ISBN eBook – 978-85-7993-340-0 Impresso – 978-85-7993-318-9

Autor/Organizadores: Simone Moraes Stange; Rosemari Monteiro Castilho Foggiatto Silveira; Julio Cesar Stiirmer; Carlos Roberto Massao Hayashi

Prefácio

 

 Ensinar.

 

Formar pessoas e se formar como professor. Durante tal processo, descobrir e (re)descobrir, sempre, que o conhecimento não é transmitido, mas construído junto aos alunos. Tornar-se, enfim, inspiração a eles não como fonte de um saber hermeticamente acabado, mas como sujeito aberto às especificidades do outro.

 

Torna-se coerente dizer, portanto, que o trabalho proposto neste livro não tem como objetivo instruir professores e alunos a partir de uma perspectiva estanque do saber. A proposta, pelo contrário, tem como objetivo formar cidadãos críticos, isto é, sujeitos capazes de entender o mundo como lugar de pluralidade, liberdade e responsabilidade.

 

De fato, não é o novo o argumento das pesquisas em Educação que tem se preocupado em evidenciar como ainda persistem práticas pedagógicas antiquadas, que ferem as potencialidades criativas tanto dos professores quanto dos alunos. Tal conservadorismo acaba levando a situações de ensino/aprendizagem desmotivadoras, inadequadas a um mundo que se torna sempre e aceleradamente novo.

 

Em meio a um mundo em constante transformação, que acaba exigindo de nós novas interpretações e parâmetros de ação política, a Educação não pode limitar o desenvolvimento crítico às áreas humanísticas, tais como a História, a Filosofia, as Artes e a Literatura.

 

Sendo assim, a proposta de Stange, Silveira, Stiirmer e Massao se legitima, na medida em que, a partir de uma perspectiva interdisciplinar, articula o Ensino de Química às outras áreas do saber. Apoiada na teoria de Fiorin, no que compete à Linguagem, e nos estudos de Schon, Edgar Morin e Japiassu, no que se refere à Sociedade, se evidencia que o Ensino de Química não deve deixar de considerar essas duas esferas. Se Linguagem e Sociedade são basilares na produção de qualquer conhecimento, o saber escolar químico a ser construído em sala de aula deve considerá-las.

 

Ao ter seu contexto social e linguístico considerado, o aluno tende a ficar mais engajado e autônomo durante o processo de ensino-aprendizagem. Assim, nas páginas que se seguirão não há espaço para aulas descontextualizadas, unicamente voltadas para o uso dos clássicos tubos de ensaio, fórmulas e consultas à tabela periódica. Os autores sugerem ao educador que propicie aos seus alunos trabalhos em equipe e o contato mais vertical com as discussões científicas realizadas em revistas especializadas. A autora entende, nesse sentido, que a sala de aula deve ser um lugar em que o conhecimento químico seja constantemente debatido, amplamente articulado às necessidades e/ou problemas inerentes à realidade em que aluno e professor estão inseridos.

 

O Ensino de Química, dentro da abordagem Ciência, Tecnologia e Sociedade, está muito associado à resolução de deficiências sociais como a falta de acesso tecnológico e informação. Associa-se, ainda, ao  reconhecimento do espaço, às políticas ambientais, dentre tantas outras questões. Fazer com que tais preocupações sejam discutidas em meio às experiências dos alunos é algo pedagogicamente promissor: a sala de aula, quando transformada em espaço de construção do saber, é capaz de inspirar toda uma geração a buscar sempre novas soluções a um mundo que tem se tornado cada vez mais diferente.

 

Ana Danila Dias Paschoal

 Prefeitura Municipal de Cravinhos – Ensino Fundamental – Educação Básica Graduanda em Letras – Português e Inglês – Centro Universitário Barão de Mauá – CBM

Lucas de Melo Andrade

Professor Mestre do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Paraná – IFPR Mestre em História pela Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP