ESTUDOS DA LINGUAGEM

Exibindo 1–12 de 49 resultados

  • Curso de semântica argumentativa

    R$70,00

    Apresentação da edição em língua portuguesa

     

    É com enlevo que apresentamos o Curso de Semântica Argumentativa à comunidade lusófona, aos leitores do português europeu e aos leitores do português brasileiro.

    No que tange à construção da obra no original francês, o Cours é fruto de dois anos e meio de trabalhos em sete países distintos – Brasil, Argentina, Bélgica, França, Japão, Espanha e Itália. De caráter fortemente internacional, a obra é marco raro de magnitude singular, porque ilustra minimamente três relevâncias: uma relevância político-científica, ao unir pesquisadores distantes e distintos que trabalham a Semântica Argumentativa, às suas maneiras; uma relevância didática, por se significar enquanto instrumento basal para aulas sobre Linguística, Semântica, Pragmática, Enunciação, Semântica Argumentativa, Análise de Discurso e correlatas, ao redor do mundo; e uma relevância histórica, pelo valor epistemológico que a obra condensa, ao atualizar uma área de estudos que se iniciou no final dos anos sessenta – a semântica argumentativa – e que, atualmente, é trabalhada na maior parte do mundo. O teor histórico da presente obra se dá na insistência em imbricar momentos anteriores e atuais, sempre pela perspectiva de autores de alta envergadura na matéria, muitos deles de papel determinante no desenvolvimento da Semântica Argumentativa.

    Já no que tange à tradução da obra, para a língua portuguesa, o Curso é resultado de intenso esmero de uma equipe de tradução com notório preparo técnico e linguístico, versada tanto no conhecimento avançado da teoria em tela, quanto no histórico e evolução do acervo da referida teoria, a Semântica Argumentativa. E por se tratar de uma tradução, algumas palavras sobre esse processo são aqui pertinentes.

    Para além de um método de tradução que converte estabilidades convencionais entre si, foi critério indesviável para a tradução desta obra debruçar-se sobre o exercício hercúleo de (tentar) preservar os fenômenos linguísticos/enunciativos em discussão, que outrora descritos e narrados por uma deontologia francesa (e não apenas a língua francesa), agora, tornaram-se descritos e narrados por uma deontologia brasileira (e não apenas a língua portuguesa). Afinal, a tradução é também uma descrição da enunciação. Portanto, o cuidado-base foi preservar o que é próprio da enunciação, ao traduzir.

    Além deste primeiro critério-base, o cuidado com o que é próprio da enunciação, ao traduzir, os tradutores ocuparam-se, detidamente, com o cuidado com o que é próprio da língua francesa, ao traduzir. A equipe, então, dedicou-se em zelar pelo conhecimento próprio da língua francesa, que neste volume de tradução, tornou-se um conhecimento técnico-teórico operado em francês, mas lido em português. Tratou-se de um critério de preservação epistemológico-linguística: empenhamos em preservar tanto o conteúdo (a epistemologia, objeto das aulas) quanto a língua que operava tal conteúdo (a língua das aulas, o francês), apresentando-os, agora, pelo crivo do português brasileiro.

    Mesmo diante do desafio que é toda tradução, os resultados finais atenderam às expectativas mais exigentes de nossa equipe. Resta recomendar, como de praxe, tanto para as lentes mais rigorosas como para aquelas que se arvoram nas minúcias profundas dos fenômenos, que as devidas leituras da presente versão portuguesa se realizem em parceria com a leitura do original francês. Sobretudo no que tange aos exemplos, enunciados rebeldes que desafiam todo método de tradução, por jogarem com exclusividades linguísticas da língua de origem, já que toda língua traz, em seu bojo, espessuras nem sempre traduzíveis, como particularidades culturais, semânticas e doxais de certa coletividade linguística, de um grupo, ou um povo. Especificidade essa que, nesta versão portuguesa, torna-se um esforço de tradução de um complexo linguístico-cultural e semântico de sete países distintos, enunciados pelo escrutínio do português brasileiro.

    Disponibilizando tal riqueza política, histórica e didática ao estimado leitor, aqui apresentada pela tradução em língua portuguesa, reiteramos votos de profícuos trabalhos e pesquisas, ao redor do mundo.

     

    Julio Cesar Machado

    Universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG-Brasil

     

    Inverno de 2021, segundo ano da pandemia do Coronavirus.

  • Esperançando. Palavras e contrapalavras. Caderno de Estudos XIII

    R$20,00R$25,00

    Apresentação

    O Círculo de Bakhtin, esse grupo de intelectuais de que tomamos a expressão palavras e contrapalavras para enunciar o título desta coleção, nos motiva a estudar há vários anos. Desde que conhecemos as palavras daqueles autores russos aprendemos que viver no simpósio universal da palavra obriga a responder, sem álibis, uma vez que ninguém mais pode ocupar o mesmo espaço singular em que nos encontramos e enunciar por nós. O caráter de responsividade que a palavra provoca e gera o termo “contrapalavra”, entendido por nós como palavra resposta, palavra réplica, nos faz responder ao mundo, aos outros.

    O começo dessa série, em 2009, com a proposta de glossariar conceitos foi ano após ano sendo revisitada, por nós e por outros leitores. Nossas palavras e compreensões sobre a obra bakhtiniana foram se especializando, a cada ano um novo volume de um livro que hoje apresentamos a décima terceira edição, e também em outros livros publicados por nosso Grupo. As reflexões que geraram a ideia do primeiro volume e foram se atualizando ao sabor da vida compartilhada sob aquela árvore [o abakhtin] no Departamento de Letras, da Universidade Federal de São Carlos, em uma primeira fase, e depois em toda a parte deste país, quando nos espalhamos [o BakhZap e o MeetBakh], instauraram também as ideias-força deste livro.

    O Grupo de Estudos dos Gêneros do Discurso (GEGe), desde o começo do ano de 2020, com a pandemia de covid-19, aferrou-se à ideia de que podemos ser mais juntos, aprender juntos mesmo distantes fisicamente. Cada um de nós, fisicamente em vários lugares do Brasil, está presente em quase todas as sextas-feiras à tarde, quando temos nos reunido virtualmente para falar de Bakhtin, mas também de outros camaradas, como Ítalo Calvino e Paulo Freire.

    Essas leituras e discussões que fizemos em conjunto nos levaram, pensando nos últimos dois volumes da série – O medo do outro (2019) e Resistências (2020) – a avançar também na proposta de compreensão. Se antes estávamos pensando no presente e nas formas de sobrevida, uma vez que se entenda que “resistir” como “conservar-se firme”, agora, com “esperançar” estamos mirando o futuro. Com “esperançar”, ainda que não se deixe de pensar também no presente, estamos olhando para frente na perspectiva de ativamente “projetar o futuro” [“elas estão cheias de um futuro que não está ainda totalmente expresso, o que as obriga a procurar soluções antecipadas para ele” (Bakhtin, Cultura, p.108)] e caminhar juntos, na plenificação das relações amorosas e alteritárias, e por isso na construção da não-indiferença para viver, sem trégua, com o diferente.

     

    Valdemir Miotello

    Nathan Bastos de Souza

    Mundo, ano II da pandemia, novembro de 2021

  • Estudos Bakhtinianos do GELPEA: vozes e horizontes amazônicos

    R$40,00

    FALANDO DE NÓS…

     

    José Anchieta de Oliveira Bentes

     

    O Grupo de Estudos em Linguagens e Práticas Educacionais da Amazônia (GELPEA) foi criado em 2008. A primeira designação que o grupo teve foi exatamente “Grupo Práticas”. Pretendíamos centrar na análise de sala de aula enquanto um espaço de diálogos, um lugar de relação com o outro. Um ambiente de alteridades, de formação e de realização da prática educativa.

    O grupo surgiu com os mestrandos da turma de 2007-2008 que cursavam os Estudos Linguísticos no Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL), da Universidade Federal do Pará (UFPA). Esses mestrandos queriam se apropriar da teoria de gêneros discursivos, que discutia a prática docente de professores de Língua Portuguesa na sala de aula – mais especificamente queríamos estudar autores como Mikhail Bakhtin e Bernard Schneuwly.

    A inspiração foi em Bakhtin – nos círculos de Bakhtin. Começamos reunindo, no ano de 2008, na UFPA e nas residências dos integrantes, sempre discutindo a temática da prática de sala de aula. Discutimos o ato responsável, os gêneros discursivos, as sequências didáticas, o uso e ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras), a interação em sala de aula, a alfabetização de crianças, jovens e adultos, entre outras abordagens.

    Em 2010, assumimos a denominação de “Grupo de Estudos Linguísticos e de Práticas Educacionais do Norte”; assim o Grupo foi institucionalizado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). No ano de 2012, renomeamos para Grupo de Estudos em Linguagens e Práticas Educacionais da Amazônia substituindo a expressão “estudos linguísticos”, que reduzia o grupo ao curso de Letras, para “estudos em linguagens” ampliando para todas as disciplinas das Ciências Humanas.

    Desde a sua fundação, reunimos professores(as) e pesquisadores(as) de instituições públicas em torno de estudos e pesquisas que envolvam práticas educativas escolares e não escolares nas áreas das linguagens nos mais diferentes níveis de ensino. A ideia sempre foi de buscar alternativas para minimizar as problemáticas locais – com os desafios de considerar os saberes dos povos tradicionais, das florestas, das águas, das cidades e dos campos. Nesta perspectiva, realizamos estudos e pesquisas acerca da educação na Amazônia. Os resultados dessas pesquisas e estudos são divulgados em publicações, cursos, palestras, comunicações, oficinas, simpósios, congressos, entre outros eventos.

    O grupo é um coletivo que envolve profissionais de diversas instituições, dentre as quais: a Universidade do Estado do Pará (UEPA), a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Secretaria de Estado da Educação do Pará (SEDUC) e a Secretaria Municipal de Educação de Belém (SEMEC). O GELPEA há mais de uma década vem desenvolvendo atividades que tratam dos desafios de aprender e ensinar na Amazônia.

    Ao longo dos anos, o grupo desenvolve seus estudos de forma coletiva e por meio de linhas de estudos. Nessas linhas os seus membros reúnem-se na intenção de estudar e dialogar sobre os pressupostos teóricos, metodológicos e analíticos a partir de um problema de pesquisa. Esses estudos ocorrem de forma dialógica em que os integrantes debatem, dialogam e interagem na intenção de agir, reagir e contribuir com as palavras do outro. Afinal todas as “‘palavras alheias’ são reelaboradas dialogicamente em ‘palavras minhas-alheias’ com o auxílio de outras ‘palavras alheias’” (BAKHTIN, 2017, p. 68).

    Os diálogos nas linhas têm como eixo central os Estudos da Linguagem, em especial a corrente teórica de Mikhail Bakhtin e do Círculo russo. A partir desse eixo, buscamos dialogar, incessantemente, com as práticas educacionais da Amazônia. Isso faz com que o grupo, por ser dialógico, articule-se com outras correntes teóricas, inclusive os estudos culturais, os estudos do discurso, os estudos da literatura, o ensino de línguas, os estudos decoloniais, a interculturalidade crítica, os estudos da diferença, entre outras correntes teóricas.

    Intenta por meio de suas atividades problematizar determinadas tendências de pensamentos que isolam a língua no interior de um sistema abstrato, que a descreve como um objeto neutro desassociando-a das relações de poder e dos significados que emergem da atividade humana em sociedade. O GELPEA lida com o enunciado que é visto por Bakhtin como uma unidade da comunicação discursiva, sendo que cada enunciado constitui um novo acontecimento, um evento único e irrepetível da comunicação humana (BAKHTIN, 2016).

    O GELPEA busca garantir a participação dos membros do grupo – e de todos aqueles que se interessam pela abordagem dialógica da linguagem proposta por Bakhtin e o Círculo – em todas as suas atividades e seus projetos. Essa participação se dá pelo diálogo com outras vozes, inclusive com pesquisadores paraenses, amazônidas, brasileiros e estrangeiros, com ações e projetos de ensino, pesquisa e extensão.

    E mais: vem promovendo o diálogo entre a universidade e a sociedade, por meio da participação dos docentes da Educação Básica e da socialização das pesquisas desenvolvidas pelos alunos da Graduação e da Pós-Graduação, envolvendo ainda os professores das redes municipal, estadual e federal de ensino e de outras localidades do país. Assim, o grupo contribui com a formação inicial e com a formação continuada dos profissionais da educação que atuam no contexto das escolas e das universidades.

    O GELPEA desenvolve as suas atividades em torno de estudos teóricos articulados ao campo do ensino, da pesquisa e da extensão. Nesse sentido, o grupo já realizou diversos eventos e atividades que articulam esses três campos, tais como: os Seminários sobre linguagens, tecnologias e práticas docentes; os Colóquios de estudos bakhtinianos; as Arenas de estudos bakhtinianos; e as Lives sobre identidades e alteridades.

    Todos esses eventos promovidos pelo GELPEA tiveram como plano de fundo os estudos por meio de: rodas de conversas, estudos por meio das linhas, encontros virtuais onlines, outras atividades. Sendo assim, o GELPEA tem uma trajetória metodológica em torno de estudos e reflexões que se dão de forma dialógica e coletiva. Isso faz com que os integrantes do Grupo leiam, discutam, reflitam e escrevam acerca dos pressupostos teóricos estudados. Consequentemente, isso tudo é conectado ao campo do ensino, da pesquisa e da extensão pelo grupo.

    Somos um coletivo de pesquisadores brasileiros, institucionalizado por uma Universidade pública na Amazônia e em atividade há mais de 13 anos. Assim, diante dos crescentes ataques aos pesquisadores, à universidade pública e às múltiplas vozes da Amazônia, vivenciamos a urgência de ampliar e fortalecer ações de democratização e internacionalização de nossas atividades por meio do diálogo entre pesquisadores, professores e alunos, bem como a divulgação de estudos e de alternativas construídas na academia em interação com outros grupos sociais organizados.

    O GELPEA visa a construção de um campo de conhecimento na Amazônia a partir das vozes que ressoam os fundamentos teóricos, metodológicos e analíticos de Bakhtin e demais autores do círculo russo. O GELPEA integra autores, intelectuais e pesquisadores interessados e compromissados com a educação e os estudos da linguagem na intenção de visibilizar “a natureza inacabada do diálogo sobre as grandes questões (na escala da grande temporalidade)” (BAKHTIN, 1997, p. 393).

    Assim, almejamos que todas essas ações do GELPEA possam ser refletidas e refratadas nas escolas para que essas instituições da e na Amazônia tornem-se, de fato, instituições que promovam a cidadania e estejam voltadas aos interesses dos grupos populares, sociais e economicamente marginalizados. Para isso, a caminhada precisa ser de construção coletiva e dialógica para que todas, todos e todes vivenciem uma Amazônia permeada por valores éticos, pautados no respeito às diferenças e na inclusão social e educacional.

  • LENDO RAZLÚKA DE PÚCHKIN: a voz do outro na poesia lírica

    R$25,00

    Mikhail Bakhtin à escuta da voz do outro, até mesmo no gênero lírico

    Augusto Ponzio

     

    Conversando com [São Bernardo] no paraíso, Dante exprime a ideia de que nosso corpo haverá de ressuscitar não para nós, mas para aqueles que nos amam, que nos amavam e que conheciam a nossa única face (Bakhtin, 2011, p. 53).

     

    Mikhail Mikhailovich Bakhtin (Orël, 1895 – Moscou, 1975) é conhecido sobretudo por ter mostrado a importância que tem a relação entre voz própria e voz outra no interior do romance, com referência particular ao “romance polifônico” de Dostoiévski. Menos conhecido é que Bakhtin, e justamente no início de sua pesquisa inerente à palavra enquanto tal, identifica a importância da voz outra na poesia lírica, analisando uma poesia de Púchkin, Razlúka (Separação). Disso ele se ocupa no início dos anos 1920, seja no “Frammento del primo capitolo di “L’autore e l’eroe” [Fragmento do primeiro capítulo de “O autor e o herói” (Bachtin, 2014)], seja em “K Filosofi postupka” (“Por uma filosofia do ato responsável”), ambos mantidos inéditos e publicados no original russo organizado por S. G. Bocharóv em 1986. Em ambos a referência direta é à poesia de Púchkin.

    “Voz”, essa palavra indica algo de singular, de irrepetível, de único. A voz (como a impressão digital ou o DNA) indica a singularidade de cada um, a sua insubstituibilidade, a sua incomparabilidade, a sua unicidade, em contraste com a inserção de todos na identidade: identidade de gênero, de raça, de etnia, de cultura, de religião, de nação, de classe, de profissão, de papel social…, mas também identidade em relação a outros paradigmas: rico/pobre, bom/mal, bonito/feio. Essa inserção na identidade e, portanto, no paradigma, acontece menos na relação de amor, o amor verdadeiro, desinteressado, seja esse o amor como eros, seja esse o amor como agape (o amor filial, de amizade, da misericórdia, o amor à vida em todos os seus aspectos e manifestações, no qual o único interesse é o próprio ser amado, “único ao mundo”: “não te amo porque és isso ou aquilo, mas porque és tu (e esse “tu” pode valer não só para um ser humano, mas também para um gato, um pardal solitário, para a lua (como mostra a escritura literária, e não só a poesia).

    Normalmente há dois centros de valor: aquele do eu e aquele do outro. Na vida pode prevalecer um ou o outro. Mas na arte, a condição de seu valor, do valor estético, é que predomine o valor do outro. É isso que indiquei, como referência à revolução copernicana, no título do meu livro (Editora Contexto, 2015), como Revolução bakhtiniana. E, precisamente, diferente da responsabilidade pelo outro na vida, é preciso que na arte predomine não o ponto de vista do próprio eu sobre o outro, mas o ponto de vista “extra-localizado”, exótopico, a respeito do “personagem”, quem quer que esse seja – humano, ser vivo ou não, bom ou mau, bonito ou feio, um santo ou um assassino. Trata-se do ponto de vista do escritor, e se for verdadeiramente assim, também do ponto de vista do leitor, que o escritor consegue envolver nos eventos do personagem, como consegue fazer Dostoiévski em relação a Raskólnikov de Crime e castigo, ou de Stavróguin de Os demônios. Mas é também isso que consegue fazer Púchkin em Razlúka, em relação à separação dela: separação que agora não é só seu retorno da Rússia para a Itália, não é, portanto, somente a separação dele, mas – somente agora ele sabe (portanto os pontos de vista na poesia de dois são tornados três) – é uma separação dela para sempre, porque ela morreu. E aqui ainda mais uma vez o amor supera a morte, e o poeta consegue isso expressar, dirigindo-se diretamente à mulher amada, partida para sempre, com o tu: “Ma il bacio promesso nell’addio, io lo voglio, la tua promessa vale!” [Mas digo que a ti já partiu… o beijo final que ainda espero!].

    Foi belo que Marisol Barenco tenha promovido e realizado a publicação em português desse texto de Bakhtin.

  • Livros onde vivem pensatempos

    R$30,00R$40,00

    Quando recebi o convite para escrever a orelha do livro do Wanderley Geraldi lembrei das palavras da personagem de Clarice Lispector em Felicidade Clandestina: “Era mais do que qualquer criança devoradora de histórias poderia querer”. Exatamente assim aceitei.

    Este é um livro sobre escritos, parece errado dizer isso, então tento me aproximar mais do que sinto, não é um livro apenas, é um convite, para atravessar os tempos de escuridão e medo que nos cercam, são histórias de histórias, que acendem o candeeiro, que adentram as fissuras, os escondidos e as ternuras dos textos. Sabidamente, tamanha sua genialidade e maestria, nosso autor, que é nosso candeeiro, aproxima e afasta o que deve aproximar e afastar, dando a nós a dimensão, por luz e sombra, que os nossos monstros e medos por vezes podem ser derrotados.

    Os textos lidos constituem uma nova obra, são organizados numa trajetória bem desenhada, desbravadora de um novo percurso, cujo autor não estende a mão aos leitores, tampouco aos autores, ao contrário até, em cada texto tem-se experiências e rupturas: um, dois, vários socos no ar, no estômago, no coração e estamos todos em meio a uma nova jornada, prontos ou não, seguimos, e se vamos para algum lugar é melhor que se saiba com quem e porque caminhamos.

    Esse convite de João Wanderley Geraldi é único e se faz para cada um que tem seu livro nas mãos; é certo que em seus textos não podemos resgatar os ouvidos ingênuos das experimentações e mediações das contações de histórias das nossas infâncias, mas, de certo modo, o ato de conduzir-nos nas narrativas remete-nos ao tempos em que ouvíamos histórias debruçados sobre afeto: não há pressa na escritura, e assim devemos proceder na leitura, a cadência vai sendo dada pelos achados que o autor aponta, e de outros tantos sugestionamentos que provoca.

    E o tempo? É leitura e pensamento. Aceito o convite, temos instrumento, e podemos inverter a ampulheta, e quantas vezes ainda se façam necessárias, pois adentrar um texto lido por Geraldi é totalmente diferente, não é ler um texto facilitado no sentido de se desobrigar de ler o original. É o contrário. Por ele se penetra no texto de forma atenta, precisa-se de mais, pois constrói um novo texto capaz de inundá-lo de sentidos, desconhecidos e escondidos pelo autor, e assim ele vai, e volta, e revolta-se em diálogo mediado entre o autor e o leitor, até que entregue para si e para quem é lido um significado vital, feito carne, numa emoção de dois parceiros.

    Brasília, outubro de 2020

    Mara Emilia Gomes Gonçalves

    Professora de Língua Portuguesa

  • Registros: inventos da memória

    R$40,00

    Introdução

    As inscrições rupestres (a mais antiga das quais, na Indonésia, foi datada com 45.500 anos a.C.) oferecem uma enigma para o mundo contemporâneo. Podem ser resquícios de narrativas (por exemplo, é possível que a inscrição na ilha Sulawesi, na Indonésia, conte a história de uma caça); também podem ser formas de comunicação à distância, em que moradores das cavernas deixavam àqueles que não estavam presentes algum recado, alguma informação (são, por exemplo, os sentidos dados a alguns desenhos com animal e homens com instrumento de caça, que poderiam significar “saímos para caçar”, um sentido obviamente atribuído pelo presente), podem, ainda, representar as primeiras manifestações artísticas do homem (por exemplo, a escultura do ‘homem-leão’, datada de 32 mil anos a.C., encontrada na caverna de Stadel, na Alemanha).
    Qualquer que seja a hipótese de nossas explicações permanecerá sempre como hipótese. Mas algo parece estar sempre presente como gesto da espécie: grafar a ‘experiência’ de alguma forma através de imagens. Foram necessários milhares de anos para chegarmos ao que conhecemos como escrita. O historiador Yuval Noah Harari (Sapiens Uma breve história da humanidade) levanta a hipótese de que a escrita emerge entre os homens, depois da revolução agrícola e o surgimento de um sistema de trocas, como uma forma de registro ‘contábil’.

    Em defesa de sua tese, traz a tábua suméria de Uruk, o primeiro documento assinado encontrado até agora, em que alguém chamado Kushim diz ter recebido 29.086 medidas de cevada ao longo de 37 meses. O que interessa nesta hipótese é o fato de que a escrita, em suas primeiras emergências, permitiu não sobrecarregar a memória. Em certo sentido ela permitiria uma ‘memória externa’ ao corpo.

    O conjunto de textos que compõe este livro são registros para a memória. Todos os textos foram escritos antes de baixar a poeira da leitura. Formei-me leitor com uma caneta ou lápis na mão: quando eram obras tomadas emprestadas, de amigos ou de bibliotecas, tinha meu cadernos de anotações. Meus livros estão bordados de traços, sublinhados, anotações à margem. Aqueles de estudos estão coloridos porque a cada leitura usava outra cor. São exemplares imprestáveis.
    Que razões me levam a compartilhar estes registros? Como não são resenhas, não trazem análises criteriosas, não resultam de pesquisas, sua serventia para outros, esta a minha ambição, é que minhas leituras levem outros aos mesmos livros (ou a outros livros). Grande amiga minha, Cristina Campos, me diz: “ler você é muito caro!”. Não entendi… mas ela explicou – leio suas anotações e fico com vontade de ler vários destes livros. Foi o melhor retorno que recebi a respeito destes livros que venho publicando anualmente, desde 2017. Para que ela não ‘gastasse’, começamos a trocar livros. Eu lhe empresto aqueles cujas leituras foram registradas por mim lhe interessaram. E ela me indica outros livros, que leio e registro para minha memória, sabendo que as compartilharei.
    Que a sorte deste novo livro seja inspirar outras leituras, outros leitores.

    Barequeçaba, setembro de 2021
    João Wanderley Geraldi

  • A CONSTRUÇÃO DA ENUNCIAÇÃO E OUTROS ENSAIOS [VOLOCHÍNOV] – Valentin Nikolaevich Volochínov

    R$45,00

    Valentin Nikolaevich Volochínov !@
    Ano de Publicação 2013
    Páginas 273
    Tamanho 16 x 23
    ISBN 978-85-7993-169-7

  • A ANÁLISE DO DISCURSO E SUAS INTERFACES – Leda Verdiani Tfouni, Dionéia Motta Monte-Serrat, Paula Chiaretti (Orgs.)

    R$30,00R$60,00

    Autor Leda Verdiani Tfouni, Dionéia Motta Monte-Serrat, Paula Chiaretti (Orgs.) !@
    Ano de Publicação 2011
    Páginas 400
    Tamanho 16 x 23
    ISBN 978-85-7993-072-0

  • A LIGEIREZA DA PALAVRA – Augusto Ponzio; Valdemir Miotello

    R$25,00

    Augusto Ponzio; Valdemir Miotello !@
    Augusto Ponzio e Valdemir Miotello em diálogo. A ligeireza da palavra. São Carlos: Pedro & João Editores, 2019. 111p.
    ISBN: 978-85-7993-765-1-
    1. Estudos de linguagem. 2. Bakhtin. 3. Força da palavra. 4. Autores. I. Título.
    CDD – 410

  • A PALAVRA DE SAUSSURE – Lucília Maria Abrahão e Sousa, Glaucia Nagem de Souza e Lauro Baltini (orgs)

    R$25,00R$50,00

    Autor Lucília Maria Abrahão e Sousa, Glaucia Nagem de Souza e Lauro Baltini (orgs)
    Ano 2016
    Páginas 369
    Tamanho 16 x 23
    ISBN 978-85-7993-334-9

  • Angústia

    R$30,00

    APRESENTAÇÃO

    Nós, gefilianos somos um grupo de estudos. Somos muitos; entre nós há a multiplicidade – somos compostos de alteridades – futuros psicólogos, filósofos, linguísticas, biomédicos, farmacêuticos, professores. Somos amigos, rivais à moda dos gregos, que buscam uns nos outros não a complacência, mas o pensamento oxigenado pelo discurso outro, pelo inacabamento que o outro nos concede amorosamente. Somos encontros e desencontros. Somos diferentes e iguais e, o encontro, acontece na e pela alteridade que nos constitui e nos dá acabamento sempre provisório. Somos pluralidade. Somos quase que legião. Somos apaixonados por Filosofia. Somos amantes dos saberes. Somos singulares. Somos pesquisa e extensão. Somos congressos e feiras de profissão. Somos festa. Somos GEFIL (Grupo de estudos filosóficos). Somos pharmácia philosófica (site).

    Desde 2017, estamos juntos semanalmente nos colocando novos pensares, novas conexões, novas aprendizagens. Constituímos uns aos outros nessa simbiose de ideias.

    Este livreto é um de nossos frutos mais saborosos – saber com sabor. Pois é assim que nos vemos como gefilianos: aqueles que sentem sabor no saber e se lambuzam.

    Aqui o tema é a angústia sob muitos prismas. O dicionário e sua explicação é só um começo, pois a angústia é discutida muito além da definição, adentra-se no campo do conceito.

    Com transgrediência, o capítulo de Morgan compreende a angústia como produto do capital, uma psique capitalista de uma narrativa edipiana já ultrapassa aos olhos da Esquizoanálise deleuziana. Será que podemos não mais nos vermos como seres de falta, mas como máquinas desejantes? O autor Morgan nos convida por essas veredas.

    Com marteladas e transvaloração, o capítulo de Cardoso traz a literatura de Caio Fernando Abreu ao encontro de Nietzsche, de uma visão existencialista heideggeriana da angústia e das concepções de verdade em Bakhtin. Ser angustiado como uma condição para a projeção, como princípio e não fim? A autora Cardoso nos sensibiliza por esse caminho.

    Com vivências, o capítulo de Tognolo discute a formação inicial no ensino superior com o existencialismo sartreano. Estar no mundo é angustiante e podemos vivenciar essa angústia de várias formas. Entre essas formas a própria formação causa assombros angustiantes ao convidar alunos e alunas a saírem do senso comum? A autora Tognolo nos oferta essas narrativas.

    Com vertigem, o capítulo de Silvestri compreende a Filosofia Existencial de Sören Kierkegaard. O Existencialismo refreta e refrata uma vida que só pode ser vivida como poesia. Será que podemos aprender a nos angustiarmos e sermos, então, mais livres?  A autora Silvestri nos incita a essas possibilidades.

    Com questionamentos acerca das verdades que circulam pela sociedade, o capítulo de Carlos Erik Ananias problematiza os discursos de padrões sociais ditos normais mediante a Filosofia foucaultina e o efeito desumanizado no entendimento e prática escolar e hospitalar com a pessoa com deficiência, especificamente com a comunidade Surda. O autor Ananias nos convida a rever nossa compreensão e ações.

    Com cuidados de si, o capítulo de Granziol nos convida às reflexos sobre o auto cuidado. O profissional da Saúde é a personagem central do capítulo pensado à luz da filosofia foucaultiana. Nesse relato de experiência alinhado a estudos recentes e ao conceito de hermenêutica de si, as angústias da atividade laboral podem ser superadas e aliviadas por técnicas de si como o autoconhecimento. O autor Granziol nos incita a conhecer a nós mesmos.

    Com desnaturalização das normativas discursivas estabelecidas no seio social, o capítulo de Tenca problematiza os discursos institucionalizados legal e moralmente acerca das relações monogâmicas. Discutindo Freud e a trazendo a tonas as críticas bakhtiniana à Psicanálise freudiana, a angústia de um identidade fixa, uma vida não carnavalizada é compreendida como naturalização das relações humanas. O capítulo de Tenca nos provoca a quebrar imposições, destronar ideologias oficiais e nos colocarmos em movimentos menos hierárquicos e pré-estabelecidos.

    Com sensações, experiências da vida cotidiana, estudantil universitária e dos discursos que circulam o imaginário, Assis questiona o que é ser? O que é preciso para ser? Por que há tantas regras para sermos? Isso é fonte de angústia? De um tipo de angústia? O ser está condicionado ao ter? Ter posses? Ter status? Não basta existir? Discursos oficiais dizendo o como se deve ser, agir, pensar. O que te autoriza a ser… O capítulo de Assis nos convida a sermos outros em relação a nós mesmos; menos angustiados pela lógica do ter, encontrando ou se reencontrado com a autenticidade abafada pelas relações líquidas.

    Kátia Vanessa Tarantini Silvestri

  • BAKHTIN E O LUGAR DA LINGUAGEM NA PSICOLOGIA – Valdemir Miotello

    R$30,00

    Valdemir Miotello !@
    Bakhtin e o lugar da linguagem na psicologia. São Carlos: Pedro & João Editores, 2018. 95p.
    ISBN 978-85-7993-505-3
    1. Estudos bakhtinianos. 2. Linguagem e psicologia. 3. Revolução bakhtiniana. I. Título.
    CDD – 410