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Bebês como potência de vida: corporeidade e sensorialidade na Educação Infantil

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Bebês como potência de vida: corporeidade e sensorialidade na Educação Infantil

R$35,00

Nota Introdutória

É uma imensa alegria apresentar este livro gestado dentro da escola de educação infantil na qual percebemos o exercício analítico completamente vinculado à prática pedagógica com bebês onde o cuidado educativo está presente em cada intenção, seja no olhar, na fala, no movimento, na escuta, no planejamento que pensa o chegar, o permanecer e o sair. Fazendo uso de diferentes estudiosos/as que pensam as infâncias e refletindo a prática à luz destas pesquisas, somos convidadas a adentrar na escola para conhecer o grupo de bebês, o que pensa a professora e como organiza, planeja, resolve os problemas que vão surgindo. Militantes na educação infantil, conheço ambas as autoras, Leni por ter sido professora e orientadora de Mestrado; Bárbara, por iniciar o seu ofício como professora neste espaço, no qual exerço as funções de diretora e coordenadora pedagógica.

Nunca é demais lembrar que a escola de educação infantil, como um direito social da criança, é recente. Disto resultou uma série de mudanças, dentre elas, a integração como primeira etapa da Educação Básica. Leis, resoluções, pareceres, indicativos passam a normatizar o funcionamento das instituições que atendem bebês/ crianças de 0 a 6 anos de idade. Este ordenamento jurídico não é isento de poder e dele resultam variantes de projetos pedagógicos que incidem na vida dos adultos e crianças de diferentes maneiras.

A escola de educação infantil, com sua longa jornada e com características muito próprias de atendimento, esteve por muito tempo sob a sombra do ensino fundamental. Na tentativa de desenvolver um trabalho que seja reconhecido pela comunidade e, muitas vezes, acreditando que é o melhor como proposta curricular, algumas escolas, em diferentes situações, planejam um trabalho antecipando a escolarização tanto em termos de projeto pedagógico, como realizando rituais distantes da vida das crianças. Temos um longo caminho para discutir, estudar, rever projetos e concepções que circulam nos espaços que se dedicam às infâncias. Temos falta de materiais para escolas de educação infantil e mais ainda para pensar projetos para os bebês.

Este livro vem ao encontro desta ausência. Endereçado a quem se debruça sobre a educação de bebês e de crianças pequenas poderá servir como objeto de estudo e inspiração, jamais como modelo, pois foi criado a partir de uma realidade local, singular e única. Entre o rotineiro e o inusitado, próprio da vida de uma escola infantil existem demandas que geram correrias, atropelos, caos, em que as coisas parecem sair do lugar, mas também, e na mesma medida, a tranquilidade, o silêncio contemplativo, a grandeza da alegria que vemos em cada vida recém-chegada ao mundo. A peculiaridade de um trabalho em que o cuidado com o corpo e a saúde do bebê se fundem de tal modo ao processo da formação de saberes, sendo impossível distinguir o que é cuidar e o que é educar, exige, permanentemente de quem escolheu estar na escola de educação infantil, uma conduta disponível para estudar, pesquisar, registrar, anotar, descrever, retomar, avaliar, refletir, aprender acreditando que é possível uma educação acolhedora e afetiva em que as interações e brincadeiras nutrem os encontros.

Lançando mão dos conceitos corporeidade e sensorialidade, importantes para o trabalho com bebês, as autoras vão planejando os encontros e reencontros, detalhando-os em quatorze cenas que traduzem de forma maiúscula a vida pulsante, colorida, criativa, alegre, chorosa, exclamativa, interrogativa, diversa, plural, inventiva, barulhenta, silenciosa, curiosa, musicada, melecada de um grupo de bebês andarilhos que fazem uso do corpo e das sensações por inteiro para ensinar e aprender um bocadinho sobre o mundo, mostrando que a fome não é só de comida.

Se, por um lado, as cenas mostram como a fome e a sede, expressadas pelo grupo de bebês, para que possam saber e entender a vida, ele precisa ser cuidado, nutrido, educado e seu universo de descobertas pode ser ampliado através de músicas, brincadeiras, danças, brinquedos, conversas, objetos, materiais, histórias, cirandas, colo, aconchego e trocas. Por outro, elas não deixam de reconhecer e retratar alguns dilemas vividos e resolvidos para respeitar e convergir o desejo do bebê, a organização complexa da escola com horários e uma equipe de trabalho que pensa diferente e que dispõe de pouco tempo para trocar, não perdendo de vista a indagação: o que pode um corpo na escola? Como professora pesquisadora e arquivista, lança mão de algumas imagens fotográficas que dialogam com os seus escritos, testemunhando o caminho dos bebês e dela própria, respondendo o que e como pode um corpo do bebê na escola.

Um corpo que insiste em viver num mundo carregado da soberba de, em nome da preservação da vida, dizer e controlar a partir de uma perspectiva adultocentrada que o percebe como carente de tudo. A escola, ao negligenciar ou tratar de qualquer jeito os sentimentos, desejos e vontades do bebê, deixa a sua vida mais árida. Parece difícil chegar a um lugar de equilíbrio, pois o bebê, é dependente do olhar, da atenção, do cuidado, da sensibilidade, da delicadeza, porque, como nativo recém-chegado, precisa da disposição dos adultos que conhecem e estão na vida há mais tempo o tratamento respeitoso, dando-lhe liberdade para experimentar, conhecer e ampliar os saberes. Precisa que os adultos estejam disponíveis para traduzir o que comunicam com o corpo. O trabalho apresentado neste livro mostra que é possível chegar a um equilíbrio, garantindo que a escola de educação infantil seja um local coletivo de grande afeto, alegria, regras, rotina, onde a conduta dos adultos não sufoque o corpo falante do bebê, mas amplifique a sua forma de se relacionar e comunicar, com atenção às minúcias da sua interação e das relações que estabelece.

Assim, fica o convite ao leitor ou leitora para usufruir desta importante leitura e criar em sua escola outras cenas e, assim como as aqui apresentadas, possam também registrar, anotar, fotografar, avaliar, discutir e compartilhar, para quem sabe, ampliarmos uma pedagogia da infância oriunda das professoras-pesquisadoras que estão nas escolas de educação infantil, contribuindo para que esse espaço possibilite a cada bebê viver na sua plenitude tudo o que pode o seu corpo.

                                                                                                                                                                 Magali Oliveira Frassão

 

Em estoque

Descrição

Bárbara Cecília Marques Abreu; Leni Vieira Dornelles
Bebês como potência de vida: corporeidade e sensorialidade na
Educação Infantil.

São Carlos: Pedro & João Editores, 2021. 107p. 14 x 21
ISBN: 978-65-5869-356-7 [Impresso]
1. Educação Infantil. 2. Corporeidade. 3. Sensorialidade. 4. Bebês. I. Título.
CDD – 37