Descrição
Esta obra convida o leitor a compreender a cozinha das mulheres ciganas como um território de resistência e afirmação identitária. Situado no campo do Desenvolvimento Regional e da Cultura, o livro investiga como as práticas alimentares na comunidade Calon, em Caldas Novas (GO), constituem territorialidades específicas que demarcam fronteiras simbólicas e espaciais frente à sociedade envolvente. A cozinha é apresentada não apenas como espaço de reprodução da vida, mas como locus de produção de sentidos onde a memória e o pertencimento são constantemente negociados e reafirmados no território.
Os autores articulam categorias de Gênero e Espaço para demonstrar que as práticas culinárias operam como dispositivos de manutenção das fronteiras étnicas entre o “nós” e os “outros”. Ao analisar os conceitos de pureza e perigo sob uma ótica socioespacial, o texto revela como normas estritas regem o ato de cozinhar, protegendo a coesão do grupo e a integridade espiritual da família. A obra expõe as tensões do patriarcado e a agência feminina, evidenciando que, ao manipular ingredientes e memórias, estas mulheres exercem um poder estruturante, transformando a mesa em ato político contra a invisibilidade histórica e a assimilação cultural.
Inserido nas discussões sobre Planejamento Urbano e Regional e Demografia (PLURD), este livro nasce da escuta ativa das narrativas de mulheres ciganas no contexto da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A obra valida os saberes tradicionais como epistemologias legítimas e recursos endógenos fundamentais para o desenvolvimento local e a compreensão da diversidade socioespacial brasileira. Inspirando-se na pedagogia freireana, os autores exploram como a transmissão oral e a etiqueta à mesa funcionam como dispositivos pedagógicos de manutenção da hierarquia social e da memória coletiva no território vivido.
A análise transita com fluidez entre a materialidade dos ingredientes regionais e as subjetividades de quem os prepara, desvelando uma “ética do cuidado” que sustenta a comunidade em seus processos de territorialização e resistência. A Simbologia da Comida entre Mulheres Ciganas é uma contribuição indispensável para pesquisadores do Desenvolvimento Regional, historiadores e cientistas sociais. Trata-se de um registro potente que reposiciona a culinária cigana como patrimônio imaterial vivo, demonstrando que a resistência de um povo se constrói na articulação dinâmica entre tradição, território e a reinvenção diária da existência.
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