EDUCAÇÃO

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  • A Pedagogia Social na perspectiva bakhtiniana: um encontro dialógico

    R$35,00

    APRESENTAÇÃO

    O debate na cena educacional brasileira tem suscitado questões sociais que extrapolam o âmbito escolar e nos desafiam constantemente para pensarmos uma sociedade e um mundo menos desigual e mais inclusivo, no qual os direitos humanos sejam realmente uma conquista de grupos plurais, em suas especificidades e contradições, alinhadas a uma visão de mundo que contribua para um pensar mais crítico e participativo em sua transformação.
    Nesse contexto pandêmico que nos acompanha há quase dois anos, no Brasil e no mundo, novas configurações sociais têm se apresentado em nossa convivência e atuação no contexto concreto em que nos relacionamos, seja na família, seja no ambiente profissional, seja na escola ou em atividades culturais, nossa forma de compreender o mundo se ampliou também para novas concepções de tempo e de espaço, em razão das novas tecnologias digitais e novas formas de comunicação e interação verbal que se consolidam entre nós.
    A Pedagogia Social, como ciência da Educação Social, é uma matriz teórica que nos convida à reflexão dos processos político-sociais que têm causado a segregação, o desrespeito à vida e à condição humana, o desamparo a grupos ainda marginalizados em nosso contexto, além de outras evidentes distorções que têm apartado do convívio social, da cultura e do movimento da história, sujeitos desamparados pelo poder público.
    Em que sentido, portanto, seria possível um diálogo entre os pressupostos teóricos da Pedagogia Social e a arquitetônica bakhtiniana, em sua ênfase nas relações dialógico-polifônicas que se instauram em nossa pluralidade discursiva? Esta e outras questões foram trazidas à baila, durante o nosso curso da disciplina “Tópicos especiais em estudos do cotidiano e educação popular: contribuições de Bakhtin e do Círculo à Pedagogia Social”, durante o primeiro e o segundo semestre de 2021, materializadas aqui em textos produzidos pelos mestrandos e doutorandos da Faculdade de Educação, da Universidade Federal Fluminense, em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo – Campus Vitória.
    Desse modo, percorremos algumas categorias conceituais básicas atinentes ao campo teórico do filósofo russo Mikhail Mikhailovich Bakhtin e do círculo de intelectuais com o qual conviveu na Rússia, buscando sempre uma possibilidade de interlocução com a Pedagogia Social, em sua perspectiva social e inclusiva do homem, em sua capacidade de se expressar e se posicionar no mundo de forma ética, responsável e responsiva.
    Não pretendemos responder todas as questões que nos afligem e nos afetam, nesses tempos tão difíceis, de pouca tolerância, do estímulo ao individualismo e da exacerbação de discursos preconceituosos em algumas vozes que circulam na esfera social, mas certamente esse primeiro movimento de aproximação entre esses campos teóricos poderá nos provocar com novas reflexões sobre a vida em coletividade e o que dela pode-se realmente potencializar para o fortalecimento da docência, da escola e das relações humanas de modo geral.
    Boa leitura!
    As organizadoras

  • ATLAS DE IMAGENS – História da educação e da escola. 2 volumes

    R$320,00

    Robert Alt  Atlas de imagens. História da educação e da escola. Volume I. Desde as primeiras relações sociais até as vésperas da revolução burguesa. São Carlos: Pedro & João Editores, 2021. 522p. 21 x 29 cm.  ISBN: 978-65-5869-514-1 [Impresso]  História da educação. 2. História da escola. 3. Educação em imagens. I. Título. CDD – 370 […]

  • ATLAS DE IMAGENS – História da Educação e da Escola. 2 volumes.

    R$320,00

    Atlas de imagens – História da Educação e da Escola

    Para compor este Atlas, o educador alemão Robert Alt realizou uma façanha: encontrar e selecionar imagens, escrever legendas-comentários, num espaço de tempo que vai desde as primeiras relações sociais até a Primeira Guerra Mundial (com algumas páginas sobre a Revolução de Outubro e a sociedade soviética – muito provavelmente um acréscimo necessário à edição da obra). Robert Alt viveu na Alemanha e depois da Segunda Guerra Mundial, viveu em Berlim oriental, tendo exercido cargos na área da educação.

    O esforço, em tempos em que não havia internet, deve ter sido ingente para obter um resultado assim surpreendente. São centenas de imagens distribuídas em dois volumes, passando pela Antiguidade, pela Idade Média, chegando ao Séc. XX. Um panorama que desconhece fronteiras.  O leitor especialista encontrará aqui um conjunto de portas pelas quais pode entrar para desvendar outros mistérios. O leitor não especialista terá a vantagem de olhar para o detalhe a cada imagem e sua legenda-comentário e ao final obterá uma visão panorâmica da história da educação. Não é pouco!

    Encontrei os dois volumes vasculhando a biblioteca do Prof. Bernd Fichtner, quando estava na Universidade de Siegen com bolsa de pesquisa concedida pelo DAAD, ao mesmo tempo em que participava de Seminários no programa internacional de doutorado em educação (INED). Imediatamente fui tomado pela obra. E propus a tradução, imaginando que esta obra poderia incentivar pesquisadores brasileiros a realizarem algo semelhante sobre a nossa história da educação e da escola.

    Nilda Alves aceitou associar-se a esta empreitada escrevendo um prefácio que é ao mesmo tempo um ensaio, mostrando aa múltiplas leituras que uma obra assim concebida pode proporcionar segundo os interesses e perspectivas teóricas do leitor.

    Valdemir Miotello aceitou ser o editor – eis outro desafio. Não é uma edição fácil: muitas imagens do original de Alt estão borradas ou esmaecidas. O trabalho técnico tentou apresentar um resultado satisfatório (mas nem sempre aquele desejado porque era impossível refazer a pesquisa para encontrar as fontes, também elas secundárias).

    É uma alegria ver Robert Alt soar em português.

    João Wanderley Geraldi

  • Cartas na ventania

    R$25,00

    Um bilhete

     

    Nathercia, olá!

     

    O desejo fincado de dizer a palavra própria parece que está aumentando. É a vitória sobre o medo de dizer a palavra. Esse medo revela o medo de ser humano. Temos que vencer o medo. Como dizia Paulo Freire, temos medo da liberdade. Como pode a gente ter medo de ser livre, medo de não ser oprimido… Como pode um humano não querer ser livre! Que força estranha e medonha é essa que arranca de dentro de um humano esse desejo de ser humano, de ser livre, de não ser oprimido, de poder dizer sua palavra, de viver sua vida na relação livre com outras vidas! Que força medonha é essa!!!

    Dizer a palavra! É assim que vejo esse trabalho presente nesse livro de responder e trocar palavras no grande tempo… recebeu uma palavra lá atrás, na lonjura… e essas palavras duram, ficam vivas ou vivem sua ressurreição… e a circulação renovadora põe ainda as vozes que estão nela pra produzir sentido no hoje… é o grande tempo vivo… é o encontro com a ancestralidade… e encontro com o futuro, onde no hoje as memórias do futuro fertilizam as memórias do passado! Vale a pena! Vale a pena sacudir o pó do tempo e fazer novamente a palavra circular…

    Palavras valem. Elas são portadoras dos valores que fazemos penetrar nelas, como nosso projeto de dizer, de nossa luta de ser, ser mais nas palavras de Paulo Freire… palavras levam ao outro nosso jeito de viver, de ver o mundo, de tomar postura diante dos eventos…

    Palavra não deve ter dono, não tem proprietários, não pode ter um sentido único. Quando ela penetra tua alma, ela já vem com outras vozes dentro dela, e ela se transforma em uma palavra tua, mas não pra te adonares dela, mas pra que ela seja tua arma de luta. E uma luta por todos que já habitam nessa palavra… com essa palavra poderosa vais ao encontro de outras palavras… pensando assim, logo vemos que a palavra nasceu pra ser livre. Não brigo pela liberdade da imprensa, mas pela liberdade da palavra. Normalmente quem briga pela liberdade da imprensa quer aprisionar a palavra; quer fazer ela circular com sentidos únicos, controlados, dominados. Sentidos dominados por quem já domina a sociedade. Nossa briga tem que ser pela liberdade da palavra, pelos sentidos vários das palavras. Ela é livre… ela anda, circula, vai de um em um, se encharca de vida, engravida… palavra é ligeira, busca o encontro com outra palavra, é pra ser usada, enunciada, cantada, sussurrada, escrita, falada, copiada, plagiada… palavra é livre… palavra não tem dono…

    Então… vamos dizer nossa palavra… assim ela vira logo palavra de outro, mais larga, mais profunda, com mais camadas de vozes… libertárias…

    Viva Paulo Freire!!! Viva a palavra!!!

     

    Miotello

  • Gênero e educação em tempos de escola sem partido: compreensões de educadoras em debate

    R$40,00

    PREFÁCIO

    Em primeiro lugar, preciso registrar que é um prazer escrever o prefácio desta obra. Fui orientador de mestrado de Jean Pablo Guimarães Rossi e tive a oportunidade de acompanhar seus primeiros passos na vida acadêmica. A partir disso, destaco a importância da publicação deste livro nos dias de hoje, momento em que muitas pessoas trabalham cotidianamente para fortalecer a democracia, defender a ciência, o meio ambiente e despertar uma consciência planetária – aquela que pode nos ajudar a entender nossa identidade terrena, como diria Edgar Morin, já que habitamos juntos o planeta e dele devemos cuidar, também juntos.
    Mas como o famigerado Movimento Escola Sem Partido se relaciona a tudo isso? Já de início, destaco que, embora se autodenomine apartidário, o Escola Sem Partido tem apoio de políticos e pessoas com ideologias bem definidas e trabalha para reduzir o papel docente e a importância da escola. Para entender por que o Escola Sem Partido deseja reduzir o papel docente, é necessário ter em mente que a escola é a instituição socialmente escolhida para educar crianças e jovens. O verbo educar contempla aspectos da instrução, e vai muito além dela. A família, por sua vez, também educa, mas depende da escola, que é o espaço público capaz de trabalhar com questões plurais, heterogêneas e de diversidade com as quais a família não tem oportunidade.
    Na contramão disso, o Escola Sem Partido tenta opor família e escola, limitando a ação docente apenas à instrução, simplificando os conteúdos escolares e vendendo-os como conhecimentos técnicos, desprovidos de quaisquer relações com a realidade, seja ela social, econômica, ambiental… e desconectados de reflexões que possam levar a uma formação para a cidadania. Isso enfraquece a democracia e a ciência, já que passamos a acreditar na ilusão de que basta ensinar conteúdos para que sejam formados cidadãos e cidadãs conscientes de seu papel na sociedade. É esse mito que impossibilita um trabalho para o respeito à diversidade e difunde o uso impreciso de conceitos complexos como ideologia, neutralidade, doutrinação e a criação de termos equivocados como “ideologia de gênero”, que desqualificam e criminalizam a ação docente.
    Vale também destacar que o tema abordado neste livro é fundamental para a formação do(a) educador(a) contemporâneo(a) e está na intersecção entre educação, gênero e feminismo. Educação, pois a escola é espaço de disputa e instituição complexa, na qual interagem elementos formativos, instrutivos, cognitivos, emocionais, psicológicos, sociológicos, históricos… É importante compreender isso, pois no centro do Movimento Escola Sem Partido está a disputa pelo controle na formação de crianças e jovens e o desejo de enfraquecer um certo projeto de educação escolar. Nessa disputa temos, de um lado, a escola que atua para formar ética e criticamente em diferentes âmbitos da personalidade
    humana, e de outro lado o projeto do Escola Sem Partido, com um desejo de silenciar a diversidade, de enfraquecer a participação e a autonomia, um projeto que cerceia e censura a liberdade de cátedra docente, que institui um clima de denuncismo, perseguição, acusações e de forte controle autoritário.
    Gênero, pois a lógica de inferiorização da mulher é antiga, difícil de combater e está relacionada a outras lógicas igualmente equivocadas que opõem não só masculinidade X feminilidade, mas também racional X emocional, cérebro X coração… É este tipo de reflexão que o Movimento Escola Sem Partido deseja coibir, na tentativa de renovar movimentos conservadores que começaram a perder espaço quando o trabalho com gênero e com o respeito à diversidade começou a ser valorizado e institucionalizado na escola.
    Sem o equilíbrio entre cognição e afetividade, feminino e masculino, razão e emoção… são reforçados os comportamentos sexistas, machistas e os discursos de ódio que tanto prejudicam a vivência plena de nossas vidas e sexualidades, como temos visto recentemente.

    Feminismo, porque o patriarcado e a formação androcêntrica que recebemos cotidianamente precisam ser alvo de constante reflexão, e a escola pode ajudar muito nisso. Infelizmente, a maioria de nós não foi ensinada a pensar para além dos aspectos biológicos. Diante disso, destaco a importância da escola na valorização e no aprendizado da importância que os elementos culturais e sociais adquirem para as vivências de nossas feminilidades e masculinidades. O que é ser mulher e o que é ser homem são perguntas que não podem ser respondidas ou pré-determinadas por caracteres biológicos, e nem mesmo são anteriores à nossa própria existência. É essa complexidade que o Escola Sem Partido
    quer evitar e mascarar em uma lógica de consumo, entendendo que a docência deveria atender aos desejos das famílias e ignorando a necessidade de a escola garantir um espaço de respeito à diversidade e à pluralidade, elementos tão importantes para a formação ética em prol da justiça, respeito e equidade.
    Por fim, com a publicação deste livro só tenho a desejar: vida longa às pesquisas que se dedicam ao gênero, à educação e ao feminismo!
    Boa leitura! Bons estudos! E que este livro ajude a superar paradigmas e dar espaço para ideias novas a respeito da escola, do gênero e do feminismo!

    Ricardo Fernandes Pátaro
    Professor da Universidade Estadual do Paraná – UNESPA

  • Pesquisa em educação matemática, cultura e formação docente: perspectivas contemporâneas

    R$45,00

    PREFÁCIO

    O presente livro reúne um interessante conjunto de capítulos que proporcionam um excelente panorama do pensamento atual em Educação Matemática e do trabalho correntemente realizado em grupos de pesquisa no Brasil. Nele, o leitor, poderá aperceberse da grande variedade de temas e processos de trabalho usados pelos pesquisadores que procuram encontrar novos caminhos para melhorar a Educação Matemática dos alunos e a formação dos respectivos professores.
    Diversos capítulos têm por foco a aprendizagem dos alunos – questão central da missão da Educação – considerando aspectos como o desenvolvimento do sentido de multiplicação e do pensamento algébrico nos anos iniciais. Este interesse pelas aprendizagens dos alunos, ligado ao trabalho do professor e à atividade da escola, está igualmente presente em todos os demais textos. Objeto de atenção central em diversos capítulos, são os professores e os seus processos de formação, considerando questões como a modelagem matemática, a relação professormateriais curriculares, o processo formativo vivido em grupos de estudos por professoras da Educação Infantil, a trajetória de grupos de pesquisa colaborativos e as potencialidades de espaços de trabalho inovadores como o Clube de Matemática. Como se mostra com grande evidência, os caminhos para a formação de professores podem recolher grande benefício do trabalho colaborativo envolvendo professores, futuros professores e pesquisadores e da valorização da dimensão da reflexão sobre a prática profissional.
    Outros capítulos ainda discutem temas de natureza social e educacional, com grande impacto no ensino da Matemática, como a inclusão escolar, a influência das tecnologias digitais, o alcance das comunidades de prática, o papel das atitudes em relação à Matemática e a Etnomatemática. Os estudos realizados nestes grandes temas ajudam a perspectivar todo o ensino desta disciplina, dando orientação para o trabalho a realizar na sala de aula, nas sessões de trabalho dos processos formativos e nas atividades dos grupos colaborativos. Finalmente, um capítulo apresenta a metassíntese qualitativa como uma metodologia de investigação que permite obter um sentido geral a partir de um conjunto alargado de pesquisas individuais. Esta possibilidade de congregar os resultados de pesquisas parcelares num sentido geral, ao mesmo tempo que se avalia o seu alcance, é fundamental para que se possa tirar o melhor partido das numerosas pesquisas empreendidas em Educação Matemática.
    O presente livro é fruto do trabalho de um grupo colaborativo, o MANCALA da Universidade Federal de São Carlos, e muitos dos seus capítulos são fruto do trabalho de um grupo (por vezes bastante alargado) de autores. Na verdade, a colaboração é um elemento essencial nos processos educativos e formativos, como, de resto, fica bem evidenciado em diversos capítulos.
    Uma ideia fundamental que perpassa todos os capítulos é a importância da agência do ator educativo – o aluno na sala de aula, o professor no seu contexto de trabalho, o pesquisador na sua atividade no grupo de pesquisa. A Educação Matemática, enquadrada no paradigma da pesquisa empírica fundamentada teoricamente, tem-se vindo a desenvolver nas últimas décadas de forma extraordinária, mostrando a existência de dificuldades, incompreensões, limitações no que são os objetivos de aprendizagem dos alunos e nos objetivos de formação dos professores, ao mesmo tempo que evidencia a existência de caminhos para ultrapassar estes problemas que passam pelo reforço do papel dos atores educativos, assumindo o protagonismo fundamental no seu próprio desenvolvimento, em interação com os outros atores.
    Este livro dá um testemunho muito vivo deste processo de desenvolvimento, ao mesmo tempo que sinaliza grandes tendências que irão certamente marcar muito fortemente a evolução futura. Os seus capítulos são um convite à reflexão e à indagação. Em vez de serem encarados como experiências replicar, devem ser vistos como interpelações à vivência e à prática do leitor, colocando-se sucessivamente as perguntas – em que medida a experiência dos autores se relaciona com a minha atividade quotidiana? Em que medida pode ajudar a transformar essa atividade num sentido mais consentâneo com os nossos grandes objetivos educacionais?
    Lisboa, 19 de agosto de 2021
    João Pedro da Ponte
    Instituto de Educação, Universidade de Lisboa

  • A (re)descoberta do ensino

    R$40,00

    AGRADECIMENTOS

    Este livro é a quarta monografia do que descrevi anteriormente como uma trilogia, que consiste em Beyond Learning (2006), Good Education in an Age of Measurement (2010), e The Beautiful Risk of Education (2014). Assim como houve certo risco em se referir a esse conjunto de livros como uma trilogia – dando uma ideia de conclusão – também há o risco, e um pouco de ironia, ao acrescentar um quarto título à coleção. A questão principal aqui é se eu tenho algo novo a dizer, além do que já disse em meus escritos até agora. Este julgamento, naturalmente, fica inteiramente por conta do leitor. A única coisa que posso dizer em minha defesa é que senti que a minha crítica da linguagem de aprendizagem (Beyond Learning), do impacto da indústria global na mensuração na educação (Good Education in an Age of Measurement), e do desejo de tornar a educação totalmente livre de riscos (The Beautiful Risk of Education) precisava ser complementada por um relato robusto e explícito sobre a importância do ensino e do professor.

    Há razões intelectuais significativas para isso, que esboço nos capítulos que se seguem, tal como há razões educacionais importantes para isso, que também discuto extensivamente. Mas em torno disto, há importantes razões políticas para defender o ensino e o professor. Isto é ocorre particularmente dado o desenvolvimento na política educacional contemporânea que parece ter perdido o interesse nos professores e no seu ensino. Esta afirmação pode soar descomunal à luz dos muitos documentos políticos que continuam a repetir que o professor é o fator mais influente no processo educativo. No entanto, o que considero problemático nesta afirmação, e num certo sentido até censurável, é a redução do professor ao estatuto de fator, ou seja, uma variável que aparece na análise de dados sobre a produção educacional do pequeno conjunto de resultados de aprendizagem mensuráveis que aparentemente “contam”. Na minha opinião, isto não é uma questão de importância do ensino e dos professores, mas equivale mais a um insulto – algo que muitos professores, que hoje em dia estão sujeitos a uma forma de pensar que torna o seu salário, a sua carreira e o seu sustento dependentes do quanto foram capazes de desempenhar como esse “fator”, provavelmente atestarão (ver Carusi, no prelo).

    Durante algum tempo trabalhei com a ideia de dar a este livro o subtítulo de “argumentos progressistas para uma ideia conservadora”. A razão para isto tem a ver com o fato de que a defesa do ensino e do professor não só precisa ser feita em resposta à redução do professor a um fator, mas também em resposta às tendências para a “aprendizagem” (Biesta 2010a) da educação; tendências que veem o professor como um facilitador da aprendizagem e não como alguém que traz algo à situação educacional e que tem algo para oferecer aos alunos, mesmo que seja apenas uma pergunta rápida ou um breve momento de hesitação (Biesta 2012a). Para aqueles que veem mudança na aprendizagem predominantemente como um afastamento do ensino-como-controle, qualquer argumento a favor do ensino e do professor provavelmente somente poderá ser visto como um movimento conservador. Muito do que vou tentar apresentar nos capítulos que se seguem visa argumentar que ensinar não é necessariamente conservador e não é necessariamente uma limitação da liberdade da criança ou do aluno, assim como a “liberdade de aprender” (Rogers 1969) não é automática ou necessariamente libertadora e progressista.

    Ao longo dos anos tenho sido animado pelas respostas positivas ao meu trabalho, particularmente por parte daqueles que acham que as questões que levanto e a linguagem que utilizo para discutí-las ajudam a articular de uma forma mais precisa o que importa nos seus próprios desafios educacionais. Embora não possa negar que o meu trabalho é, em grande parte, de natureza teórica, não creio que isso signifique que não tenha significado para a prática educacional. Isto não é apenas porque estou convencido de que a linguagem é realmente importante para a educação, mas também porque acredito que a melhor maneira de se contrapor às tentativas de simplificar e controlar o trabalho do professor é tornar a prática e o próprio exercício educação mais reflexivo. Isto exige que continuemos a tentar pensar de forma diferente sobre a educação, para ver como este pensamento pode fazer a diferença na prática diária da educação. As ideias oferecidas neste livro não são, portanto, apenas ideias sobre as quais pensar – e, portanto, para concordar ou discordar – mas talvez, antes de tudo, são ideias com as quais pensar.

    Embora eu seja o único responsável pelo conteúdo deste livro, as ideias apresentadas são o fruto de muitas interações, conversas, discussões, momentos de insight, coisas que me foram ensinadas e ensinamentos que recebi. O Capítulo 1 tem a sua origem no trabalho que venho fazendo há um número significativo de anos com colegas do NLA University College em Bergen, Noruega. Seu foco no “pedagógico” e sua preocupação com as dimensões existenciais da educação e da vida continuam a oferecer um ambiente nutritivo para explorar o que realmente importa na educação. Gostaria de agradecer particularmente a Paul Otto Brunstad, Solveig Reindal e Hemer Saeverot pelo seu trabalho na colecção editada, onde surgiu uma primeira versão das ideias apresentadas no capítulo 1. E gostaria de agradecer a Tone Saevi pelo seu generoso trabalho na tradução das minhas ideias para o norueguês. Uma versão anterior do capítulo 2 foi escrita para marcar o fim do meu mandato como editor-chefe de Estudos em Filosofia e Educação. Eu tive o prazer de servir a comunidade internacional de filosofia da educação nesta função, embora tenha sido um trabalho árduo. A revista está agora nas mãos competentes de Barbara Thayer-Bacon. Gostaria também de expressar meus agradecimentos aos alunos que participaram do curso que discuto no capítulo 2. Sou grato pelo que eles me deram e agradeço o que nos foi dado.

    Uma versão anterior do capítulo 3 foi escrita em resposta a um convite de Guoping Zhao. Eu gostaria de agradecer a oportunidade e as perguntas perspicazes que ela continua fazendo sobre o meu trabalho. Gostaria também de agradecer a Vanessa de Oliveira e Wouter Pols pelas muitas conversas que moldaram o meu pensamento sobre os tópicos deste capítulo. Alex Guilherme me deu a oportunidade de desenvolver minhas ideias sobre o papel do professor na educação emancipatória, sobre o qual escrevo no capítulo 4. Minhas ideias sobre este tema também foram muito beneficiadas pelo trabalho que fiz com Barbara Stengel para o Manual de Pesquisa sobre o Ensino da AERA. O capítulo 5 tem suas raízes na minha longa colaboração com Carl-Anders Safstrom, particularmente o trabalho que fizemos no Manifesto para a Educação, (Biesta & Safstrom 2011). Sou grato pelos muitos conflitos generativos que tivemos ao longo dos anos. Eles envolvem questões sérias, mas também são sempre muito divertidos. Gostaria também de agradecer a Herner Saeverot e Glenn-Egil Torgersen por me apresentarem o tema do imprevisto na educação. O trabalho de Joop Berding sobre Janusz Korczack continua a ser uma importante fonte de inspiração.

    Eu vejo o trabalho acadêmico como trabalho, e, embora seja um trabalho privilegiado, não é tudo o que existe na vida. Agradeço à minha esposa por me lembrar disso, e por tudo o que ela me ensinou sobre educação. Gostaria de agradecer à Universidade Brunei de Londres por me oferecer um emprego num momento difícil da minha vida e carreira, e aos colegas do Departamento de Educação por me fazerem sentir em casa. A trilogia original foi publicada pela Paradigm Publishers, EUA, e eu continuo muito grato a Dean Birkenkamp pelo encorajamento e apoio ao longo dos anos. Gostaria também de agradecer a Catherine Bernard da Routledge pela sua confiança no projeto atual, e pela sua paciência.

    Talvez duas “advertências”. Primeiro, este não é um livro perfeito. Não só porque penso que a perfeição é uma ambição perigosa, mas também porque a forma como procuro o sentido progressivo do ensino continua a ser essa: uma busca que ainda está em curso. Espero, no entanto, que onde e como estou procurando traga uma contribuição útil para a discussão. Em segundo lugar, estou consciente de que em alguns pontos o que deve ser seguido é altamente teórico e filosófico. Encorajo o leitor a insistir nessas passagens, mesmo que elas não revelem imediatamente o seu significado, pois são camadas importantes do que procuro explorar também neste livro.

    Finalmente: embora eu não pretenda acrescentar um quinto título à trilogia, é claro que nunca se pode ter certeza sobre o que o futuro trará. No entanto, na minha opinião, um quarteto também não é uma má conquista.

    Gert J. J. Biesta

    Edimburgo, Dezembro de 2016

  • A AULA COMO ACONTECIMENTO – João Wanderley Geraldi

    R$38,00R$50,00

    João Wanderley Geraldi !@
    Ano de Publicação 2015
    Páginas 208
    Tamanho 16 x 23
    ISBN 978-85-7993-021-8

  • A EDUCAÇÃO NA VIDA E A VIDA NA EDUCAÇÃO: UMA ABORDAGEM HISTÓRICO-CULTURAL – Patrícia L. M. Pederiva (Organizadora)

    R$30,00

    Patrícia L. M. Pederiva (Organizadora) !@
    A educação na vida e a vida na educação: uma abordagem histórico-cultural. São Carlos: Pedro & João Editores, 2019. 197p.
    ISBN 978-85-7993-681-4
    Educação; Vida; Vigotski; Teoria Histórico-Cultural; Diversidade.
    CDD – 370

  • A PEDOLOGIA HISTÓRICO-CULTURAL DE VIGOTSKI – Claudia da Costa Guimarães Santana

    R$31,50R$45,00

    Claudia da Costa Guimarães Santana !@
    A pedologia histórico-cultural de Vigotski. 2ª ed. Revisada e ampliada. São Carlos: Pedro & João Editores, 2020. 249p.
    ISBN: 978-65-5869-037-5
    1. Vigotski. 2. Pedologia de Vigotski. 3. Pedologia Histórico-Cultural. I. Título.
    CDD – 370

  • CONCEPÇÕES E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DIÁLOGO DE/PARA/ENTRE PROFESSORES – Adrivania Maria Valério Honório [Organizadora]

    R$35,00

    Adrivania Maria Valério Honório [Organizadora] !@
    Concepções e práticas pedagógicas nos anos iniciais do ensino fundamental: diálogo de/para/entre professores. São Carlos: Pedro & João Editores, 2019. 226p.
    ISBN: 978-85-7993-772-9
    1. Anos iniciais do ensino fundamental. 2. Práticas pedagógicas. 3. Conversas entre professores. 4. Autoras e autores. I. Título.
    CDD – 370

  • CRIANÇA COM IMPLANTE COCLEAR E INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA: ENSINO DE LEITURA, ESCRITA E ARITMÉTICA – Regiane da Silva Barbosa; Maria Piedade Resende da Costa

    R$17,50R$35,00

    Regiane da Silva Barbosa; Maria Piedade Resende da Costa !@
    Criança com implante coclear e intervenção pedagógica: ensino de leitura, escrita e aritmética. São Carlos: Pedro & João Editores, 2019. 192p.
    ISBN 978-85-7993-639-5 (impresso)
    978-85-7993-640-1 (Ebook)
    1. Educação especial. 2. Criança com implante coclear. 3. Inclusão escolar. 4. Autoras. I. Título.
    CDD – 370