0
R$0,00
Mini Cart
  • Carrinho vazio

    Nenhum produto adicionado.

Gênero e educação em tempos de escola sem partido: compreensões de educadoras em debate

Novo

Gênero e educação em tempos de escola sem partido: compreensões de educadoras em debate

R$40,00

PREFÁCIO

Em primeiro lugar, preciso registrar que é um prazer escrever o prefácio desta obra. Fui orientador de mestrado de Jean Pablo Guimarães Rossi e tive a oportunidade de acompanhar seus primeiros passos na vida acadêmica. A partir disso, destaco a importância da publicação deste livro nos dias de hoje, momento em que muitas pessoas trabalham cotidianamente para fortalecer a democracia, defender a ciência, o meio ambiente e despertar uma consciência planetária – aquela que pode nos ajudar a entender nossa identidade terrena, como diria Edgar Morin, já que habitamos juntos o planeta e dele devemos cuidar, também juntos.
Mas como o famigerado Movimento Escola Sem Partido se relaciona a tudo isso? Já de início, destaco que, embora se autodenomine apartidário, o Escola Sem Partido tem apoio de políticos e pessoas com ideologias bem definidas e trabalha para reduzir o papel docente e a importância da escola. Para entender por que o Escola Sem Partido deseja reduzir o papel docente, é necessário ter em mente que a escola é a instituição socialmente escolhida para educar crianças e jovens. O verbo educar contempla aspectos da instrução, e vai muito além dela. A família, por sua vez, também educa, mas depende da escola, que é o espaço público capaz de trabalhar com questões plurais, heterogêneas e de diversidade com as quais a família não tem oportunidade.
Na contramão disso, o Escola Sem Partido tenta opor família e escola, limitando a ação docente apenas à instrução, simplificando os conteúdos escolares e vendendo-os como conhecimentos técnicos, desprovidos de quaisquer relações com a realidade, seja ela social, econômica, ambiental… e desconectados de reflexões que possam levar a uma formação para a cidadania. Isso enfraquece a democracia e a ciência, já que passamos a acreditar na ilusão de que basta ensinar conteúdos para que sejam formados cidadãos e cidadãs conscientes de seu papel na sociedade. É esse mito que impossibilita um trabalho para o respeito à diversidade e difunde o uso impreciso de conceitos complexos como ideologia, neutralidade, doutrinação e a criação de termos equivocados como “ideologia de gênero”, que desqualificam e criminalizam a ação docente.
Vale também destacar que o tema abordado neste livro é fundamental para a formação do(a) educador(a) contemporâneo(a) e está na intersecção entre educação, gênero e feminismo. Educação, pois a escola é espaço de disputa e instituição complexa, na qual interagem elementos formativos, instrutivos, cognitivos, emocionais, psicológicos, sociológicos, históricos… É importante compreender isso, pois no centro do Movimento Escola Sem Partido está a disputa pelo controle na formação de crianças e jovens e o desejo de enfraquecer um certo projeto de educação escolar. Nessa disputa temos, de um lado, a escola que atua para formar ética e criticamente em diferentes âmbitos da personalidade
humana, e de outro lado o projeto do Escola Sem Partido, com um desejo de silenciar a diversidade, de enfraquecer a participação e a autonomia, um projeto que cerceia e censura a liberdade de cátedra docente, que institui um clima de denuncismo, perseguição, acusações e de forte controle autoritário.
Gênero, pois a lógica de inferiorização da mulher é antiga, difícil de combater e está relacionada a outras lógicas igualmente equivocadas que opõem não só masculinidade X feminilidade, mas também racional X emocional, cérebro X coração… É este tipo de reflexão que o Movimento Escola Sem Partido deseja coibir, na tentativa de renovar movimentos conservadores que começaram a perder espaço quando o trabalho com gênero e com o respeito à diversidade começou a ser valorizado e institucionalizado na escola.
Sem o equilíbrio entre cognição e afetividade, feminino e masculino, razão e emoção… são reforçados os comportamentos sexistas, machistas e os discursos de ódio que tanto prejudicam a vivência plena de nossas vidas e sexualidades, como temos visto recentemente.

Feminismo, porque o patriarcado e a formação androcêntrica que recebemos cotidianamente precisam ser alvo de constante reflexão, e a escola pode ajudar muito nisso. Infelizmente, a maioria de nós não foi ensinada a pensar para além dos aspectos biológicos. Diante disso, destaco a importância da escola na valorização e no aprendizado da importância que os elementos culturais e sociais adquirem para as vivências de nossas feminilidades e masculinidades. O que é ser mulher e o que é ser homem são perguntas que não podem ser respondidas ou pré-determinadas por caracteres biológicos, e nem mesmo são anteriores à nossa própria existência. É essa complexidade que o Escola Sem Partido
quer evitar e mascarar em uma lógica de consumo, entendendo que a docência deveria atender aos desejos das famílias e ignorando a necessidade de a escola garantir um espaço de respeito à diversidade e à pluralidade, elementos tão importantes para a formação ética em prol da justiça, respeito e equidade.
Por fim, com a publicação deste livro só tenho a desejar: vida longa às pesquisas que se dedicam ao gênero, à educação e ao feminismo!
Boa leitura! Bons estudos! E que este livro ajude a superar paradigmas e dar espaço para ideias novas a respeito da escola, do gênero e do feminismo!

Ricardo Fernandes Pátaro
Professor da Universidade Estadual do Paraná – UNESPA

Em estoque

Categoria:

Descrição

Jean Pablo Guimarães Rossi
Gênero e educação em tempos de escola sem partido: compreensões de educadoras em debate.

São Carlos: Pedro & João Editores, 2021. 243p. 16 x 23 cm.
ISBN: 978-65-5869-552-3 [Impresso]
978-65-5869-553-0 [Digital]
1. Ideologia de gênero. 2. Escola sem partido. 3. Debates. 4. Compreensões docentes. I. Título.
CDD – 370