Descrição

Nos últimos anos, presenciamos o esforço da área de Educação Infantil para constituir um currículo narrativo como articulador de saberes e fazeres das crianças e seus modos de ser e viver em suas culturas. Tal esforço se justifica em um contexto no qual as crianças brasileiras compartilham outros espaços coletivos, cada vez mais cedo.

Afinal, quais narrativas têm possibilitado esse espelhamento da experiência de si e de outros em um contexto onde a individualidade é um desafio? Aliás, qual o lugar das crianças e seus desejos, bem como da autoria docente em um contexto coletivo no qual tempos e espaços são institucionalizados e se espera resultados, produtos, cumprimento de horas e tarefas previsíveis e, muitas vezes, automatizadas? Como apoiar a construção da subjetividade nesse contexto em que tudo concorre para a massificação dos processos e onde tudo parece apelar para uma pedagogia sem nome, sem autoria e para uma padronização previsível e controlada dos fazeres das crianças e seus/suas professores/as?

Uma das razões para registrar e construir uma narrativa daquilo que bebês e outras crianças fazem, dizem e vivem na escola tem a ver com a possibilidade de estabelecer uma práxis de comunicação das experiências e do que eles e elas produzem como culturas das infâncias. Este ato pedagógico é, ao mesmo tempo, político em um contexto em que as relações cotidianas estão, cada vez mais, baseadas em um modelo consumista e utilitário de comunicação.

Por essa razão, narrar o cotidiano vivido por bebês, crianças e adultos na Educação Infantil é um exercício desobediente e teimoso. A narrativa do cotidiano da Educação Infantil pode fortalecer e instituir abordagens pedagógicas comunitárias, contra hegemônicas, territorializadas, emancipatórias e dialógicas com as culturas da infância, como propostas neste livro. Ou seja, uma pedagogia com o jeito com o qual as crianças fazem, imaginam, expressam e significam as coisas.

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