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Melkor, O Inimigo do Mundo: a constituição do vilão em O Silmarillion de J. R. R. Tolkien

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Melkor, O Inimigo do Mundo: a constituição do vilão em O Silmarillion de J. R. R. Tolkien

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1.     SOBRE OUTRO OLHAR OU
SOBRE AS PRIMEIRAS PALAVRAS

 

 

Quando você pensar que já sabe alguma coisa ou tem certeza dela, olhe-a com um olhar diferente, mesmo que isso pareça idiota ou errado, considere outros pontos de vistas e tente olhar além. Além do que é apresentado. Além do que te dizem que seja. Além até mesmo do que parece ser.

A vida ela é complexa, feita de muitos momentos e escolhas, atividades que devem ser cumpridas e que são necessárias para se viver, terminar um curso, aprender algo que não se goste, pagar contas, ir a eventos sociais que não se quer ir, ser educado com quem não lhe apetece, comer o que não gosta por precisar dos nutrientes, acordar cedo; mas ela também é feitas das coisas que valem a pena ser vividas, das paixões que nos fazem levantar todos os dias da cama de manhã cedo e viver além da existência do existir, viver na vivência, no amor e no ódio, no ato de saber que aquilo lhe traz felicidade, motivação, aquilo sim motiva e se constitui como sua vida, não só os momentos do dever.

Minha paixão é muito mais do que J. R. R. Tolkien, é a possibilidade ínfima de seu universo, são os pequenos hobbits que fazem grande travessia e cumprem o seu papel no existir, é a sabedoria de Gandalf sobre todas as coisas – inclusive a de saber que não sabe todas as coisas – são as criaturas que questionam quem têm poder e correm atrás de seus objetivos e desejos, que buscam aquilo com que sonham, que não medem esforços para serem os melhores e fazerem de suas vidas extraordinárias, mesmo que sejam chamados pelos outros de vilões.

Este trabalho foi motivado por essas paixões. Ele teve seus deveres, seus percalços, suas provações, mas, acima de tudo isso, teve suas paixões, seus desejos, a motivação de levantar todos os dias e escrever estas palavras para expressar o que faz alguém querer entender como os vilões se constituem, querer olhar de um lugar diferente, questionar aqueles que já são dados como completos, como identidades fechadas e monologizadas, ir além daquilo que é apresentado.

E essa paixão ela já começou diferente, não só por gostar e olhar aqueles que normalmente não simpatizamos e que odiamos porque devemos odiar o vilão e amar o mocinho, mas porque ela começou pela obra mais odiada, ou mais polêmica, ou a que ninguém chega ao final, O Silmarillion, que além de mim pelo menos foi amada (e odiada, às vezes também) pelo autor, J. R. R. Tolkien e pelo seu próprio filho Christopher Tolkien. Ela é densa, repetitiva, seu estilo de linguagem às vezes é truncado, característica de uma obra póstuma que tende a ser a explicação da criação de todo um universo em que se passam as obras mais célebres como a deliciosa O Hobbit e a incrível história de O Senhor dos Anéis. Mas não, não vamos estudá-las, não vamos deleita-las, vamos pelo mais difícil, vamos pelo O Silmarillion, com o vilão, Melkor, porque queremos emoção. Jogar no modo hard da vida.

Melkor era o favorito, o mais belo, o mais inteligente e o mais poderoso, que lhe foi concedido todos os poderes com o adendo do livre arbítrio. Ele era o escolhido para ser líder, perfeito para o papel e lhe era prometido e desejado um grande futuro. Mas viver a sua vida seguindo os desejos e o planejamento de outra pessoa não fazia parte daquilo que almejava. Ele queria criar por conta própria, ser mais do que esperavam que ele fosse. Ele queria ser Senhor de todo o Reino a partir de seus próprios desejos e planos, e não seguir os desejos e planos que outro queria para a sua vida, como o filho que não deseja seguir as ordens do pai e por isso é expulso e renegado da família. Ou como Lúcifer, que não seguiu as regras de Deus e tornou-se um anjo caído.

Assim, todas as suas obras eram mal vistas, suas atitudes questionadas moralmente, sua aparência, a de seus amigos e, posteriormente, a família que construiu sendo chamada de feia, monstruosa e grotesca. Suas propriedades, adquiridas ao longo da vida depois de muita labuta, sendo atacadas e tomadas e suas próprias criaturas mortas sem nenhuma piedade.

É sobre esse sujeito que contrariou ordens, seguiu os seus sonhos e objetivos na vida e por isso foi julgado e injustiçado que aqui queremos olhar e compreender. Compreender sua vida, como ela se constituiu ao longo dos trágicos acontecimentos, que levaram a sua destruição pelas mãos daqueles que um dia o amaram, desejaram grandes feitos, mas, posteriormente foram as mesmas mãos que o destruíram e mancharam o seu legado lhe acusando como o vilão, o grande inimigo do mundo.

Descrição

Rufo, Alline Duarte

Melkor, O Inimigo Do Mundo: a constituição do vilão em O Silmarillion de J. R. R. Tolkien. São Carlos: Pedro & João Editores, 2021. 160 p. (Série Na Banca; 7).

ISBN 978-65-5869-320-8 [Impresso]

           978-65-5869-321-5 [Digital]

  1. Estudos Bakhtinianos. 2. Constituição do Vilão. 3. O Silmarillion. 4. J.R.R. Tolkien. 5. Autor. I. Título.

CDD – 410