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Debates da Quarentena: elementos para reflexões no Serviço Social

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Introdução

 

O mundo foi surpreendido com uma pandemia que ainda não permite mensurar seus rebatimentos econômicos e sociais futuros, sendo este o maior desafio desde a 2ª Guerra Mundial. A Covid-19 foi reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma doença infecciosa causada pelo recém-descoberto novo coronavírus, que teve seu primeiro registro, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em dezembro de 2019, em Wuhan, na China. Poucos meses depois, no dia 11 de março de 2020, a OMS declarou se tratar de uma pandemia. Já no Brasil, em 20 de março de 2020, foi publicado o Decreto nº. 6 de 2020, que reconhece a ocorrência do estado de calamidade pública, ensejando esforços no sentido de inibir a propagação do vírus.

OÉ certo que o ano de 2020 entrará para a história, com mais de quarenta milhões de infectados e mais de um milhão de mortes registradas até a segunda quinzena de outubro de 2020, no mundo. No Brasil, onde o primeiro caso de Covid-19 foi confirmado pelo Ministério da Saúde (MS) em 26 de fevereiro de 2020, segundo o Consórcio de Veículos de Imprensa, os números apontam para 351.469 óbitos e 13.443.684 diagnósticos de Covid-19 (abril/2021).

A pandemia de Covid-19 tem repercutido não apenas na área da saúde, mas também nos impactos sociais, econômicos, políticos, culturais e históricos, sem precedentes na história recente das epidemias.

Diante do cenário pandêmico, inicia-se, no Brasil, um processo de suspensão de aulas presenciais tanto na Educação Básica, quanto no Ensino Superior. O Governo do Estado do Paraná promulga o Decreto Estadual n.º 4.258/2020, em 17/03/2020, determinando a suspensão das aulas presenciais a partir de 20 de março de 2020.

Neste contexto de suspensão de atividades docentes e discentes presenciais, a Reitoria da Universidade Estadual de Maringá, por meio da Portaria 112/2020 GRE (Gabinete da Reitoria, suspende, a partir de 19 de março de 2020, por prazo indeterminado, as atividades administrativas e acadêmicas. O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEP) da Universidade Estadual de Maringá promulga a Resolução 004/2020, em 07/05/2020, que, além de suspender, excepcionalmente, as atividades educacionais presenciais, propõe/estimula (enquanto essa resolução estiver em vigor) a realização de projetos de curso de extensão para a comunidade discente interna e externa, e comunidade em geral.

Dentro desse quadro, o curso de Serviço Social da Universidade Estadual de Maringá (UEM) começa a discutir a possibilidade de realização de lives, via plataforma StreamYeard, com transmissão pelo Facebook do curso. Havia, naquele momento, uma grande preocupação por parte dos professores do curso de que a universidade cumprisse sua função social e colaborasse no enfrentamento e na reflexão do que o país vivenciava por conta da pandemia. Diante disso, a ideia apresentada visava manter o vínculo com os alunos e realizar uma maior aproximação com a comunidade externa, considerando as medidas de distanciamento social. Ao mesmo tempo, objetivavam-se abordar diferentes temas afetos ao Serviço Social e que, de uma forma ou de outra, são impactados pelo contexto de pandemia, exigindo reflexão e problematização. Assim, no dia 05 de maio de 2020, tem-se início o projeto “Ciclo de Lives do Serviço Social”. Essa estratégia pedagógica, composta de brilhantes exposições realizadas pelos/as convidados/as, no decorrer de nove lives, e com número surpreendente de inscritos/as, que alcançou, aproximadamente, cinquenta municípios de, pelo menos, seis estados do Brasil, fez que as organizadoras convidassem os palestrantes a registrarem suas falas no formato de livro, dos quais sete aceitaram.

É importante frisar que os capítulos que aqui serão apresentados são frutos desse “Ciclo de Lives”, promovido por uma universidade pública, defensora do tripé ensino-pesquisa-extensão, e que, junto com as demais universidades do país, enfrenta um Governo Federal negacionista, anticiência e que promove o desmonte do ensino superior no país ao aprofundar o desfinanciamento, com constantes ameaças à autonomia universitária. Dessa forma, essa ação é mais uma prova de que a universidade não parou durante a pandemia. Muito pelo contrário: um vasto conhecimento foi produzido, disponibilizado pela universidade e utilizado pela sociedade no enfrentamento da pandemia.

Espera-se que este livro seja fonte de conhecimento para discentes da UEM e de outras instituições que ofertam o curso de Serviço Social, e a sociedade em geral, com destaque para os trabalhadores que estão na linha de frente da pandemia. Os temas contemporâneos aqui refletidos representam a diversidade que perpassa o Serviço Social em sua perspectiva de totalidade e de análise crítica da realidade. Nesse sentido, todos os autores participantes deste livro, assistentes sociais ou não, têm, em seu horizonte, a defesa da democracia, das políticas públicas, com foco nos direitos sociais e humanos. Em tempos tão sombrios, de ameaça de retorno de um governo ditatorial, a postura adotada pelos autores representa luta e resistência.

O livro está organizado em três partes, as quais abordam questões indicativas sobre o enfrentamento da pandemia por parte do Estado brasileiro; discussões inerentes às políticas sociais; e, por último, o trabalho do/a assistente social nas políticas sociais. Os artigos apresentam número de páginas que se alteram a depender do autor, na medida em que um padrão foi estabelecido inicialmente, mas respeitou-se a produção original disponibilizada por cada participante.

Apresenta-se o prefácio, seguido da introdução e mais sete capítulos, que nos suscitam questionamentos e ponderações ao sistema econômico, político e social vigente, especialmente, em um contexto pandêmico. Assim, tem-se aqui, por diversas razões, estudos e reflexões imprescindíveis para o aprofundamento de conhecimentos sobre políticas públicas, trabalho do/a assistente social e questões intergeracionais e sociais que envolvem as relações sociais.

Boa leitura a todos/as!

As organizadoras

Claudiana Tavares da Silva Sgorlon

Vanessa Rombola Machado

 

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