Educação Infantil

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  • As crianças também aprendem: o papel educativo das pessoas adultas na educação infantil

    R$45,00

    INTRODUÇÃO À EDIÇÃO BRASILEIRA

    Este volume, traduzido e ampliado para o público brasileiro da edição original italiana de 2019, nasce da ideia de que o encontro entre pontos de vista diversos sobre a educação infantil seja, hoje mais que nunca, um valor não somente e não tanto para testemunhar a riqueza da pluralidade em si, mas para originar mudança e perspectivas renovadas, práticas educativas inovadoras das quais em nosso presente nós assinalamos a necessidade. Diante da crise econômica e social agudizada pela pandemia, mas já em curso nas nossas comunidades globalizadas, lutando com os danos de um modelo de desenvolvimento do capitalismo avançado que produz injustiças, pobreza, exclusão, e reduz a mercadoria a própria vida sobre o planeta, a educação – e em particular a educação infantil – é fortemente chamada a tomar posição. Os paradigmas e os modelos educativos nascidos no século passado, penso particularmente no ativismo e no socioconstrutivismo, que até aqui têm orientado com sucesso o desenvolvimento de uma crescente atenção educativa em direção à infância e sobretudo em direção aos primeiros anos de vida, hoje não são mais suficientes para entrar em contato e para compreender as tensões e as contradições novas e específicas do nosso presente. A vida cotidiana das crianças é marcada pela emergência sempre mais evidente de fenômenos que assinalam a pluralidade cultural em outras dimensões: nas diferenças em todas as suas manifestações sobre o plano das identidades e das escolhas éticas e valorativas, na comunicação digital e nas tecnologias que questionam a relação entre o humano, a natureza e a cultura.
    A educação, livre de fechamentos ideológicos e estereotipados, deve tomar posição para estar em relação ativa com esse nosso mundo, e com as tensões e as transformações que o estão atravessando, para incidir na direção do seu desenvolvimento. Isso envolve reconhecer a inadequação das categorias educativas as quais até agora vimos fazendo referência, para iniciar a busca de novos caminhos para pensar e praticar a educação infantil. Nesse sentido, afirmar, como acontece no rastro da tradição pedagógica ocidental, que “a criança está no centro”, buscando com isso ressaltar o empenho para uma educação de qualidade, respeitosa dos direitos dos meninos e das meninas, não só não basta mais, mas talvez exige ser atualizada, para não arriscar manter viva uma imagem da infância superada na e da realidade que, na sua complexidade, não funciona segundo lógicas binárias de centro/periferia, superior/inferior, norte/sul, masculino/feminino, branco/negro, indivíduo/ grupo. Talvez deveríamos iniciar a nos colocar o problema de pensar de outro modo as relações educativas entre o mundo adulto e o mundo da infância, construindo imagens e categorias menos rígidas, antagônicas e dicotômicas, mas abertas a lógicas processuais, horizontais e plurais, capazes de captar as passagens, as simultaneidades, as reciprocidades de relações profundamente interconectadas, que não podem ser lidas e ditas em uma perspectiva hierárquica e binária. Por isso, somos impulsionados a inovar nossos paradigmas em educação, movimentando profundos processos de mudança transformativa que, para iniciarem-se, têm necessidade de confronto crítico, diálogo e troca entre experiências, culturas e práticas educativas diversas. Por essa razão é preciosa a ligação que une pesquisadores, estudiosos e profissionais da educação infantil na Itália e no Brasil, e este volume pretende colocar-se como contribuição nessa direção, com o desejo que outras iniciativas possam ser geradas e ter desenvolvimento no futuro. Esse diálogo é, a meu ver, importante e vital para poder dar vida a formas de colaboração e intercâmbio em um eixo horizontal, certamente não na lógica na presumida superioridade pedagógica de um contexto (o italiano, do norte do mundo) sobre outro (o brasileiro, em baixo, ao sul).

    A crise de época que estamos vivendo nos convida a buscar novas práticas de relação mais equânimes, respeitosas e paritárias do que nos legou a experiência passada, superando a lógica da supremacia do norte sobre o sul, de uma etnia sobre a outra, do mundo adulto sobre o mundo da infância. No curso dessa perspectiva o volume oferece ao leitor um primeiro capítulo no qual o tema central é a construção de uma perspectiva crítica sobre a educação infantil.

    Refletindo sobre temas e problemas educativos inerentes ao contexto italiano, obtidos graças à observação e à comparação com algumas realidades brasileiras, tomam forma de modo novo núcleos de atenção e olhares sobre a relação educativa. Isto é, nascem perguntas a partir das quais iniciar um processo de questionamento crítico de algumas pressuposições fundantes, seja da cultura educativa da infância italiana, seja relativa ao esforço de compreensão da realidade brasileira.
    Os três capítulos sucessivos enfrentam por diversos ângulos o tema do papel do educador / educadora refletindo (capítulo dois) sobre as contradições, limites e possibilidades do panorama do zero a seis na Itália, sobre os processos de aprendizagem como experiências de partilha entre adultos e crianças (capítulo três) e sobre as profundas e intrínsecas conexões entre natureza, arte e ciência (capítulo quatro).
    No capítulo elaborado por Flavio Santiago é desenvolvida uma reflexão sobre as diferenças como tema central nos processos educativos na creche e na escola; por fim, no capítulo de Wenceslao Oliveira o cinema é proposto como linguagem de representação dos pontos de vista infantis e como compreensão da realidade educativa.
    O volume, no seu conjunto, sustenta uma ideia de educação como processo complexo em que, ainda que com papéis e poder diverso, tomam parte de modo ativo, seja o mundo adulto, seja o mundo da infância. As condições, as formas, os âmbitos, os conteúdos, bem como as regras dessas formas de participação entre adultos e infância estruturam, de modo mais ou menos explícito, a experiência educativa como fenômeno complexo, dinâmico, penetrado por contradições, fonte de perguntas e problemas para o nosso estar em pesquisa. Me agrada pensar que esse volume, cuja realização agradeço de coração a Flávio Santiago, precioso interlocutor crítico, e a Pedro & João Editores, por haver acreditado imediatamente com confiança no projeto, possa ser o início de um longo e amplo diálogo paritário, de troca crítica e dialética entre profissionais da educação entre Brasil e Itália, no qual todos e todas nós temos o que aprende.

  • Documentar: um novo olhar

    R$45,00

    A Documentação Pedagógica como autoformação docente

    Este livro que temos o prazer de apresentar aos leitores e leitoras brasileiras vem complementar o Documentação Pedagógica: teoria e prática, já publicado pela Pedro & João Editores. É mais um presente da Associação de Professores Rosa Sensat, de Barcelona, que acumula, com suas publicações, uma contribuição essencial para a construção de uma nova forma de pensar e fazer a educação das crianças pequenas com o protagonismo das crianças que uma educação de qualidade exige.

    Nessa mesma perspectiva, além do Documentação Pedagógica: teoria e prática, a Associação também nos presentou com o Ritmos Infantis: tecidos de uma paisagem interior, também publicado pela Pedro & João Editores, e que ensina a todos nós, adultos, a observar uma nova medida do tempo: o tempo e o ritmo dos pequenininhos.

    O livro que agora chega ao público brasileiro é um guia – sem receituário – de como documentar lançando mão de fotos e refletindo sobre elas para produzir uma narrativa sobre a vida das crianças na escola de educação infantil e sobre o desenvolvimento que almejamos para as crianças. Ensina a observar e a interpretar as ações das crianças e, a partir daí, fotografar, selecionar e organizar as fotos e, em seguida, a refletir sobre suas ações, perceber suas intenções, suas hipóteses, seus aprendizados e seu desenvolvimento.

    A tessitura de fotografias e texto expressa o movimento em que professoras e professores educam o próprio olhar para perceber e aprofundar o conhecimento das crianças, ainda muito novo para todos nós. Sem receita pronta de como fazer, nos propõe uma ferramenta e nos alerta para as possibilidades de como olhar carinhosamente e curiosamente para a ação das crianças: um olhar acima de tudo respeitoso às crianças e às suas formas de ver o mundo, explorá-lo, conhecê-lo e, com isso, constituir sua história e sua humanidade de modo autoral e criador.

    Com isso, o livro apresenta uma concepção de criança potente que está em constante atividade, numa constante descoberta de si, do outro, dos objetos e sempre disposta a compartilhar a alegria dessas descobertas; traz luz a uma concepção de infância que valoriza a convivência coletiva das crianças e dá espaço para a construção das culturas infantis.

    Em suas linhas, entrelinhas e fotos, concretiza uma visão de educação em que as crianças são protagonistas de sua aventura e conhecimento do mundo em situações organizadas – protagonizadas – pelas professoras e professores, mas também em situações criadas pelas próprias crianças. Essas situações acontecem dentro e fora da sala, com objetos mais elaborados ao mesmo tempo que com objetos naturais, em situações práticas da vida diária, em atividades plásticas e na atividade lúdica. E todos que trabalhamos cuidando e educando bebês e crianças pequenas sabemos que, para isso, bebês e crianças precisam de tempo, tempo em que as crianças são respeitadas por adultos que enxergam e acolhem a potência das ações mais simples dos pequenos.

    Com isso, também aprendemos que documentar democratiza o processo de ensinar – esse ensinar que não é sinônimo de dar aula, mas de organizar espaços, materiais, tempos, horizontalizar relações e promover experiências em que bebês e crianças sejam agentes. Documentar democratiza também o processo de aprender, pois permite a reflexão sobre a própria prática, permite a troca entre professoras e professores, entre famílias e professores. Com a documentação, todos aprendemos sobre como bebês e crianças pequenas aprendem e ao observar, conhecer, documentar e dar visibilidade para os processos vividos na escola, podemos descobrir uma nova concepção de criança, de infância, de educação e de escola da infância e, com isso, ampliar para os pequenos suas possibilidades de ação. As próprias crianças podem revisitar os processos vividos.

    Enfim, documentar é elemento fundamental da autoformação docente, pois pode ser uma ferramenta por meio da qual nós, professoras e professores, requalifiquemos nosso olhar, nossas práticas e nossa própria reflexão sobre esse processo em que bebês, crianças e docentes vamos construindo uma história juntos.

    Por meio de tudo isso, esse livro ilustra o dia a dia na escola de educação infantil em que bebês e crianças estão o tempo todo se relacionando com o mundo que os rodeia, que é pleno de interações, de cultura e de objetos da natureza. Quando a relação com os adultos é orientada por uma concepção de criança capaz, as crianças podem viver sua infância descobrindo o prazer de conhecer. Nas fotos que ilustram as reflexões deste livro, podemos perceber – por meio do envolvimento das crianças, da alegria, das iniciativas, dos pensamentos que lemos nas experimentações documentadas – que a escola pode e deve ser um lugar de encontro de bebês e crianças com o mundo da natureza e da cultura e com o outro… sem estresse, sem imposições, sem tarefas chatas que as crianças fazem para satisfazer adultos com expectativas fora de lugar e de tempo. E, nessa perspectiva, a escola pode e deve ser, também, um lugar para nós, professores e professoras, reencontrarmos calmamente nossas infâncias ao viver com empatia as infâncias dos bebês e das crianças que frequentam nossas escolas de educação infantil.

    A cultura dessa nova forma de documentar – esse novo olhar para bebês e crianças e para nossas práticas – está em construção, e não apenas entre nós, brasileiros e brasileiras. Muitos de nós ainda não nos iniciamos nesse trajeto, muitos já caminham descobrindo sua importância para o auto desenvolvimento docente e para a qualidade da educação dos pequenos, outros já avançam adiantados nessa aventura. Oxalá, este livro inspire as redes brasileiras a publicar as suas histórias. Em qualquer ponto do processo em que elas estejam, será seguramente uma contribuição para quem as escrever e para quem as ler.

     

    Sonia Larrubia Valverde

    Suely Amaral Mello

     

    São Paulo e São Carlos, junho de 2021.

    ainda ficando em casa

  • Outra educação é possível. Uma introdução às pedagogias alternativas

    R$40,00

    INTRODUÇÃO

     

     

     

     

     

    Eu vi coisas que vocês não acreditariam. Crianças de quatro anos discutindo por causa de um brinquedo e depois concordando que o usarão alternadamente. Materiais de aprendizagem de matemática que fazem os adultos que os odiavam quererem voltar para a escola. Alunos do ensino fundamental de ambientes desfavorecidos comentando sobre os clássicos. Crianças pequenas usando habilmente ferramentas de carpintaria em um projeto que decidiram empreender. Famílias na escola no fim de semana para construir um navio pirata no pátio. Desenhos com giz de uma beleza incomparável, que a professora apaga todos os dias para que os alunos compreendam o valor de um trabalho bem executado, mesmo que efêmero.

    Mas também tenho visto escolas que se declaram inovadoras nas quais não há mais novidade do que ter comprado alguns tablets. Escolas onde parece mais importante agradar aos pais do que cuidar da pedagogia. Inescrupulosos que solapam o trabalho que educadores comprometidos vêm realizando há décadas e que enchem a boca de palavras como “cooperação” e “respeito” quando tudo o que importa é o seu bolso. E pessoas que saíram da educação convencional e agora vão para o outro extremo e dizem que não precisam mais aprender nada, porque o Google sabe tudo.

    Conto aqui tudo o que vi, com as suas luzes e sombras, na esperança de que seja útil a quem pretende saber mais sobre o que se tem chamado de “pedagogias ativas”, “educação alternativa” ou, simplesmente, “nova educação”. É claro que para ser um bom professor não é obrigatório seguir nenhum desses modelos, mas conhecê-los pode ser de grande ajuda.

    Tomara que essas páginas sirvam também para promover o diálogo. Para que a partir dessas abordagens se exerça mais a autocrítica e, para aqueles que se opõem a essa educação, que possa remover alguns preconceitos. Há professores que admiro e que julgam tudo isso como um processo que estraga as crianças. E outras pessoas que, ao contrário, acreditam que o que têm que fazer agora é jogar tudo que parece escola tradicional no ralo, sem perceber que estão jogando a criança junto com a água do banho.

    Sei que como estão os ânimos, um debate sério não parece possível agora, mas garanto que vi as coisas mais incríveis.

  • Pedagogia das miudezas: saberes necessários a uma pedagogia que escuta

    R$40,00

    O livro convida profissionais que atuam com as infâncias a se juntarem à tecitura de uma Pedagogia das Miudezas que dê testemunho da grandeza das crianças.

    Assumir uma pedagogia que seja leal às crianças e seus saberes pressupõe a compreensão da escuta como matéria prima essencial e sustentáculo das pedagogias participativas e a constatação de que será necessária a aprendizagem profissional da escuta.

    Mas por onde começar? Qual a  gramática da escuta, ou seja, os conhecimentos indispensáveis para a consecução de uma pedagogia da e que escuta no cotidiano pedagógico das unidades de educação infantil? Que saberes são necessários para quem busca caminhar do mero ouvir para a escuta profissional?

    O livro, ao buscar investigar essas e tantas outras questões, oferece um conteúdo original e essencial a todos aqueles e aquelas que trabalham com as infâncias e almejam pedagogias mais leais às crianças e suas potencialidades.

  • Pedagogia e escuta responsiva – a cultura da infância por práticas pedagógicas dialógicas

    R$45,00

    Entre colinas e castelos, carros e morrinhos, gramas que voam, banhos que são hoje e amanhã, tantas outras coisas, as crianças vivenciam seus espaços e seus tempos de formas singulares, plenas e desacostumadas.  Quem teria tampado com cimento um buraco em forma de círculo no chão, que era um grande lago, um infinito oceano, um vasto rio para pescar tubarões, ver sereias e grandes navios? A surpresa das crianças quando retornaram ao espaço da escola, três semanas depois e descoberto que agora, tudo era um chão liso, pois o rasgo no solo já não estava mais ali. Buscando compreender o acontecido, teciam densos argumentos. Haviam, inclusive, muitos suspeitos, desde o lobo, a cuca, até mesmo as árvores com suas folhas dançantes com o vento. Entre as dúvidas e questões, havia uma certeza: era o mesmo material que um dos porquinhos tinha feito sua casa para não ser derrubada pelo grotesco sopro do lobo, era um (ex)buraco tampado, duro e resistente, impossível de ser quebrado.  O que teria ocorrido? São essas e outras tantas narrativas que fazem desse livro, um livro cheio de buracos e fendas que nos coloca em (co)(e)moções constantes com o viver infantil. A relação sensível que faz da vida um encontro é a marca de sua escritura. Não há muito o que contar aqui, pois as páginas grafadas com os enunciados das crianças falam por si, um por si, que nunca está sozinho no mundo, mas em forças de relações sociais e naturais, uma unidade inseparável para elas. Só há um caminho a ser feito, cair no abismo da atitude criadora infantil como escolha ética de estar na educação de crianças pequenas, antes que a escarpa seja fechada! Adentre e encontre a bola azul, pode haver medo, mas junto com essa sensação tão humana, está a beleza da vida que se faz em relação e na acolhida. É um livro profundo como a cratera tampada no pátio, possível, agora, de ser reaberta, é só pedir a pedra emprestada ao Beto.

    Prof. Jader Janer

  • Por infâncias vivas e vividas

    R$30,00

    PREFÁCIO

    Tania B. I. Marques[1]

     

    Que presente mais lindo o que recebi de João que é abrir seu primeiro livro! Por infâncias vivas e vividas. O percurso docente na educação infantil com certeza é só o primeiro de muitos outros que virão. João diz que para encantar o aluno, primeiro o professor precisa estar ele mesmo encantado. Com ele isso é a mais pura verdade.  A palavra para descrevê-lo é esta:  encantador. Ele ama a vida e o trabalho e mostra paixão pelo que faz.

    João tem coragem para enfrentar novos desafios e, mesmo com medo, vai em frente, pois, afinal, é assim que se cresce. E tem a bondade para repartir com os outros o que aprende no seu dia a dia de amor pelo estudo. Conheci João quando eu ministrava um curso no Instituto Ciência e Saber e foi encantamento mútuo à primeira vista. Não demorou muito para que ele próprio viesse ministrar as suas próprias oficinas. Que expressão de satisfação dos cursistas ao término das aulas! Não existe melhor avaliação do que essa.

    Convido você a conhecer um pouco desse jovem educador apaixonado pelo entendimento das infâncias, que não perde a oportunidade de divulgar uma ideia tão simples quanto mal compreendida: criança precisa ser criança, criança precisa de vida de criança, criança precisa experimentar o mundo, explorá-lo, conhecê-lo, criança precisa brincar.

    [1] Psicóloga; Drª em Educação; Profª de Psicologia da Educação; taniabimarques@bol.com.br; @tania_bi_marques

  • Bebês como potência de vida: corporeidade e sensorialidade na Educação Infantil

    R$35,00

    Nota Introdutória

    É uma imensa alegria apresentar este livro gestado dentro da escola de educação infantil na qual percebemos o exercício analítico completamente vinculado à prática pedagógica com bebês onde o cuidado educativo está presente em cada intenção, seja no olhar, na fala, no movimento, na escuta, no planejamento que pensa o chegar, o permanecer e o sair. Fazendo uso de diferentes estudiosos/as que pensam as infâncias e refletindo a prática à luz destas pesquisas, somos convidadas a adentrar na escola para conhecer o grupo de bebês, o que pensa a professora e como organiza, planeja, resolve os problemas que vão surgindo. Militantes na educação infantil, conheço ambas as autoras, Leni por ter sido professora e orientadora de Mestrado; Bárbara, por iniciar o seu ofício como professora neste espaço, no qual exerço as funções de diretora e coordenadora pedagógica.

    Nunca é demais lembrar que a escola de educação infantil, como um direito social da criança, é recente. Disto resultou uma série de mudanças, dentre elas, a integração como primeira etapa da Educação Básica. Leis, resoluções, pareceres, indicativos passam a normatizar o funcionamento das instituições que atendem bebês/ crianças de 0 a 6 anos de idade. Este ordenamento jurídico não é isento de poder e dele resultam variantes de projetos pedagógicos que incidem na vida dos adultos e crianças de diferentes maneiras.

    A escola de educação infantil, com sua longa jornada e com características muito próprias de atendimento, esteve por muito tempo sob a sombra do ensino fundamental. Na tentativa de desenvolver um trabalho que seja reconhecido pela comunidade e, muitas vezes, acreditando que é o melhor como proposta curricular, algumas escolas, em diferentes situações, planejam um trabalho antecipando a escolarização tanto em termos de projeto pedagógico, como realizando rituais distantes da vida das crianças. Temos um longo caminho para discutir, estudar, rever projetos e concepções que circulam nos espaços que se dedicam às infâncias. Temos falta de materiais para escolas de educação infantil e mais ainda para pensar projetos para os bebês.

    Este livro vem ao encontro desta ausência. Endereçado a quem se debruça sobre a educação de bebês e de crianças pequenas poderá servir como objeto de estudo e inspiração, jamais como modelo, pois foi criado a partir de uma realidade local, singular e única. Entre o rotineiro e o inusitado, próprio da vida de uma escola infantil existem demandas que geram correrias, atropelos, caos, em que as coisas parecem sair do lugar, mas também, e na mesma medida, a tranquilidade, o silêncio contemplativo, a grandeza da alegria que vemos em cada vida recém-chegada ao mundo. A peculiaridade de um trabalho em que o cuidado com o corpo e a saúde do bebê se fundem de tal modo ao processo da formação de saberes, sendo impossível distinguir o que é cuidar e o que é educar, exige, permanentemente de quem escolheu estar na escola de educação infantil, uma conduta disponível para estudar, pesquisar, registrar, anotar, descrever, retomar, avaliar, refletir, aprender acreditando que é possível uma educação acolhedora e afetiva em que as interações e brincadeiras nutrem os encontros.

    Lançando mão dos conceitos corporeidade e sensorialidade, importantes para o trabalho com bebês, as autoras vão planejando os encontros e reencontros, detalhando-os em quatorze cenas que traduzem de forma maiúscula a vida pulsante, colorida, criativa, alegre, chorosa, exclamativa, interrogativa, diversa, plural, inventiva, barulhenta, silenciosa, curiosa, musicada, melecada de um grupo de bebês andarilhos que fazem uso do corpo e das sensações por inteiro para ensinar e aprender um bocadinho sobre o mundo, mostrando que a fome não é só de comida.

    Se, por um lado, as cenas mostram como a fome e a sede, expressadas pelo grupo de bebês, para que possam saber e entender a vida, ele precisa ser cuidado, nutrido, educado e seu universo de descobertas pode ser ampliado através de músicas, brincadeiras, danças, brinquedos, conversas, objetos, materiais, histórias, cirandas, colo, aconchego e trocas. Por outro, elas não deixam de reconhecer e retratar alguns dilemas vividos e resolvidos para respeitar e convergir o desejo do bebê, a organização complexa da escola com horários e uma equipe de trabalho que pensa diferente e que dispõe de pouco tempo para trocar, não perdendo de vista a indagação: o que pode um corpo na escola? Como professora pesquisadora e arquivista, lança mão de algumas imagens fotográficas que dialogam com os seus escritos, testemunhando o caminho dos bebês e dela própria, respondendo o que e como pode um corpo do bebê na escola.

    Um corpo que insiste em viver num mundo carregado da soberba de, em nome da preservação da vida, dizer e controlar a partir de uma perspectiva adultocentrada que o percebe como carente de tudo. A escola, ao negligenciar ou tratar de qualquer jeito os sentimentos, desejos e vontades do bebê, deixa a sua vida mais árida. Parece difícil chegar a um lugar de equilíbrio, pois o bebê, é dependente do olhar, da atenção, do cuidado, da sensibilidade, da delicadeza, porque, como nativo recém-chegado, precisa da disposição dos adultos que conhecem e estão na vida há mais tempo o tratamento respeitoso, dando-lhe liberdade para experimentar, conhecer e ampliar os saberes. Precisa que os adultos estejam disponíveis para traduzir o que comunicam com o corpo. O trabalho apresentado neste livro mostra que é possível chegar a um equilíbrio, garantindo que a escola de educação infantil seja um local coletivo de grande afeto, alegria, regras, rotina, onde a conduta dos adultos não sufoque o corpo falante do bebê, mas amplifique a sua forma de se relacionar e comunicar, com atenção às minúcias da sua interação e das relações que estabelece.

    Assim, fica o convite ao leitor ou leitora para usufruir desta importante leitura e criar em sua escola outras cenas e, assim como as aqui apresentadas, possam também registrar, anotar, fotografar, avaliar, discutir e compartilhar, para quem sabe, ampliarmos uma pedagogia da infância oriunda das professoras-pesquisadoras que estão nas escolas de educação infantil, contribuindo para que esse espaço possibilite a cada bebê viver na sua plenitude tudo o que pode o seu corpo.

                                                                                                                                                                     Magali Oliveira Frassão

     

  • EDUCAÇÃO DE BEBÊS: CUIDAR E EDUCAR PARA O DESENVOLVIMENTO HUMANO – José Ricardo Silva; Regina Aparecida Marques de Souza; Suely Amaral Mello; Vanilda Gonçalves de Lima (Orgs.)

    R$40,00

    José Ricardo Silva; Regina Aparecida Marques de Souza; Suely Amaral Mello; Vanilda Gonçalves de Lima (Orgs.) !@
    Educação de bebês: cuidar e educar para o desenvolvimento humano. São Carlos: Pedro & João Editores, 2018. 310p.
    ISBN 978-85-7993-543-5
    1. Educação de bebês. 2. Cuidado de bebês. 3. O espaço para bebês. 4. Papel do professor de bebês. 5. Autores. I. Título.
    CDD – 370

  • EDUCAÇÃO INFANTIL NA PERSPECTIVA HISTÓRICO-CULTURAL: CONCEPÇÕES E PRÁTICAS PARA O DESENVOLVIMENTO INTEGRAL DA CRIANÇA – Débora Cristina Sales da Cruz Vieira; Rhaisa Naiade Pael Farias; Simão de Miranda (Organizadores)

    R$50,00

    Débora Cristina Sales da Cruz Vieira; Rhaisa Naiade Pael Farias; Simão de Miranda (Organizadores) !@
    Educação infantil na perspectiva histórico-cultural: concepções e práticas para o desenvolvimento integral da criança. São Carlos: Pedro & João Editores, 2020. 219 p.
    ISBN 978-65-87645-59-9 [Impresso]
    978-65-87645-90-2 [Digital]
    1. Educação infantil. 2. Perspectiva histórico-cultural. 3. Desenvolvimento integral da criança. I. Autoras/autores. II. Título.
    CDD – 370

  • ESCRITAS DO COTIDIANO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: MODOS DE ESTAR ATENTOS A SI E AOS OUTROS – Laura Noemi Chaluh; Keila Santos Pinto (Organizadoras)

    R$28,00R$35,00

    Laura Noemi Chaluh; Keila Santos Pinto (Organizadoras) !@
    Escritas do cotidiano na Educação Infantil: modos de estar atentos a si e aos outros. São Carlos: Pedro & João Editores, 2019. 95p.
    ISBN 978-85-7993-679-1
    1. Formação de professores. 2. Saberes da experiência. 3. Narrativas. 4. Alteridade. 5. Autores. I. Título.
    CDD – 370

  • ESTUDOS DE BEBÊS E DIÁLOGOS COM A SOCIOLOGIA – Gabriela Tebet (Organizadora)

    R$52,00R$60,00

    Gabriela Tebet (Organizadora) !@
    Estudos de bebês e diálogos com a sociologia. São Carlos: Pedro & João Editores, 2019. 631p.
    ISBN 978-85-7993-660-9 [Ebook]
    978-85-7993-669-2 [Livro impresso]
    1. Estudos de Educação. 2. Estudos de bebês. 3. Sociologia e estudos de bebês. 4. Autores. I. Título.
    CDD – 370

  • INFÂNCIA E PÓS-ESTRUTURALISMO – Anete Abramowicz; Gabriela Tebet (Organizadoras)

    R$45,00

    Anete Abramowicz; Gabriela Tebet (Organizadoras) !@
    Infância e pós-estruturalismo. São Carlos: Pedro & João Editores, 2019. 250p.
    ISBN 978-85-7993-707-1
    1. Estudos da infância. 2. Infância e pós-estruturalismo. 3. Educação infantil. 4. Autores. I. Título.
    CDD – 370