Descrição

APRESENTAÇÃO

Estudos do texto e do discurso: práticas discursivas na contemporaneidade soma‐se a um conjunto de quatro publicações,que, ao manter o título principal, tem procurado oferecer à comunidade acadêmica resultados de pesquisas que recaem sobre o texto e o discurso como objetos de reflexão teórica e de análise.

Na primeira publicação[1], realizou‐se uma espécie de mapeamento de conceitos e de passos metodológicos que sinalizavam abordagens do texto e do discurso, a partir de diferentes perspectivas teóricas, dentre as quais Análise do Discurso francesa, Semiótica peirceana, Semântica Enunciativa, Linguística do Texto e Teoria Literária.

O volume seguinte[2] voltou‐se para a relação existente entre discurso, produção de identidades e memória. No conjunto, seus autores buscaram problematizar como a memória e a identidade são constituídas, por vezes controladas, em diferentes materialidades.

Política e mídia definiram o tema geral da terceira publicação[3] dos Estudos do Texto e do Discurso. Os artigos desse livro deram visibilidade a estudos do discurso político e midiático que consideram a inserção constitutiva do contexto sócio‐histórico na análise de materialidades heterogêneas e de acontecimentos discursivos singulares.

Por fim, tomando como norte o sintagma “materialidades diversas”, o quarto volume da série[4] abordou as diversas modalidades de circulação dos discursos, por meio da descrição de manchetes do jornalismo impresso, de reportagens, de propagandas televisivas e governamentais e de campanhas publicitárias.

Vale ressaltar que essas publicações resultam de um esforço contínuo dos pesquisadores da linha de Estudos do Texto e do Discurso, do Programa de Pós‐graduação em Letras, da Universidade Estadual de Maringá. As duas últimas, incluindo a presente, marcam ainda uma parceria bastante produtiva com os pesquisadores do Instituto de Estudos da Linguagem, da Unicamp, via Projeto de Cooperação Acadêmica envolvendo essas duas instituições.

Neste quinto volume, a finalidade maior é reunir artigos que discutem, problematizem e/ou partem da noção de “prática discursiva”, tão cara aos estudos da linguagem de orientação discursiva. Brevemente, localizamos essa noção em três importantes autores que balizam as análises apresentadas neste livro.

Em Foucault[5], o discurso é definido como prática. A medicina, por exemplo, é a prática discursiva a qual ele recorre para tratar do que chama de uma “arqueologia do olhar médico”. Mais tarde, quando se volta para textos de filósofos e de médicos da Antiguidade[6], novamente observa como, por meio de práticas discursivas, os gregos produziram uma cultura do cuidado de si. Por ser uma prática, o discurso relaciona a língua com outra coisa, ou seja, relaciona a língua ao conjunto de regras anônimas e históricas, que definem, em dada sociedade, as condições de exercício da função enunciativa.

A noção de prática discursiva, nos trabalhos de Pêcheux[7], permite criticar o idealismo da concepção de sujeito como responsável pelos seus atos e por aquilo que ele diz. São as práticas discursivas que colocam o sujeito na condição de autor e de responsável pelo que enuncia, em virtude do “todo complexo com dominante” no qual ele é interpelado em sujeito responsável.

Na teoria do discurso desenvolvida por Maingueneau[8], essa noção é abordada na relação entre formação discursiva e a comunidade discursiva responsável pela sua produção e difusão.   Nessa perspectiva, uma formação discursiva recobre, ao mesmo tempo, o conteúdo, o modo de organização dos homens e a rede específica de circulação dos enunciados. Estas últimas instâncias constituem, em sua teoria, o que é específico da prática.

Assim, a partir desse campo teórico, e elegendo como objeto de análise pequenos textos de caráter genericamente humorístico, entrevistas respondidas por professores de literatura estrangeira, filmes documentários, ilustrações de livro,blogs, documentos institucionais para escolas indígenas,reportagens de jornalismo impresso, fórmulas que circulam no campo das políticas de educação superior, infográficos usados pela mídia impressa e eletrônica e cenas de série televisiva,apresentamos, nesta obra, caminhos possíveis de análise daquilo que os sujeitos efetivamente produzem, estando determinados por condições históricas e por regras de formação das práticas discursivas.

Maringá / Campinas, janeiro de 2012.

Pedro Navarro

Sírio Possenti

Organizadores.

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