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LIVRE MENTE: PROCESSOS COGNITIVOS E EDUCAÇÃO PARA A LINGUAGEM – Augusto Ponzio

LIVRE MENTE: PROCESSOS COGNITIVOS E EDUCAÇÃO PARA A LINGUAGEM – Augusto Ponzio

R$40,00

Augusto Ponzio !@
Livre Mente: processos cognitivos e educação para a linguagem. São Carlos: Pedro & João Editores, 2020. 377 pg.
ISBN 978-65-5869-069-6
1. Filosofia da Linguagem. 2. Educação. I. Autor. II. Título.
CDD – 410

Em estoque

SKU: PE376020 Categorias: ,

Descrição

APRESENTAÇÃO

PROCESSOS COGNITIVOS E EDUCAÇÃO PARA LINGUAGEM

De uma generosidade primeira

Em momentos diferentes, mas próximos, nós vivemos a experiência única de poder estar em Bari-Lecce por um período de estudos, para aproximarmo-nos de Augusto Ponzio e suas lições. Ir a Bari-Lecce é realizar um desejo de estudar com um grande mestre, mas o que encontramos por lá sempre excedeu tudo que se pode pensar em termos acadêmicos.

Antes de tudo, nos tornamos membros de sua família. Assim mesmo. Enquanto estivemos em Bari-Lecce nós, brasileiros balbuciantes no italiano, tivemos família, a família Ponzio. As lições na mesa da sala do professor Augusto Ponzio são inesquecíveis, as lições ao redor da mesa de trabalho no gabinete da Università di Bari, igualmente. Nela, sempre presente Susan Petrilli, e frequentemente Luciano Ponzio. Mais ainda, o privilégio de conhecer Maria Ponzio e sua pesquisa pela linguagem do feminino, na arte, na ciência, na vida, e Julia Ponzio, com sua leitura afiada de Derrida e suas lutas.

Em todas as ocasiões que pudemos viver esses encontros, uma marca especial: o amor aos livros. Além disso, o amor a distribuir os livros. Bolsas e malas cheias de livros – em italiano, claro – arcas que continham o tesouro das escrituras desse grande filósofo contemporâneo. Aprendemos italiano para ler Augusto Ponzio, tudo ao mesmo tempo, misturado, com as palavras em renovação constante.

Retornamos ao Brasil todas as vezes com muitos livros, obras inéditas no Brasil, contendo enunciados verdadeiramente transformadores. Muitos, muitos livros. Expressões da obra de Augusto Ponzio, representam verdadeiras portas através das quais conseguimos vislumbrar possibilidades outras de viver, sempre partindo da filosofia da linguagem.

Em final de 2019 estávamos nós dois em um evento – bakhtiniano, claro – e falamos desse trabalho de tradução que iniciamos há algum tempo, com alguns artigos e até mesmo uma obra inédita de Bakhtin no Brasil: O homem ao espelho: Apontamentos dos anos 1940, possibilitado pelo professor Augusto Ponzio (publicado pela Pedro & João Editores, 2019, 2ed., 2020). Combinamos de traduzir um dos tantos livros que dispúnhamos, de Augusto, naquele momento, e não houve dúvidas: o livro deveria ser este que agora apresentamos, repleto de grandes reflexões que envolvem a formação, a educação para a linguagem, bem como aportes às ciências das linguagens, com uma análise precisa das relações entre linguagens e produção político-ideológica do mundo.

No início, essa grande generosidade: livros de Augusto Ponzio foram presentes para nós, infuncionalmente distribuídos em momentos diversos (nunca compramos um deles, e temos estantes repletas). Retribuímos essa generosidade primeira distribuindo igualmente esses enunciados. Reflexões filosóficas de um estudioso que consegue recolher o sentido mais profundo nas camadas mais densas da filosofia e dos estudos semióticos, e com elas apontar de modo simples e carinhoso para problemas relativos à escola, às ciências, à formação de crianças, jovens, bem como para problemas grandes como a guerra, a produção de uma comunicação a serviço do mercado capitalista, a tentativa oficial de achatar a multiplicidade e alteridade do mundo e das linguagens, via redução do entendimento das forças da linguagem, na escola. Os enunciados de Augusto Ponzio têm essa característica: são sempre aulas, cuidadosamente pensadas para que possamos compreendê-las.

Era o começo da pandemia. Podemos dizer que as palavras de Augusto Ponzio foram para nós uma companhia amorosa nesses difíceis dias de isolamento e incerteza. Como em um exílio, estávamos distanciados do cotidiano das nossas vidas, mas essas palavras representaram uma voz presente que nos mobilizou contra o apartamento identitário, que nos dizia, com seu tom firme, polifônico e divertido: é preciso alteridade! É preciso outra perspectiva formativa para transformar o mundo. Em muitos momentos, nos sentimos em três, cada qual na sua cidade.

Ao traduzir Augusto Ponzio falando de uma educação para a linguagem, nos colocamos seus aprendizes, mais uma vez, e esperamos que muitas vezes: à escuta desse grande mestre e de seus ensinamentos. É nesse ato responsável que agora compartilhamos com o público brasileiro as mesas de lições vividas em Bari-Lecce, em uma tradução amorosa dessa escritura potente, inédita e revolucionária.

Uma educação para a linguagem

Esta presente obra de Augusto Ponzio é importante para diferentes campos da pesquisa e educação brasileiras. Parece contemplar, de modo não panorâmico, mas ao contrário, aprofundando críticas, diversas problemáticas. O que as une é o que já o título do livro revela: uma educação que possa enfrentar as questões atuais, políticas, cognitivas, éticas, estéticas precisa ser uma educação que assuma uma perspectiva a favor da linguagem, para a linguagem. Com isso o professor Ponzio quer dizer, em muitas frentes de diálogo, que é preciso compreender a dimensão educativa da cultura, institucionalizada em sua maior parte nas escolas de ensino fundamental, médio e superior – universidades – como parte central do processo de produção, continuidade e enfrentamento crítico e transformação da cultura, da sociedade, da história.

Há alguns anos nos ressentimos – dada a esterilidade das perspectivas consideradas atuais nos estudos da linguagem, da formação humana e dos processos cognitivos – dos modelos racionalistas, calcados sobre fundamentos pouco críticos da linguagem, bem como psicologizantes dos processos humanos e, no mais das vezes, reducionistas, das pesquisas contemporâneas, em processos pedagogizados, de difícil defesa. Como dizia Italo Calvino, parece que estamos em um daqueles momentos históricos em que a petrificação do real se faz perceber de modo mais agudo. Até mesmo o que se busca trazer como inovação parece “morder o rabo” ou seja, parece ou retornar a modelos dos anos 1980-1990, ou ceder lugar a teorias de um mecanicismo assustador no ensino das linguagens no contexto escolar.

Em relação às políticas públicas de avaliação e reforma dos sistemas educacionais, o mesmo: retorno a práticas já caducas e que eliminam os poucos avanços promulgados a partir de 1996, sequer totalmente implementados e longe de serem garantidos. E, no avançar dos processos políticos, vemos ondas de interferências externas e internas, como aquela dos empresários “interessados” em ditar princípios e métodos, design e currículos para os sistemas educacionais.

Parece-nos que, desde os anos 1970, a Itália viveu processos que, se não similares, em muito se aproximam dessas mazelas com as quais nos defrontamos desde meados dos anos 2000, e até antes. Sem deixar de considerar a enorme diferença entre as condições sócio-econômicas e das realidades de formação e trabalho dos dois contextos, a nós é de particular importância a análise que o professor Ponzio empreende, de dentro da filosofia da linguagem – o que é absolutamente surpreendente – das políticas públicas e seu papel protuberante nas escolhas pelos modelos que regem o ensino das linguagens em todos os níveis de ensino – incluindo as dimensões comunicativas, discursivas, práticas de leitura, práticas e princípios da escritura, e incluindo ainda práticas de alfabetização e desenvolvimento das capacidades linguístico-enunciativas.

A primeira parte do livro é toda dedicada à formação linguística, no sentido da formação na linguagem e para a linguagem, alargando todos os limites estreitos com os quais lidamos, hoje, no âmbito dos currículos escolares, dos cursos de formação, incluindo aí os referenciais de formação do professor universitário e pesquisa em linguagem. No primeiro capítulo são revisitados conceitos básicos, ligados à semiótica, à escritura e à filosofia da linguagem da qual o próprio professor Ponzio é criador e articulador, trançando as bases filosóficas da origem dos processos de linguagem na vida com os processos que estão na base, tanto da crítica, quanto das possibilidades de transformação. Chegando mais perto das práticas escolares de formação para a linguagem, o segundo capítulo tece a crítica às práticas escolares monologizadoras e abre conceitos inéditos, como “a escola como texto”, a consciência linguística para o plurilinguismo e para a pluridiscursividade. Em laços fortes com os autores de sua referência, o professor Ponzio nos fornece um quadro crítico das mudanças que muito necessitamos, nos estudos sobre a escola. Cabe a nós debruçarmo-nos sobre esse estudo, trazendo a tradução necessária ao contexto brasileiro.

O terceiro capítulo é um estudo original e impactante sobre processos de iniciação escolar para a educação linguística, e as questões contemporâneas da problemática da alfabetização escolar são contempladas e fundamentadas em uma forte teoria filosófica da linguagem, de base dialógica. Questões antigas são tecidas às atuais, incluindo análise dos currículos, em uma potente fonte de pesquisa para os estudos do ensino da linguagem na escola inicial. O quarto capítulo foca atenção na questão da leitura, trazendo pela primeira vez em português a relação fundamentada em Bakhtin, Levinas e Barthes sobre a escuta como condição sine qua non do diálogo, da compreensão, da leitura e escritura enquanto compreensão respondente. O capítulo termina com uma deliciosa aula sobre a escritura, conceito central da pesquisa filosófica de Augusto Ponzio. Diferenciando escritura e transcrição, parece-nos que estão lançadas as bases para pesquisas na área do ensino das linguagens, na escola inicial e além dela.

Antes da passagem para a segunda parte, o professor Ponzio nos presenteia com uma resenha crítica e analítica das tendências do século XX no estudo dos signos. As teorias de Peirce, Victoria Welby, Bakhtin, Saussure, Cassirer, Wittgenstein e Chomsky são apresentadas, discutidas e articuladas, formando um referencial ímpar no tratamento das questões levantadas na primeira parte, e que serão aprofundadas na segunda parte.

Consideramos que a educação para a linguagem será um importante princípio, interesse de professoras e professores, pesquisadoras e pesquisadores, em todos os níveis de ensino, em todas as esferas de atuação, interessados em mudar o mundo, transformando a forma como a escola trabalha com as linguagens do mundo.

Uma outra ciência dos processos cognitivos e da linguagem

A segunda parte deste livro se chama “A linguagem como modelagem e bases sócio-psicológicas do processo formativo”, e inicia com uma reflexão sobre o enigma de Babel. Sobre a multiplicidade de línguas que, longe de ser um castigo, permite o deslocamento, a brincadeira, o riso, enfim, tudo aquilo que uma perspectiva tradicional sobre a ciência cognitiva decide ignorar, já que deve ser contida nos limites do repetível, parametrizado. Partindo de Babel, o plurilinguismo é o que permite ao homem significar, o que lhe permite ser propriamente humano, profundamente enraizado na alteridade.

Este é o ponto de partida que possibilitará que os processos cognitivos, tão maltratados por uma ciência monológica, ganhem vida. Esse é um dos grandes lances deste livro, que nos surpreende, em seu título original, em italiano, ao fazer referência à mente. Neste livro, é impossível pensar cognição sem intercorporeidade, da mesma forma que não se pode falar em consciência sem ideologia, ou mesmo em mente sem remeter a escritura, tudo aqui está em diálogo. Mas não é somente uma ressignificação terminológica: é uma outra ética. Mesmo o humano, analisado no laboratório, apartado, que tem suas funções psicológicas compartimentalizadas, será radicalmente renovado na revolução que Augusto Ponzio assina em conjunto com tantos outros autores já citados neste prefácio, mas principalmente com o Círculo de Bakhtin, em atenção ao papel do outro na constituição até mesmo daquilo que se pode chamar de “eu”.

Neste caminho, no sexto capítulo, a reflexão sobre a linguagem tem posto especial, desde sua origem até o lugar do elemento verbal na história. Para o professor Ponzio, a linguagem já é escritura, antes da letra, antes do verbo. A escritura que permite o que há de mais específico na linguagem humana, o que a difere de quaisquer outras, a possibilidade de (re)criar mundos diversos, múltiplos, fantásticos. Assim a linguagem se afasta dos modelos mecanicistas, ou das análises que retiram a vida da palavra para tratá-la como código.

No sétimo capítulo há, logo de início, uma reflexão fundamental sobre a alteridade, permeada por um diálogo entre Peirce, Levinas e Bakhtin, que revela o caráter dialógico do pensamento, assim como a necessidade de um outro, profundamente presente já na intrínseca natureza social dos signos. A filosofia da linguagem e a semiótica se encontram, conversam entre si, o que resulta em uma semiótica da alteridade. Ainda neste capítulo há tanto a problemática da consciência e da ideologia, que envolve uma leitura atenta do livro “Freudismo”, de Volóchinov, como a do papel das funções psicológicas superiores na relação entre pensamento e linguagem, em diálogo com Vigotski. Por fim, após uma reflexão sobre identidade e memória, Augusto Ponzio termina o capítulo de maneira muito perspicaz, ao apontar para a conexão entre normalidade e patologia no campo da linguagem, subvertendo todo um campo de estudos da cognição que, centralizados no sujeito que fala, prescindem de um outro que lhe é constitutivo.

No último capítulo do livro, Augusto Ponzio nos conduz a pensar na relação entre produção e comunicação, a partir de uma análise de documentos da Comissão Europeia na década de 1990. O investimento no capital humano, em recursos, habilidades e competências individuais, bem como as relações entre inclusão e exclusão, competitividade e desemprego não são exclusividade do contexto italiano. Pelo contrário, dizem respeito a um movimento neoliberal que se aprofundou no decorrer dos anos, a tal ponto que a sociedade cognitiva naturalizou a exclusão como a priori.

É necessário, portanto, escutar atentamente essas experiências da Itália, até mesmo para refletir sobre o contexto brasileiro, em que a pobreza e a profunda desigualdade social são problemas de enfrentamento diário. O que significaria, para o Brasil, investir em aquisição de competências e habilidades cognitivas sem atacar os mecanismos estruturais historicamente constituídos para manter a desigualdade?

Ainda neste capítulo, o professor Ponzio reflete sobre a universidade e as consequências de subordinar o ensino às demandas do mercado de trabalho e retoma, ao final, de maneira contundente, com um brilhante elogio à infuncionalidade, ao valor do homem por si, não como reduzido a capital a ser explorado no mundo da comunicação-produção, mas em sua singularidade, nas relações desinteressadas, naquilo que é propriamente humano, na sua infuncionalidade.

Ao fim, inserimos um posfácio que não estava presente na edição italiana, mas que se configurou originalmente como uma fala do professor Ponzio no congresso “Memória e Esquecimento: as escrituras do tempo”, realizado em Lecce, Itália, em outubro de 2006. Articulado intensamente com as questões do livro, o artigo traz a crítica à memória enquanto serva do racionalismo e nos convida a apreciar e estudar os processos derivantes do recordar enquanto relação de envolvimento e de não indiferença, enquanto relação social intercorpórea capaz de trazer a alteridade à frente dos processos humanos.

Sobre o processo de tradução

Tratando-se de um livro escrito pelo professor Ponzio há alguns anos (o original foi de 2007 (Guerra Edizioni, Perugia, Italia), com o título A Mente: processi cognitivi e formazione linguistica, com reedição em 2016, o processo de leitura e tradução contou com alguns desafios. O primeiro foi justamente o esgotamento de alguns termos, como CD-ROM, video-cassete, etc., relacionados justamente ao desenvolvimento rápido e substitutivo das tecnologias da informação e comunicação. Na reedição de 2016 o professor Ponzio optou por não “atualizar” a discussão, ao contrário, manteve os termos para que possamos vivenciar na leitura a extrema velocidade da obsolescência da linguagem, nos meios informacionais, comunicacionais, educacionais. E assim nós também mantivemos os termos, colocando algumas notas de rodapé explicativas, quando foi o caso. O segundo desafio foi um pouco mais complexo e teve a ver com a caracterização terminológica dos sistemas de ensino, educação formal, profissional e ensino superior na Itália. Optamos por manter os termos italianos, sem adaptar para a realidade brasileira, o que seria impossível. Outrossim, adicionamos algumas notas de rodapé para facilitar o pensamento dos leitores quanto aos contextos referenciados.

Mantivemos o texto do livro original como se organizou no livro, compreendendo que se trata de um material de pesquisa a ser lido e traduzido, também este, pelos leitores, para seus contextos de problemáticas concretas, sociais e delimitadas. Adicionamos notas de tradução, para esclarecimentos, mas mantivemos as poucas notas originais.

Alguns esclarecimentos sobre opções de tradução. Sobre as citações, realizamos a tradução para o português, a partir do original italiano, de todas as referências citadas. Não empreendemos pesquisa nos títulos disponíveis em português, mas optamos pela tradução direta. Os títulos de livros e obras citadas, no corpo do texto foram traduzidos por nós para fins de compreensão do leitor, colocada a tradução entre colchetes [ ]. Todas as obras citadas e listadas ao final do livro, na seção Referências bibliográficas tiveram a forma técnica italiana adaptada para aquela brasileira, na medida do possível. É de nossa responsabilidade total essa listagem e sua adaptação, não sendo a mesma constante como tal no livro original, que obedece às normas técnicas italianas. Mantivemos os nomes dos autores, nas citações, como aparecem nas edições referenciadas. Porém, ao longo do texto, nomes de autores conhecidos pelo público brasileiro, como no caso de autores russos, cuja grafia muda, em italiano, em função da diferença no sistema de transliteração (ex. VYGOTSKIJ em italiano ou VIGOTSKI em português, BACHTIN, VOLOŠINOV, em italiano, ou BAKHTIN, VOLÓCHINOV, em português, etc.), foram mantidos na transliteração brasileira.

Tivemos como apoio na tarefa da tradução, realizada em parceria por nós dois, a revisão de três professores experientes de italiano, tradutores já consolidados, que cotejaram nossas traduções ao original em italiano: o professor Felipe Veras Andrade, a professora Vanessa Della Peruta e a professora Cecília Maculan Adum, essa última parceira de muitos outros trabalhos de tradução. As idas e vindas dos textos garantiu a nós, brasileiros falantes e estudantes do italiano, outros olhares e outros diálogos. O próprio professor Ponzio gentilmente esteve disponível durante todo o processo, esclarecendo expressões idiomáticas, jogos de palavras, aspectos das teorias trabalhadas, dentre outras gentilezas. Contamos também com o apoio de Reinaldo Lima, Miza Carvalho e Natália Abreu na revisão dos aspectos técnicos de todo o texto da tradução. A toda essa equipe nós dedicamos um especial agradecimento, o livro é obra de todos e todas nós.

Ao fim do processo, o diálogo com Augusto Ponzio sobre o título. Originalmente baseado em um jogo de palavras que parecia não funcionar em português – A Mente refere-se a expressão portuguesa “de cor” – decidimos coletivamente que era necessário restituir à palavra Mente todo o vigor e força que dela foram roubados, pelas perspectivas cognitivistas baseadas em processos mecanicistas e comportamentalistas, que reduzem a linguagem a seus aspectos glotocêntricos, funcionais à psique individual. Ao contrário, a mente, como dizia Volóchinov, “morada dos signos”, é intercorporeidade viva, ato responsável que conecta o ser humano singular enunciador à cadeia infinita dos sentidos, humanos e pré-humanos, na linguagem. Assim, em nome dessa festa de renovação, escolhemos LivreMente como título principal – essa capacidade espécie-específica do ser humano, capacidade de criar novos mundos, e não simplesmente de se adaptar aos mundos já dados. Só faltava então a capa, e é claro que teria que ser feita pelo querido Luciano Ponzio, que exclusivamente para este livro brasileiro compôs essa obra de arte. O título de sua pintura é “De cor”, que para nós significa tanto. De cor é “de coração”. Assim Luciano nos presenteia, com amor. Nossa tradução traz, ao público brasileiro, essa obra inédita em português do professor Augusto Ponzio. Fruto de seus estudos ao longo de mais de cinco décadas, é um documento a ser estudado, dialogado e continuado em muitos outros textos e pesquisas pelos leitores brasileiros.

Para nós, de coração, uma honra e um privilégio sermos uma voz brasileira desse grande filósofo.

Bari, Niterói, Bahia

Em isolamento social pela pandemia,

Marisol Barenco de Mello e Marcus Vinicius Borges Oliveira

Irmãos xamânicos e na filosofia da linguagem

2020

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