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Pesquisa em educação matemática, cultura e formação docente: perspectivas contemporâneas

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PREFÁCIO

O presente livro reúne um interessante conjunto de capítulos que proporcionam um excelente panorama do pensamento atual em Educação Matemática e do trabalho correntemente realizado em grupos de pesquisa no Brasil. Nele, o leitor, poderá aperceberse da grande variedade de temas e processos de trabalho usados pelos pesquisadores que procuram encontrar novos caminhos para melhorar a Educação Matemática dos alunos e a formação dos respectivos professores.
Diversos capítulos têm por foco a aprendizagem dos alunos – questão central da missão da Educação – considerando aspectos como o desenvolvimento do sentido de multiplicação e do pensamento algébrico nos anos iniciais. Este interesse pelas aprendizagens dos alunos, ligado ao trabalho do professor e à atividade da escola, está igualmente presente em todos os demais textos. Objeto de atenção central em diversos capítulos, são os professores e os seus processos de formação, considerando questões como a modelagem matemática, a relação professormateriais curriculares, o processo formativo vivido em grupos de estudos por professoras da Educação Infantil, a trajetória de grupos de pesquisa colaborativos e as potencialidades de espaços de trabalho inovadores como o Clube de Matemática. Como se mostra com grande evidência, os caminhos para a formação de professores podem recolher grande benefício do trabalho colaborativo envolvendo professores, futuros professores e pesquisadores e da valorização da dimensão da reflexão sobre a prática profissional.
Outros capítulos ainda discutem temas de natureza social e educacional, com grande impacto no ensino da Matemática, como a inclusão escolar, a influência das tecnologias digitais, o alcance das comunidades de prática, o papel das atitudes em relação à Matemática e a Etnomatemática. Os estudos realizados nestes grandes temas ajudam a perspectivar todo o ensino desta disciplina, dando orientação para o trabalho a realizar na sala de aula, nas sessões de trabalho dos processos formativos e nas atividades dos grupos colaborativos. Finalmente, um capítulo apresenta a metassíntese qualitativa como uma metodologia de investigação que permite obter um sentido geral a partir de um conjunto alargado de pesquisas individuais. Esta possibilidade de congregar os resultados de pesquisas parcelares num sentido geral, ao mesmo tempo que se avalia o seu alcance, é fundamental para que se possa tirar o melhor partido das numerosas pesquisas empreendidas em Educação Matemática.
O presente livro é fruto do trabalho de um grupo colaborativo, o MANCALA da Universidade Federal de São Carlos, e muitos dos seus capítulos são fruto do trabalho de um grupo (por vezes bastante alargado) de autores. Na verdade, a colaboração é um elemento essencial nos processos educativos e formativos, como, de resto, fica bem evidenciado em diversos capítulos.
Uma ideia fundamental que perpassa todos os capítulos é a importância da agência do ator educativo – o aluno na sala de aula, o professor no seu contexto de trabalho, o pesquisador na sua atividade no grupo de pesquisa. A Educação Matemática, enquadrada no paradigma da pesquisa empírica fundamentada teoricamente, tem-se vindo a desenvolver nas últimas décadas de forma extraordinária, mostrando a existência de dificuldades, incompreensões, limitações no que são os objetivos de aprendizagem dos alunos e nos objetivos de formação dos professores, ao mesmo tempo que evidencia a existência de caminhos para ultrapassar estes problemas que passam pelo reforço do papel dos atores educativos, assumindo o protagonismo fundamental no seu próprio desenvolvimento, em interação com os outros atores.
Este livro dá um testemunho muito vivo deste processo de desenvolvimento, ao mesmo tempo que sinaliza grandes tendências que irão certamente marcar muito fortemente a evolução futura. Os seus capítulos são um convite à reflexão e à indagação. Em vez de serem encarados como experiências replicar, devem ser vistos como interpelações à vivência e à prática do leitor, colocando-se sucessivamente as perguntas – em que medida a experiência dos autores se relaciona com a minha atividade quotidiana? Em que medida pode ajudar a transformar essa atividade num sentido mais consentâneo com os nossos grandes objetivos educacionais?
Lisboa, 19 de agosto de 2021
João Pedro da Ponte
Instituto de Educação, Universidade de Lisboa

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