Nupuranga Cariri-Tupinambá

Autoria: Celito Kestering

Para caracterizar o patrimônio arqueológico do Submédio São Francisco, professores e estudantes do Curso de Arqueologia e Preservação Patrimonial da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) prospectaram centenas de feições de relevo (grotas, morros residuais, boqueirões e lajedos) onde se preservam milhares de registros rupestres. Várias delas localizam-se em Campo Formoso cujo território os grupos nativos reconheciam como Nupuranga (Bela Terra). No Século XVII aquele sagrado chão se integrou ao patrimônio da Casa da Torre e, no Século XVIII, vinculou-se à Freguesia de Santo Antônio de Jacobina.

Com especial carinho, as comunidades Nupuranga, de Curral Velho, Abreus, Bicas, Queixo d’Antas, Tiquara, Laje dos Negros, Gameleira do Dida, Fazenda Boa Vista e Sítio do Meio recepcionaram a equipe de pesquisa. Acompanharam-na, guiaram-na e, com peculiar orgulho nativo, mostraram muitas geoformas (grutas, grotas, boqueirões, lajedos e serrotes), com belos e profusos painéis de genuína arte parietal pré-histórica e histórica. Ao grupo de trabalho de campo, elas demonstravam reputar profundo respeito àquele magnífico patrimônio que, com visceral reverência, zelavam e continuam a cuidar. Diziam que era necessário preservá-lo porque fora construído por seus ancestrais, muitos dos quais se haviam encantado antes da ocupação colonizadora e outros, durante e/ou depois que ela ocorrera. Em síntese, as comunidades que acolhiam os investigadores demonstravam ser o exato extremo oposto do que, lamentavelmente, sobre si e a respeito de sua identidade, parcela significativa da população brasileira considera.

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Ano de lançamento

2026

Formato

ISBN [e-book]

978-65-265-2747-4

Número de páginas

586