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  • Livros onde vivem pensatempos

    R$30,00R$40,00

    Quando recebi o convite para escrever a orelha do livro do Wanderley Geraldi lembrei das palavras da personagem de Clarice Lispector em Felicidade Clandestina: “Era mais do que qualquer criança devoradora de histórias poderia querer”. Exatamente assim aceitei.

    Este é um livro sobre escritos, parece errado dizer isso, então tento me aproximar mais do que sinto, não é um livro apenas, é um convite, para atravessar os tempos de escuridão e medo que nos cercam, são histórias de histórias, que acendem o candeeiro, que adentram as fissuras, os escondidos e as ternuras dos textos. Sabidamente, tamanha sua genialidade e maestria, nosso autor, que é nosso candeeiro, aproxima e afasta o que deve aproximar e afastar, dando a nós a dimensão, por luz e sombra, que os nossos monstros e medos por vezes podem ser derrotados.

    Os textos lidos constituem uma nova obra, são organizados numa trajetória bem desenhada, desbravadora de um novo percurso, cujo autor não estende a mão aos leitores, tampouco aos autores, ao contrário até, em cada texto tem-se experiências e rupturas: um, dois, vários socos no ar, no estômago, no coração e estamos todos em meio a uma nova jornada, prontos ou não, seguimos, e se vamos para algum lugar é melhor que se saiba com quem e porque caminhamos.

    Esse convite de João Wanderley Geraldi é único e se faz para cada um que tem seu livro nas mãos; é certo que em seus textos não podemos resgatar os ouvidos ingênuos das experimentações e mediações das contações de histórias das nossas infâncias, mas, de certo modo, o ato de conduzir-nos nas narrativas remete-nos ao tempos em que ouvíamos histórias debruçados sobre afeto: não há pressa na escritura, e assim devemos proceder na leitura, a cadência vai sendo dada pelos achados que o autor aponta, e de outros tantos sugestionamentos que provoca.

    E o tempo? É leitura e pensamento. Aceito o convite, temos instrumento, e podemos inverter a ampulheta, e quantas vezes ainda se façam necessárias, pois adentrar um texto lido por Geraldi é totalmente diferente, não é ler um texto facilitado no sentido de se desobrigar de ler o original. É o contrário. Por ele se penetra no texto de forma atenta, precisa-se de mais, pois constrói um novo texto capaz de inundá-lo de sentidos, desconhecidos e escondidos pelo autor, e assim ele vai, e volta, e revolta-se em diálogo mediado entre o autor e o leitor, até que entregue para si e para quem é lido um significado vital, feito carne, numa emoção de dois parceiros.

    Brasília, outubro de 2020

    Mara Emilia Gomes Gonçalves

    Professora de Língua Portuguesa

  • O conhecimento científico da Psicologia: Diversidades Teóricas Produzidas No Centro Universitário Unigran Capital

    R$50,00R$70,00

    Apresentação

     

    A Psicologia é uma das profissões que contempla diversas teorias e abordagens, haja vista que foi reconhecida como ciência e profissão desde a década de sessenta do século XX, desde então, os profissionais buscam conscientizar: a sociedade, os acadêmicos, e profissionais das diversas áreas sobre a atuação e colaboração, a Psicologia vem atravessando fronteiras e prossegue com perspectivas relevantes para o atendimento ético e humanizado.

    É possível compreender que nenhuma das teorias que contempla o atendimento da Psicologia, deve ser meramente banalizada, mas é necessário contemplar cada uma das especificidades profissionais na como uma ferramenta pautada na competência e habilidade do profissional durante a proposta do atendimento.

    Neste contexto, independente se o atendimento é baseado na Psicanálise (inconsciente e suas interpretações); Teoria Comportamental Cognitiva (pensamento, emoção, comportamento), Behaviorismo (ciência, objetividade e observação); Fenomenologia (referente ao homem como um “ser no mundo” ou ” um ser ai”), Gestalt-terapia (na funcionalidade estrutural da mente, corpo e do emocional); Terapia sistêmica (componentes do padrão e traços de personalidade);  Abordagem centrada na pessoa (humanista: relações interpessoais, congruência, consideração, compreensão empática positiva incondicional); Sócio Histórica (baseado no desenvolvimento humano, considerando as relações sociais); Análise do comportamento (análise experimental do comportamento, análise aplicada do comporto e análise funcional do comportamento); Psicologia analítica (junguiana – equilíbrio e criatividade) entre outras.

    Na contemporaneidade é possível compreender que a Psicologia tem desempenhado a atuação profissional na clínica ampliada, e de forma geral é possível compreender que o Psicologo tem autonomia para atuar nas diversas áreas de conhecimento, como por exemplo:  na saúde pública, saúde coletiva, hospital, educação, jurídica, organizacional, trânsito, psicodinâmica do trabalho, clínica, ambiental, pesquisa entre outros. O que buscamos chamar atenção é destacar que para atuar além da formação é necessário estar habilitado.

    Como resultado podemos afirmar que é gratificante concluir um trabalho com profissionais e alunos de alto nível do Centro Universitário Unigran Capital que tem como bússola o direcionamento da qualidade no ensino teórico, prático e científico, pautado nas questões éticas, respeitando sempre as orientações profissionais fazendo valer os direitos humanos.

    Profa Dra.Adriana Rita Sordi

    Profa Dra. Débora Teixeira da Cruz

    Organizadoras

     

  • O espetáculo de si

    R$49,99

    INTRODUÇÃO

    Tal como as imagens (se é que tal separação seja possível em termos concretos na atualidade) o mundo acelerado modifica-se constantemente. Desse modo, as questões apreendidas pela tradição intelectual da Teoria Crítica da Sociedade são também um convite para visitar o novo. Ao nos aproximarmos do pensamento de Walter Benjamin, sobretudo sua teoria da linguagem, poderemos observar o contemporâneo definhar do ato narrativo enquanto prática linguística dos sujeitos. Sua extinção cria um vácuo formativo que, de certo modo, passa a ser preenchido pelas tendências da vida social moderna. Os sentidos, que dialogam com o mundo externo e através da percepção constituem o sujeito, parecem atravessados por uma força social abrangente e ininterrupta, pela qual o espetáculo institui seus valores e os (des)educa; ideia que demonstraremos estar diretamente atrelada ao conceito de semiformação em Adorno, como a tônica formativa do mundo contemporâneo, que age no sentido contrário das pretensões emancipatórias.

    Na medida em que opera sobre os sujeitos, a semiformação impele no espírito a reafirmação e reprodução incessante dos valores e verdades constituídos pela Indústria Cultural. Assim, a (des)educação não age ingenuamente para um lado arbitrário qualquer, mas, outrossim, manipula astuciosamente os sentidos para que estes se viciem e se comuniquem da forma espetacularizada. Sendo assim, nos parece plausível pensar ou questionar o conceito de espetáculo em Guy Debord como fundamento de um novo éthos linguístico.

    Buscamos compreender e demonstrar como tal conceito se transfigura para uma nova fase, que denominaremos espetáculo de si, pois, por si só, tal como exposto por Debord, o conceito de espetáculo não se caracteriza no sentido proposto. Nos interessou ainda entender a possível relação entre o conceito e as formas de manifestação de um fenômeno que se apresenta como um processo danoso às possibilidades formativas dos sujeitos. Para tal apreciação nos referenciamos em Adorno, Horkheimer e Benjamin, para definirmos as categorias que nos permitiram analisar a intersecção do pensamento de Guy Debord e Christoph Türcke.

    O pensamento de Guy Debord, sobretudo o cerne de suas ideias encontrado em sua mais influente obra A Sociedade do Espetáculo (1967), foi, em sua época, um polarizador de conceitos contestatórios e críticos frente ao antagonismo social imposto pelo capitalismo. Nesse sentido, Debord e a Internacional Situacionista, grupo de ativismo político e artístico-cultural que tinha no autor um de seus pensadores mais ativos e influentes, foram vozes a reverberar profundamente no espírito do movimento civil o qual ficou conhecido como maio de 1968 francês. Todavia, sua potência crítica fundamenta-se sobre um momento específico do capital, a quem o próprio autor denominou cronologicamente de segundo, ou seja, o momento da imagem, ou como fora expresso em suas palavras, é “a evidente degradação do ser em ter”[1] que naquele momento fluía para um estado de “busca generalizada do ter e do parecer”[2].

    O novo contexto protagonizado pelos componentes virtuais e o próprio desenvolvimento do capital suscitam uma atualização da leitura do espetáculo e sua influência social, cultural, moral e estética.

    Desse modo, ao constatarmos a feroz e veloz dinâmica que a imagem alcançou, enquanto forma predominante do espírito social, acreditamos ser necessário a compreensão de seu estágio atual para a efetividade máxima da teoria enquanto instrumento da crítica social. Nesse sentido, a obra de Christoph Türcke Sociedade Excitada (2010) nos parece um diagnóstico bastante atual e, para além disso, tem depositado seu olhar mais profundo e aguçado sobre este mesmo espírito do capital, como reconhece o próprio autor ao alinhar “a pressão de proclamar novos tipos de sociedade”[3], uma característica central de seu conceito de sociedade da sensação, com o espírito social demonstrado por Guy Debord em A Sociedade do Espetáculo, daquele a quem Türcke refere-se como “o cabeça da Internacional Situacionista”[4].

    Entre convergências e divergências, para ambos, o protagonismo da imagem na vida social é um fato incontestável; em seus desdobramentos, os pensadores atentam-se para aspectos diferentes da influência da imagem sobre a formação do sujeito, mas passam, sem dar a profundidade necessária à compreensão das consequências desse processo no modo de relação estabelecido entre os sujeitos e o mundo, sobretudo na constituição da linguagem.

    A partir de tal entrecruzamento, buscamos contribuir para a atualidade do pensamento sobre a educação, na medida em que demonstramos residir, no espetáculo de si, um modelo formativo e comunicacional que necessita ser investigado e submetido à crítica, pois:

    A lixiviação desse sensório por meio do rufar de tambor audiovisual muda consideravelmente o significado da exploração. E se esse rufar do tambor finalmente começa a revolucionar as potências das conexões neurais elementares, as quais formam a base elementar de toda cultura, então a palavra “revolução” adquire uma nuança que nunca fora previsto no vocabulário socialista. Tudo isso está incluso no preço do espetáculo e demanda tanto uma iluminação neurofisiológica, psicanalítica e teológica quanto filosófico-histórica e teorético-social. (TÜRCKE, 2010, p. 12)

    Se fizermos uma rápida visita às páginas de relacionamentos pessoais certamente iremos observar como os sujeitos, cada vez mais, compactuam da necessidade de expor sua vida, seus feitos e suas intimidades, num fórum acessível a todos. Documentar uma viagem, uma conquista ou um ato corriqueiro é mais do que parte integrante dessa necessidade de exposição; torna-se elemento essencial sem o qual o ato em si não faria sentido.

    Ainda nos sítios de relacionamento, por meio dos perfis fakes ou até mesmo em jogos online como os famosos The Sims e Second Life, notamos, sem demasiado esforço crítico, a necessidade dos sujeitos de compor uma vida paralela em que a miséria de sua vida IRL[5] seja afagada por uma vida virtual de sucesso, poder e vitórias.

    Dessa forma, reunimos elementos suficientes para que possamos demonstrar um estado novo do espetáculo como forma substituta da narrativa na medida em que se configura como patamar soberano da linguagem. Nesse sentido, carregado do velho, mas com características e peculiaridades que o diferenciam, o espetáculo requer um reolhar, que anunciamos conceitualmente como o espetáculo de si.

    Se Debord anunciava a passagem do ter em parecer, compreendemos que o parecer fora retirado das coisas e incorporado como característica fundamental do comportamento linguístico dos sujeitos, no qual a própria vida, projetada nas plataformas virtuais, compete em um jogo mercadológico de atenção, pautando-se na incessante venda da própria vida como espetáculo. Assim, no contexto hodierno, as pessoas não demonstram mais somente as coisas que têm, mas publicizam a própria vida.

    Demonstramos ainda, nesta passagem histórica, os elementos constitutivos dessa transição, sobretudo o protagonismo exercido pela propaganda que – através de sua força estética, seus imperativos discursivos e sua capacidade de sedução – introjetou um modelo expressivo específico que migra da mercadoria para a vida dos homens.

    A escolha dos termos na composição do conceito espetáculo de si, suprime intencionalmente a palavra eu, pois compõe na sua forma o conteúdo de um conceito que denuncia um processo cultural amplo e coercitivo, que impõe um comportamento padronizado, na contramão da potencialidade da linguagem como forma expressiva singular, médium de resistência e possibilidade formativa.

    Se os caminhos da desconstrução são tênues e esguios, acreditamos que uma das possibilidades mais sólidas de ruptura passa pelo conhecimento. Nesse sentido, só nos é possível traçar linhas de fuga ou, em um sentido mais negativo, (des)caminhos, apropriando-se de conceitos fundamentais elaborados majoritariamente no interior da Escola de Frankfurt. A compreensão da suposta falência do projeto moderno na Dialética do Esclarecimento (1947) e o desvelamento dos processos de produção cultural, que criam e recriam maquinarias desejantes, observado no conceito de Indústria Cultural, são exemplos categóricos disto. A teoria enquanto arcabouço, que visa compreender e explicar os fenômenos que habitam o mundo material, deve se atentar ao instante para esmiuçar o objeto enquanto categoria e, também, projetar na imagem capturada do instante o prognóstico do futuro. Atentar-se ao futuro requer a reeducação do olhar, ou seja, o reolhar, a visita constante da teoria à prática, como ação que norteia e corrige a rota do pensamento. A partir desta análise, nos parece plausível afirmar que o conceito de espetáculo cunhado por Debord vive hoje sobre outras bases; um outro instante da vida social, que traz novos sentidos e significados para a sua efetividade e para seu papel no espírito formativo de nosso tempo.

    [1] DEBORD, 1997, p. 18

    [2] Ibid, p. 18

    [3] TÜRCKE, 2010, p. 11

    [4] Ibid, p. 11

    [5] IRL é uma expressão usual entre fakes ou em jogos de simulação e é a abreviação do termo in real life, ou seja, refere-se a vida objetiva do sujeito, concretizada no mundo material, em contraposição as formas virtuais de identidade.

  • Pesquisa em educação matemática, cultura e formação docente: perspectivas contemporâneas

    R$45,00

    PREFÁCIO

    O presente livro reúne um interessante conjunto de capítulos que proporcionam um excelente panorama do pensamento atual em Educação Matemática e do trabalho correntemente realizado em grupos de pesquisa no Brasil. Nele, o leitor, poderá aperceberse da grande variedade de temas e processos de trabalho usados pelos pesquisadores que procuram encontrar novos caminhos para melhorar a Educação Matemática dos alunos e a formação dos respectivos professores.
    Diversos capítulos têm por foco a aprendizagem dos alunos – questão central da missão da Educação – considerando aspectos como o desenvolvimento do sentido de multiplicação e do pensamento algébrico nos anos iniciais. Este interesse pelas aprendizagens dos alunos, ligado ao trabalho do professor e à atividade da escola, está igualmente presente em todos os demais textos. Objeto de atenção central em diversos capítulos, são os professores e os seus processos de formação, considerando questões como a modelagem matemática, a relação professormateriais curriculares, o processo formativo vivido em grupos de estudos por professoras da Educação Infantil, a trajetória de grupos de pesquisa colaborativos e as potencialidades de espaços de trabalho inovadores como o Clube de Matemática. Como se mostra com grande evidência, os caminhos para a formação de professores podem recolher grande benefício do trabalho colaborativo envolvendo professores, futuros professores e pesquisadores e da valorização da dimensão da reflexão sobre a prática profissional.
    Outros capítulos ainda discutem temas de natureza social e educacional, com grande impacto no ensino da Matemática, como a inclusão escolar, a influência das tecnologias digitais, o alcance das comunidades de prática, o papel das atitudes em relação à Matemática e a Etnomatemática. Os estudos realizados nestes grandes temas ajudam a perspectivar todo o ensino desta disciplina, dando orientação para o trabalho a realizar na sala de aula, nas sessões de trabalho dos processos formativos e nas atividades dos grupos colaborativos. Finalmente, um capítulo apresenta a metassíntese qualitativa como uma metodologia de investigação que permite obter um sentido geral a partir de um conjunto alargado de pesquisas individuais. Esta possibilidade de congregar os resultados de pesquisas parcelares num sentido geral, ao mesmo tempo que se avalia o seu alcance, é fundamental para que se possa tirar o melhor partido das numerosas pesquisas empreendidas em Educação Matemática.
    O presente livro é fruto do trabalho de um grupo colaborativo, o MANCALA da Universidade Federal de São Carlos, e muitos dos seus capítulos são fruto do trabalho de um grupo (por vezes bastante alargado) de autores. Na verdade, a colaboração é um elemento essencial nos processos educativos e formativos, como, de resto, fica bem evidenciado em diversos capítulos.
    Uma ideia fundamental que perpassa todos os capítulos é a importância da agência do ator educativo – o aluno na sala de aula, o professor no seu contexto de trabalho, o pesquisador na sua atividade no grupo de pesquisa. A Educação Matemática, enquadrada no paradigma da pesquisa empírica fundamentada teoricamente, tem-se vindo a desenvolver nas últimas décadas de forma extraordinária, mostrando a existência de dificuldades, incompreensões, limitações no que são os objetivos de aprendizagem dos alunos e nos objetivos de formação dos professores, ao mesmo tempo que evidencia a existência de caminhos para ultrapassar estes problemas que passam pelo reforço do papel dos atores educativos, assumindo o protagonismo fundamental no seu próprio desenvolvimento, em interação com os outros atores.
    Este livro dá um testemunho muito vivo deste processo de desenvolvimento, ao mesmo tempo que sinaliza grandes tendências que irão certamente marcar muito fortemente a evolução futura. Os seus capítulos são um convite à reflexão e à indagação. Em vez de serem encarados como experiências replicar, devem ser vistos como interpelações à vivência e à prática do leitor, colocando-se sucessivamente as perguntas – em que medida a experiência dos autores se relaciona com a minha atividade quotidiana? Em que medida pode ajudar a transformar essa atividade num sentido mais consentâneo com os nossos grandes objetivos educacionais?
    Lisboa, 19 de agosto de 2021
    João Pedro da Ponte
    Instituto de Educação, Universidade de Lisboa

  • Registros: inventos da memória

    R$40,00

    Introdução

    As inscrições rupestres (a mais antiga das quais, na Indonésia, foi datada com 45.500 anos a.C.) oferecem uma enigma para o mundo contemporâneo. Podem ser resquícios de narrativas (por exemplo, é possível que a inscrição na ilha Sulawesi, na Indonésia, conte a história de uma caça); também podem ser formas de comunicação à distância, em que moradores das cavernas deixavam àqueles que não estavam presentes algum recado, alguma informação (são, por exemplo, os sentidos dados a alguns desenhos com animal e homens com instrumento de caça, que poderiam significar “saímos para caçar”, um sentido obviamente atribuído pelo presente), podem, ainda, representar as primeiras manifestações artísticas do homem (por exemplo, a escultura do ‘homem-leão’, datada de 32 mil anos a.C., encontrada na caverna de Stadel, na Alemanha).
    Qualquer que seja a hipótese de nossas explicações permanecerá sempre como hipótese. Mas algo parece estar sempre presente como gesto da espécie: grafar a ‘experiência’ de alguma forma através de imagens. Foram necessários milhares de anos para chegarmos ao que conhecemos como escrita. O historiador Yuval Noah Harari (Sapiens Uma breve história da humanidade) levanta a hipótese de que a escrita emerge entre os homens, depois da revolução agrícola e o surgimento de um sistema de trocas, como uma forma de registro ‘contábil’.

    Em defesa de sua tese, traz a tábua suméria de Uruk, o primeiro documento assinado encontrado até agora, em que alguém chamado Kushim diz ter recebido 29.086 medidas de cevada ao longo de 37 meses. O que interessa nesta hipótese é o fato de que a escrita, em suas primeiras emergências, permitiu não sobrecarregar a memória. Em certo sentido ela permitiria uma ‘memória externa’ ao corpo.

    O conjunto de textos que compõe este livro são registros para a memória. Todos os textos foram escritos antes de baixar a poeira da leitura. Formei-me leitor com uma caneta ou lápis na mão: quando eram obras tomadas emprestadas, de amigos ou de bibliotecas, tinha meu cadernos de anotações. Meus livros estão bordados de traços, sublinhados, anotações à margem. Aqueles de estudos estão coloridos porque a cada leitura usava outra cor. São exemplares imprestáveis.
    Que razões me levam a compartilhar estes registros? Como não são resenhas, não trazem análises criteriosas, não resultam de pesquisas, sua serventia para outros, esta a minha ambição, é que minhas leituras levem outros aos mesmos livros (ou a outros livros). Grande amiga minha, Cristina Campos, me diz: “ler você é muito caro!”. Não entendi… mas ela explicou – leio suas anotações e fico com vontade de ler vários destes livros. Foi o melhor retorno que recebi a respeito destes livros que venho publicando anualmente, desde 2017. Para que ela não ‘gastasse’, começamos a trocar livros. Eu lhe empresto aqueles cujas leituras foram registradas por mim lhe interessaram. E ela me indica outros livros, que leio e registro para minha memória, sabendo que as compartilharei.
    Que a sorte deste novo livro seja inspirar outras leituras, outros leitores.

    Barequeçaba, setembro de 2021
    João Wanderley Geraldi

  • A (re)descoberta do ensino

    R$40,00

    AGRADECIMENTOS

    Este livro é a quarta monografia do que descrevi anteriormente como uma trilogia, que consiste em Beyond Learning (2006), Good Education in an Age of Measurement (2010), e The Beautiful Risk of Education (2014). Assim como houve certo risco em se referir a esse conjunto de livros como uma trilogia – dando uma ideia de conclusão – também há o risco, e um pouco de ironia, ao acrescentar um quarto título à coleção. A questão principal aqui é se eu tenho algo novo a dizer, além do que já disse em meus escritos até agora. Este julgamento, naturalmente, fica inteiramente por conta do leitor. A única coisa que posso dizer em minha defesa é que senti que a minha crítica da linguagem de aprendizagem (Beyond Learning), do impacto da indústria global na mensuração na educação (Good Education in an Age of Measurement), e do desejo de tornar a educação totalmente livre de riscos (The Beautiful Risk of Education) precisava ser complementada por um relato robusto e explícito sobre a importância do ensino e do professor.

    Há razões intelectuais significativas para isso, que esboço nos capítulos que se seguem, tal como há razões educacionais importantes para isso, que também discuto extensivamente. Mas em torno disto, há importantes razões políticas para defender o ensino e o professor. Isto é ocorre particularmente dado o desenvolvimento na política educacional contemporânea que parece ter perdido o interesse nos professores e no seu ensino. Esta afirmação pode soar descomunal à luz dos muitos documentos políticos que continuam a repetir que o professor é o fator mais influente no processo educativo. No entanto, o que considero problemático nesta afirmação, e num certo sentido até censurável, é a redução do professor ao estatuto de fator, ou seja, uma variável que aparece na análise de dados sobre a produção educacional do pequeno conjunto de resultados de aprendizagem mensuráveis que aparentemente “contam”. Na minha opinião, isto não é uma questão de importância do ensino e dos professores, mas equivale mais a um insulto – algo que muitos professores, que hoje em dia estão sujeitos a uma forma de pensar que torna o seu salário, a sua carreira e o seu sustento dependentes do quanto foram capazes de desempenhar como esse “fator”, provavelmente atestarão (ver Carusi, no prelo).

    Durante algum tempo trabalhei com a ideia de dar a este livro o subtítulo de “argumentos progressistas para uma ideia conservadora”. A razão para isto tem a ver com o fato de que a defesa do ensino e do professor não só precisa ser feita em resposta à redução do professor a um fator, mas também em resposta às tendências para a “aprendizagem” (Biesta 2010a) da educação; tendências que veem o professor como um facilitador da aprendizagem e não como alguém que traz algo à situação educacional e que tem algo para oferecer aos alunos, mesmo que seja apenas uma pergunta rápida ou um breve momento de hesitação (Biesta 2012a). Para aqueles que veem mudança na aprendizagem predominantemente como um afastamento do ensino-como-controle, qualquer argumento a favor do ensino e do professor provavelmente somente poderá ser visto como um movimento conservador. Muito do que vou tentar apresentar nos capítulos que se seguem visa argumentar que ensinar não é necessariamente conservador e não é necessariamente uma limitação da liberdade da criança ou do aluno, assim como a “liberdade de aprender” (Rogers 1969) não é automática ou necessariamente libertadora e progressista.

    Ao longo dos anos tenho sido animado pelas respostas positivas ao meu trabalho, particularmente por parte daqueles que acham que as questões que levanto e a linguagem que utilizo para discutí-las ajudam a articular de uma forma mais precisa o que importa nos seus próprios desafios educacionais. Embora não possa negar que o meu trabalho é, em grande parte, de natureza teórica, não creio que isso signifique que não tenha significado para a prática educacional. Isto não é apenas porque estou convencido de que a linguagem é realmente importante para a educação, mas também porque acredito que a melhor maneira de se contrapor às tentativas de simplificar e controlar o trabalho do professor é tornar a prática e o próprio exercício educação mais reflexivo. Isto exige que continuemos a tentar pensar de forma diferente sobre a educação, para ver como este pensamento pode fazer a diferença na prática diária da educação. As ideias oferecidas neste livro não são, portanto, apenas ideias sobre as quais pensar – e, portanto, para concordar ou discordar – mas talvez, antes de tudo, são ideias com as quais pensar.

    Embora eu seja o único responsável pelo conteúdo deste livro, as ideias apresentadas são o fruto de muitas interações, conversas, discussões, momentos de insight, coisas que me foram ensinadas e ensinamentos que recebi. O Capítulo 1 tem a sua origem no trabalho que venho fazendo há um número significativo de anos com colegas do NLA University College em Bergen, Noruega. Seu foco no “pedagógico” e sua preocupação com as dimensões existenciais da educação e da vida continuam a oferecer um ambiente nutritivo para explorar o que realmente importa na educação. Gostaria de agradecer particularmente a Paul Otto Brunstad, Solveig Reindal e Hemer Saeverot pelo seu trabalho na colecção editada, onde surgiu uma primeira versão das ideias apresentadas no capítulo 1. E gostaria de agradecer a Tone Saevi pelo seu generoso trabalho na tradução das minhas ideias para o norueguês. Uma versão anterior do capítulo 2 foi escrita para marcar o fim do meu mandato como editor-chefe de Estudos em Filosofia e Educação. Eu tive o prazer de servir a comunidade internacional de filosofia da educação nesta função, embora tenha sido um trabalho árduo. A revista está agora nas mãos competentes de Barbara Thayer-Bacon. Gostaria também de expressar meus agradecimentos aos alunos que participaram do curso que discuto no capítulo 2. Sou grato pelo que eles me deram e agradeço o que nos foi dado.

    Uma versão anterior do capítulo 3 foi escrita em resposta a um convite de Guoping Zhao. Eu gostaria de agradecer a oportunidade e as perguntas perspicazes que ela continua fazendo sobre o meu trabalho. Gostaria também de agradecer a Vanessa de Oliveira e Wouter Pols pelas muitas conversas que moldaram o meu pensamento sobre os tópicos deste capítulo. Alex Guilherme me deu a oportunidade de desenvolver minhas ideias sobre o papel do professor na educação emancipatória, sobre o qual escrevo no capítulo 4. Minhas ideias sobre este tema também foram muito beneficiadas pelo trabalho que fiz com Barbara Stengel para o Manual de Pesquisa sobre o Ensino da AERA. O capítulo 5 tem suas raízes na minha longa colaboração com Carl-Anders Safstrom, particularmente o trabalho que fizemos no Manifesto para a Educação, (Biesta & Safstrom 2011). Sou grato pelos muitos conflitos generativos que tivemos ao longo dos anos. Eles envolvem questões sérias, mas também são sempre muito divertidos. Gostaria também de agradecer a Herner Saeverot e Glenn-Egil Torgersen por me apresentarem o tema do imprevisto na educação. O trabalho de Joop Berding sobre Janusz Korczack continua a ser uma importante fonte de inspiração.

    Eu vejo o trabalho acadêmico como trabalho, e, embora seja um trabalho privilegiado, não é tudo o que existe na vida. Agradeço à minha esposa por me lembrar disso, e por tudo o que ela me ensinou sobre educação. Gostaria de agradecer à Universidade Brunei de Londres por me oferecer um emprego num momento difícil da minha vida e carreira, e aos colegas do Departamento de Educação por me fazerem sentir em casa. A trilogia original foi publicada pela Paradigm Publishers, EUA, e eu continuo muito grato a Dean Birkenkamp pelo encorajamento e apoio ao longo dos anos. Gostaria também de agradecer a Catherine Bernard da Routledge pela sua confiança no projeto atual, e pela sua paciência.

    Talvez duas “advertências”. Primeiro, este não é um livro perfeito. Não só porque penso que a perfeição é uma ambição perigosa, mas também porque a forma como procuro o sentido progressivo do ensino continua a ser essa: uma busca que ainda está em curso. Espero, no entanto, que onde e como estou procurando traga uma contribuição útil para a discussão. Em segundo lugar, estou consciente de que em alguns pontos o que deve ser seguido é altamente teórico e filosófico. Encorajo o leitor a insistir nessas passagens, mesmo que elas não revelem imediatamente o seu significado, pois são camadas importantes do que procuro explorar também neste livro.

    Finalmente: embora eu não pretenda acrescentar um quinto título à trilogia, é claro que nunca se pode ter certeza sobre o que o futuro trará. No entanto, na minha opinião, um quarteto também não é uma má conquista.

    Gert J. J. Biesta

    Edimburgo, Dezembro de 2016

  • A CONSTRUÇÃO DA ENUNCIAÇÃO E OUTROS ENSAIOS [VOLOCHÍNOV] – Valentin Nikolaevich Volochínov

    R$45,00

    Valentin Nikolaevich Volochínov !@
    Ano de Publicação 2013
    Páginas 273
    Tamanho 16 x 23
    ISBN 978-85-7993-169-7

  • A AULA COMO ACONTECIMENTO – João Wanderley Geraldi

    R$38,00R$50,00

    João Wanderley Geraldi !@
    Ano de Publicação 2015
    Páginas 208
    Tamanho 16 x 23
    ISBN 978-85-7993-021-8

  • A ANÁLISE DO DISCURSO E SUAS INTERFACES – Leda Verdiani Tfouni, Dionéia Motta Monte-Serrat, Paula Chiaretti (Orgs.)

    R$30,00R$60,00

    Autor Leda Verdiani Tfouni, Dionéia Motta Monte-Serrat, Paula Chiaretti (Orgs.) !@
    Ano de Publicação 2011
    Páginas 400
    Tamanho 16 x 23
    ISBN 978-85-7993-072-0

  • A EDUCAÇÃO NA VIDA E A VIDA NA EDUCAÇÃO: UMA ABORDAGEM HISTÓRICO-CULTURAL – Patrícia L. M. Pederiva (Organizadora)

    R$30,00

    Patrícia L. M. Pederiva (Organizadora) !@
    A educação na vida e a vida na educação: uma abordagem histórico-cultural. São Carlos: Pedro & João Editores, 2019. 197p.
    ISBN 978-85-7993-681-4
    Educação; Vida; Vigotski; Teoria Histórico-Cultural; Diversidade.
    CDD – 370

  • A ELEGÂNCIA DOS QUERO-QUEROS: POLÍTICA & COTIDIANO – João Wanderley Geraldi

    R$30,00

    João Wanderley Geraldi !@
    A elegância dos quero-queros: política & cotidiano. São Carlos: Pedro & João Editores, 2019. 111p.
    ISBN: 978-85-7993-741-5
    1. Estudos da vida. 2. Textos políticos. 3. Signos da construção de um país. 4. Autor. I. Título.
    CDD – 410

  • A GUERREIRA CURIE – Welington Francisco

    R$30,00

    Welington Francisco !@
    20 x 20
    A Guerreira Curie. São Carlos: Pedro & João Editores, 2020. 32p.
    ISBN: 978-65-86101-77-5
    CDD – 028-5