos parece urgente.
Por tudo isso, destaco a relevância e indico a leitura do livro “Serviço social: lutas e resistências em tempos de precarização do trabalho profissional”, organizado por Giverson Bonfim, José Carlos do Amaral e Sueli Godoi, assim como a nossa imprescindível apreciação, pois ele, além de nos apresentar nitidamente a relação entre a profissão e os processos sociais contemporâneos, nos convida a análise crítica desta realidade e nela o Serviço Social, o que me parece urgente principalmente em momentos tão sombrios como o que vivemos no Brasil e no mundo.
Boa leitura!
Fátima Grave Ortiz
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