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Cartas na ventania

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Um bilhete

 

Nathercia, olá!

 

O desejo fincado de dizer a palavra própria parece que está aumentando. É a vitória sobre o medo de dizer a palavra. Esse medo revela o medo de ser humano. Temos que vencer o medo. Como dizia Paulo Freire, temos medo da liberdade. Como pode a gente ter medo de ser livre, medo de não ser oprimido… Como pode um humano não querer ser livre! Que força estranha e medonha é essa que arranca de dentro de um humano esse desejo de ser humano, de ser livre, de não ser oprimido, de poder dizer sua palavra, de viver sua vida na relação livre com outras vidas! Que força medonha é essa!!!

Dizer a palavra! É assim que vejo esse trabalho presente nesse livro de responder e trocar palavras no grande tempo… recebeu uma palavra lá atrás, na lonjura… e essas palavras duram, ficam vivas ou vivem sua ressurreição… e a circulação renovadora põe ainda as vozes que estão nela pra produzir sentido no hoje… é o grande tempo vivo… é o encontro com a ancestralidade… e encontro com o futuro, onde no hoje as memórias do futuro fertilizam as memórias do passado! Vale a pena! Vale a pena sacudir o pó do tempo e fazer novamente a palavra circular…

Palavras valem. Elas são portadoras dos valores que fazemos penetrar nelas, como nosso projeto de dizer, de nossa luta de ser, ser mais nas palavras de Paulo Freire… palavras levam ao outro nosso jeito de viver, de ver o mundo, de tomar postura diante dos eventos…

Palavra não deve ter dono, não tem proprietários, não pode ter um sentido único. Quando ela penetra tua alma, ela já vem com outras vozes dentro dela, e ela se transforma em uma palavra tua, mas não pra te adonares dela, mas pra que ela seja tua arma de luta. E uma luta por todos que já habitam nessa palavra… com essa palavra poderosa vais ao encontro de outras palavras… pensando assim, logo vemos que a palavra nasceu pra ser livre. Não brigo pela liberdade da imprensa, mas pela liberdade da palavra. Normalmente quem briga pela liberdade da imprensa quer aprisionar a palavra; quer fazer ela circular com sentidos únicos, controlados, dominados. Sentidos dominados por quem já domina a sociedade. Nossa briga tem que ser pela liberdade da palavra, pelos sentidos vários das palavras. Ela é livre… ela anda, circula, vai de um em um, se encharca de vida, engravida… palavra é ligeira, busca o encontro com outra palavra, é pra ser usada, enunciada, cantada, sussurrada, escrita, falada, copiada, plagiada… palavra é livre… palavra não tem dono…

Então… vamos dizer nossa palavra… assim ela vira logo palavra de outro, mais larga, mais profunda, com mais camadas de vozes… libertárias…

Viva Paulo Freire!!! Viva a palavra!!!

 

Miotello

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