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Neuropsicologia Infantil

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Neuropsicologia Infantil

R$42,00R$60,00

Karina Kelly Borges [Org.]
Neuropsicologia infantil. São Carlos: Pedro & João Editores, 2020. 251p.
ISBN: 978-65-5869-078-8 [Digital]
1. Estudo de caso. 2. Neuropsicologia. 3. Psicologia clínica. 4. Transtorno
de aprendizagem. I. Título.
CDD – 150

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Descrição

Introdução

Foi com prazer que recebi o convite da Prof. Karina Kelly Borges para escrever o prefácio deste livro, prazer este que se transformou em enorme satisfação ao tomar ciência dos capítulos. Não poderia haver livro deste molde (fruto da 1ª. Jornada de Neuropsicologia do Oeste Paulista), mais pertinente para expor os conhecimentos que são realmente relevantes para a área da Neuropsicologia da Infância e Adolescência, neste momento. Toda a Neurociência está avançando com uma rapidez prodigiosa, e o mesmo está ocorrendo com as mudanças nos padrões de valores, regras e condutas. Em consequência, os marcos do que está sendo considerado “normal”, assim como os novos modos de aprender, vão sendo ultrapassados, com os modelos hierárquicos mais passivos se diluindo e a aprendizagem interativa seja com maquinas, professores  ou com os pares, se processando de forma mais lúdica, tomando vulto. Como ficará a aprendizagem, e o modus operandi do cérebro?  Embora esta seja uma pergunta retórica no momento atual, porque as mudanças requerem um longo tempo para ficarem definitivamente  marcadas  na estrutura cerebral, é preciso considerar que, como mostraram os estudos e pensamentos de Luria e Vygotsky,  o impacto do social na formação da mente é primordial, e tudo está mudando velozmente.  Para darmos conta de lidar com as questões pelas quais somos requisitados, é preciso dominarmos um vasto cabedal de conhecimentos, que abrange desde o que seria o “normal”,  esperado para as diferentes faixas etárias, até as diferentes apresentações de quadros, por vezes sutis,  com participação genética ou familiar, ou ainda, aqueles decorrentes da interferência de fatores exógenos patogênicos, como exposição à mercúrio,  doenças, privações, acidentes perinatais.

         Sobretudo, devemos estar cientes do tipo de ambiente ao qual as crianças foram submetidas, o quão rico ou quão esquálido, posto que a influência disto na formação de conexões é fundamental, e é algo que vai pesar no envelhecimento, pois alguns quadros na infância, especialmente  os relacionados à déficits na esfera da linguagem tem sido relacionados à quadros de demência. Qual será o papel da reabilitação, ou da habilitação no desfecho de tais problemas mais tarde?

         A questão do diagnóstico diferencial, constitui talvez o problema mais difícil na avaliação infantil, posto que exige um rol importante de conhecimentos não psicológicos e propriamente psicológicos. Diferenciar entre quadros que têm a mesma apresentação demanda saber como e em que idades se expressam, quais os precursores, quais os modificadores, e saber selecionar os instrumentos adequados para cada caso. Entretanto, não há testes que cubram todos os quadros, por vezes sendo necessário inventar uma maneira de pôr em evidência aquilo que se quer saber, tomando-se o cuidado de descrever qualitativamente o que foi feito e os achados, para futuras comparações. Saber extrair dados dos testes quantitativos e qualitativos é fundamental para o diagnóstico, algo que pode ser extremamente significativo para as tomadas de decisão sobre os rumos a serem dados no caso, para a melhor evolução possível, ou o contrário.

        Este livro inclui a abordagem de aspectos que até recentemente eram excluídos da ceara da Neuropsicologia por muitos profissionais, talvez porque não estivesse claro para eles, que a cognição não se passa no cérebro limpo de emoções, e na verdade, estas estão na base de qualquer processamento, pois dão a tônica, o nível de energia, o colorido, e de sua regulação  por mecanismos de controle que ocorrerá ou não a performance e os comportamentos em níveis adequados.

        Por fim, são abordados quadros de delicado e difícil manejo, tornado sua leitura tanto um recurso de consulta, como auxílio para a maior compreensão dos sujeitos da avaliação, bem como uma fonte de instrumentos úteis para a nossa prática.

      Enfim, será uma leitura proveitosa e agradável.

Cândida Helena Pires de Camargo

São Paulo, setembro 2020