ISBN: 978-65-5869-055-9
eISBN: 978-65-5869-056-6

Autor/Organizadores:

Kamylla Pereira Borges; Lidiane de Lemos Soares Pereira; Suzana Lopes de
Albuquerque

Apresentação

Esta obra é fruto do trabalho coletivo de estudo, pesquisa e extensão do Panecástica – Grupo de Estudos e Pesquisa sobre o Homem, o Trabalho e a Educação Profissional e Tecnológica, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado de Goiás (IFG), câmpus Anápolis e câmpus Goiânia Oeste. Desde a sua fundação, no ano de 2017, o Panecástica se constituiu como um importante núcleo de estudos e pesquisas no âmbito do IFG. A cada ano este núcleo tem publicado uma coletânea, que se configura como um espaço de divulgação da produção acadêmica não só do núcleo, mas da comunidade científica do nosso estado.

O ano de 2020 tem sido um ano muito difícil, devido a Pandemia de Covid-19, estamos vivendo um momento nunca antes experimentado pela humanidade, de luta pela saúde e sobrevivência através do isolamento social. As aulas, encontros de grupos de pesquisa e todo tipo de reunião presencial foram canceladas. Estamos em um período obscuro, cujas tecnologias têm sido nossa janela para o mundo, nos permitindo interação e um contato humano, mesmo que virtual.

Apesar deste cenário, a educação não para; milhares de alunos e professores estão aprendendo, ensinando e trabalhando através de diferentes recursos tecnológicos e da Educação à Distância (EAD). E nós, do Panecástica, como professoras e professores, defensores de uma educação pública, gratuita e de qualidade também não ficamos de braços cruzados, continuamos nosso trabalho, mediado pelas tecnologias, e apresentamos aqui o volume 4 da coletânea Panecástica. Nosso objetivo é abrir o espaço para reflexão, estudos, debates a todos que vivenciam e se preocupam com os processos de formação em uma perspectiva emancipadora.

Nesse 4º volume da coletânea Panecástica vem à luz um conjunto de textos que expõe as reflexões em torno da questão central da Educação e suas articulações com as tecnologias, linguagens e a inclusão social. Elegemos essa temática visando fomentar o debate crítico, a reflexão e o intercâmbio de experiências entre pesquisadores, docentes da educação básica e educacão superior e, estudantes em geral.

Os textos dessa coletânea, com seus delineamentos específicos, constroem críticas e reflexões em relação ao papel da educação no processo histórico da inclusão social, além da problemática articulação entre educação e tecnologias e as diferentes linguagens e culturas envolvendo os aspectos educacionais. Todos calcados em uma perspectiva de educação comprometida com uma formação humana, omnilateral, voltada para emancipação e construção de uma sociedade verdadeiramente democrática.

Sendo assim, o capítulo 1, “Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (NAPNE) no IFG: Impasses e Possibilidades”, busca refletir sobre o processo de inclusão escolar no âmbito do IFG, mediante estudo sobre a implantação dos NAPNEs. Nesse estudo as autoras consideram que a criação dos NAPNEs significou um grande avanço para os institutos, sobretudo no que se refere ao debate sobre a oferta do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e à acessibilidade.

As autoras também discutem sobre as dificuldades e impasses atrelados à falta de estrutura física, recursos humanos e de ordem financeira, que se constituem como barreiras para a consolidação de ações de inclusão escolar no âmbito do IFG.

O capítulo 2, “O processo de inclusão/exclusão de estudantes com TDAH na escola contemporânea: Entre o real e o ideal”, traz a discussão das contradições que envolvem a inclusão/exclusão dos estudantes com TDAH na escola, como formação docente, equipes de apoio, recursos didáticos e outros. Os autores também discutem sobre as possíveis ações para implementação da inclusão escolar dos estudantes com TDAH.

O capítulo 3, “Compreendendo o Autismo: As nuances da síndrome”, apresenta as nuances que permeiam o autismo para disponibilizar um subsídio teórico que contribua para a prática de uma educação pautada nos princípios inclusivos. A autora inicia seu ensaio a partir de um breve levantamento da historicidade do autismo, bem como suas possíveis etiologias. Em seguida, a autora aborda a definição de autismo e suas características, demonstrando como se configuram os principais sintomas.

O capítulo 4, “O que nos dizem os tradutores/intérpretes de Libras a respeito do ensino de química? Uma análise a partir da cidade de Anápolis – Goiás”, discorre sobre uma pesquisa participante que teve como objetivo traçar o perfil dos Tradutores/Intérpretes de Libras (TILS) na cidade de Anápolis, Goiás, bem como fazer um movimento de escuta por parte dos TILS, quanto ao processo de interpretação nas aulas de Química. Os autores utilizaram como instrumento de coleta de dados o questionário e a análise dos dados foi realizada em uma perspectiva quali-quantitativa. Os autores, a partir de seus resultados, apontam que é preciso investir em formação dos TILS e que o trabalho colaborativo entre professor e TILS pode pontencializar um maior acesso ao pensamento químico pelo aluno surdo.

O capítulo 5, “Políticas de Educação Inclusiva e Neoliberalismo: Uma análise dos governos do PT”, tem como objetivo compreender a relação entre os pressupostos neoliberais e as políticas de educação inclusiva dos governos Lula (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016). Os autores realizaram um estudo de natureza qualitativa, do tipo exploratório, descritivo e analítico e a coleta de seus dados se deu a partir de pesquisa bibliográfica e análise documental do escopo das políticas de educação inclusiva dos governos do PT. Os autores perceberam que apesar de representar avanços em termos de financiamento e aumento do número de matrículas dos alunos com necessidades educativas especiais (NEE) na rede pública de educação, há um processo de disputa e articulações em que existe a manutenção de uma perspectiva neoliberal nas políticas de educação inclusiva, evidenciado através do financiamento público das instituições privado-assistenciais de educação especial, a terceirização via parcerias público privado e o deslocamento do conceito de educação como direito para educação como serviço.

O capítulo 6, “Trabalho e Linguagem: uma leitura a partir de Marx e Vigotski”, tem como objetivo explicitar a relação existente entre pensamento e linguagem no processo de formação humana, a partir do conceito de trabalho de Marx e dos estudos sobre pensamento e linguagem de Vigotski. Nesse texto, as autoras apresentam o conceito de trabalho de Marx e os estudos sobre o desenvolvimento das funções psicológicas superiores de Vigotski, com destaque para os relacionados ao pensamento e à linguagem.

Dessa forma, as autoras reforçam a importância da influência do conceito de trabalho de Marx para construção do arcabouço teórico dos estudos de Vigotski.

No próximo capítulo, “Culturas, desigualdades e conflitos no espaço escolar: uma análise do filme entre os muros da escola”, temos uma análise da realidade escolar através da reflexão sobre o filme “entre os muros da escola”. Os autores discutem como o filme traz uma reflexão importante sobre a escola, que é compreendida como uma instituição conservadora que reproduz os valores socialmente instituídos, e ignora as desigualdades culturais e sociais de estudantes e professores, garantindo a manutenção das diferenças existentes entre as classes sociais no sistema capitalista e exploração de uma classe sobre a outra.

Em “Incongruências entre a atual PNA, BNCC e Pesquisas na área de alfabetização no Brasil”, capítulo 8, as autoras discutem a proposta de alfabetização e letramento da Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018). Há uma reflexão sobre as divergências dessa política e as consequências para a educação brasileira, que implicam em um processo de padronização dos métodos de alfabetização, que ignora o caráter histórico e social da alfabetização e letramento e foca apenas nos aspectos metodológicos como saída para o analfabetismo.

O capítulo 9, “Concepções de estagiários do curso de licenciatura em química diante da pedagogia freireana”, apresenta um estudo que reflete sobre as concepções e resistências dos estagiários do curso de Licenciatura em Química em relação as propostas educacionais de Paulo Freire. Os autores discutem sobre a dificuldade dos estagiários desse curso compreenderem e colocarem em prática os ideais freireanos para educação, demonstrando, através da pesquisa, que os estudantes se mantem atrelados a uma visão de educação tradicional, chamada por Freire de educação bancária.

Também fundamentado no referencial teórico de Paulo Freire, o capítulo 10, “ A EJA no IFG: uma análise documental acerca das concepções freirianas”, traz uma investigação documental sobre a existência ou não dos pressupostos freireanos em três documentos que norteiam a Educação de Jovens e Adultos (EJA) no IFG: o Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI (2019-2023); a resolução CONSUP/ IFG N° 008, de 30 de março de 2017; e o Projeto Político de um Curso Técnico Integrado ao Ensino Médio na EJA. As autoras, discutem através dessa análise, as concepções de educação e ensino-aprendizagem dos documentos oficiais que regulamentam a EJA no IFG Ao apresentar um estudo em andamento sobre o uso da plataforma YouTube e vídeos nas práticas educativas do IFG, o capítulo 11 analisa diferentes formas de se aprender e ensinar, através do uso constante da internet entre os estudantes, revelando poucas práticas de utilização do YouTube e vídeos como recursos pedagógicos no Instituto Federal de Goiás no período de 2015 a 2020.

Nessa mesma linha de investigar o uso das tecnologias nas práticas educativas da EJA no IFG, o capítulo 12 aponta para as poucas pesquisas sobre o uso das tecnologias na EJA – EPT, o que reforça a necessidade de estudos sobre o tema. Ao tratar-se de uma abordagem qualitativa, de forma documental e pesquisa de campo, propõe a elaboração de um produto educacional na categoria Material Pedagógico Formativo abordando a temática pesquisada com possibilidade de utilização na formação a distância.

Ao analisar o avanço do ensino a distância (EaD) no Brasil, indicando os principais marcos históricos e institucionais, o capítulo 12 discute algumas implicações e consequências, bem como a ótica dos defensores e críticos. Os defensores vão apontar as vantagens de o sistema ser acessado de qualquer lugar, possuindo um caráter democratizante por baixar os custos dos cursos. Os críticos, por sua vez, apontam as limitações do sistema, sugerindo que seja uma educação destinada às classes mais baixas, bem como afirmam ser o EaD apenas mais uma estratégia dos setores empresariais para aumentar o lucro, oferecendo educação de baixo custo e também de baixa qualidade.

Voltando-se para uma pesquisa no IFG, em um de seus campus, o Goiânia Oeste, o próximo capítulo apresentado teve por finalidade abordar as concepções que os estudantes do Ensino Médio possuíam a respeito de corpo, saúde, beleza e saúde coletiva, vislumbrando analisar as relações entre saúde coletiva e beleza, identificar a concepção de corpo e saúde coletiva, a influência da mídia na relação beleza-saúde coletiva, buscando alternativas transformadoras e conscientes no âmbito da saúde coletiva.

Dessa forma, enveredando por diferentes nuances da educação, essa coletânea buscou dialogar com autores de diferentes áreas de formação, que se voltam para os dilemas e desafios de materialização de uma proposta educacional crítica, democrática e emancipatória. Para além dos desafios, os textos que compõem essa obra, também nos fornecem ideias, trajetórias e horizontes para construção de uma educação pública e de qualidade para todos.

Esperamos que este livro contribua para a problematização dessas diferentes variantes educacionais e para construção de uma nova proposta de educação e sociedade.

As organizadoras
Julho de 2020