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Formas de esquecer: o estatuto da memória em contos de Bernardo Kucinski

Nelson Martinelli Filho

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Descrição

APRESENTAÇÃO

O texto que aqui se apresenta é resultado de pesquisa de pós-doutorado realizada no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Espírito Santo entre 2019 e 2021, atravessado pelo estado de calamidade pública que assolou o Brasil e o mundo durante a pandemia de COVID-19. Em meio a isso, discursos conservadores, negacionistas e fomentadores de violência e exclusão contra minorias se alastraram pelos mais diversos espaços sociais, colocando em risco a saúde e a segurança de indivíduos diariamente. As bases desses discursos, fundadas na perpetuação de estruturas arcaicas do patriarcalismo e da escravidão, operam em prol da negação de evidências históricas e científicas para sustentar o velho mecanismo de condenação de oponentes – no caso brasileiro, em específico, novamente agrupados sob um imenso termo guarda-chuva denominado comunismo.

A escrita deste trabalho, portanto, se realizou permeada pela convivência diária com variadas modalidades de manipulação e de impedimentos discursivos em nome de disputas ideológicas pelo poder, deixando à vista nua as engrenagens que movimentam a circulação de informações falsas pelos meios digitais. Como será discutido nas próximas páginas, variados são os embates entre o que deve ser lembrado e o que deve ser esquecido, e a maquinaria industrial das já famigeradas fake news alcançou grande 10 adesão para a interferência nos processos de registro e de permanência da memória individual e da memória coletiva, colocando novamente em xeque a compreensão sobre o passado recente do Brasil, em especial no que diz respeito ao autoritarismo do Estado e a sua relação com as Forças Armadas.

O contato frequente com histórias reais e construções ficcionais de vítimas de violência durante e após a ditadura militar brasileira nesse contexto de guinada autoritária nos órgãos governamentais evidenciou a urgência do debate contínuo sobre as políticas da memória e das memórias políticas no país. Que este livro contribua para os necessários processos de recolho dos rejeitos da história oficial, resultados das intrincadas redes de manipulação e de impedimentos da memória, ao mesmo tempo em que nos lembre do igualmente necessário ato de esquecer.

Nelson Marinelli Filho

Informação adicional

Ano de lançamento

2022

Autoria

Nelson Martinelli Filho

ISBN

978-65-5869-652-0

ISBN [e-book]

978-65-5869-653-7

Número de páginas

110

Formato