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Babel feliz

Grupo ATOS UFF

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Descrição

APRESENTAÇÃO

Liliane Neves
Reinaldo Lima
Victor Branco

Este livro surge como culminância das atividades finais da disciplina “Processos Cognitivos e Educação para a Linguagem” do Programa de PósGraduação em Educação da Universidade Federal Fluminense, ministrada pela professora doutora Marisol Barenco de Mello no primeiro semestre de 2021, período em que o mundo vivia a pandemia provocada pelo vírus SARSCOV-2 e provocou o isolamento social de milhões de brasileiros. De maneira remota, com o uso de uma plataforma de comunicação virtual, a proposta foi realizar a leitura conjunta do livro “Livre Mente: processos cognitivos e educação para a linguagem” de autoria do professor e filósofo italiano Augusto Ponzio, às terças-feiras, das 14h às 17h.

O professor Augusto Ponzio é um grande filósofo do nosso tempo e que temos tido o prazer e privilégio de ouvi-lo para além de suas obras escritas. Como leitor da filosofia bakhtiniana tem nos aproximado de uma compreensão dos aspectos da linguagem que ampliam a noção tão difundida que a define como um código. E neste livro, ao relacionar as concepções filosóficas da linguagem ao currículo e ensino nas escolas italianas, nos provoca em questões críticas do ensino das línguas e linguagens nas escolas brasileiras.

No livro Livre Mente, Augusto dialoga com a semiótica de Sebeok e com a respectiva leitura de Marcel Danesi dessa perspectiva semiótica. Para tais autores, a semiótica se ocuparia dos estudos das capacidades de modelação nas diferentes formas de vida, sendo a modelação um sistema empregado pelo organismo para simular algo de maneira espécie-específica. A semiose seria, nesse sentido, a capacidade de cada espécie de organizar e decodificar os inputs perceptivos de forma singular. No ser humano, a modelação estaria articulada em três sistemas, o primário (a linguagem), o secundário (falar) e o terciário (formas abstratas de modelação).

O sistema primário de modelação humana seria a linguagem desenvolvida antes de suas funções comunicativas no decurso do processo evolutivo humano. Nessa perspectiva, apenas nas formas arcaicas do homo sapiens, o falar, como sistema secundário, teria surgido.

A linguagem caracteriza-se como dispositivo de modelação caracterizado pela sintaxe ou sintática que dota o ser humano de combinar uma quantidade finita de signos de forma infinitas e variadas. E na relação entre a linguagem e o falar, as capacidades verbais e não verbais desenvolveram-se, manifestando na espécie humana a sua capacidade de criar e recriar mundos, chamado por Peirce de “jogo do fantasiar”.

A linguagem, portanto, é a capacidade especial do ser humano para (re)criar mundos diversos. Apenas o humano é dotado desta capacidade. A relevância desta perspectiva para o ensino e a formação é de caráter metodológica, segundo Ponzio. A capacidade de aprendizagem estaria no centro das atividades pedagógicas, mais fundamentalmente do que o ensino das matérias.

A partir desta ideia de linguagem, a educação escolar é afirmada, de forma mais ampla, como um lugar de encontro de textos. A própria escola é um texto. Educadores e educandos seriam, nesse sentido, textos, pontos de vista distintos, singulares e insubstituíveis que enxergam o mundo de seus lugares concretos.

O pluringuismo, abordado pelo professor Augusto como a definição das relações entre uma língua e outra e a multiplicidade de linguagens nestas línguas provoca a necessidade de uma proposta de educação pluridiscursiva dialogizada, que enfoque na diversidade e pluralidade das relações diretas e indiretas dessas linguagens em num encontro de textos alteritários e abertos ao diálogo, às tensões, aos conflitos e às articulações. Sem priorizar esta ou aquela linguagem ou submeter todas ao mesmo sistema de compreensão e ensino, a proposta é que seja dialogizada. Os conceitos de escuta, de leitura e de escritura como compreensão respondente são fundamentais para pensar essa educação pluridiscursiva dialogizada

As compreensões que o professor Augusto Ponzio traz estão relacionadas ao ensino da linguagem na Itália; na disciplina, em nossas discussões, contextualizamos tais questões em relação ao ensino de língua e linguagens nas escolas brasileiras. Trabalhar a linguagem como língua, em seu aspecto puramente formalista, reduz o escopo de como as crianças em sua singularidade podem interagir com ambas reciprocamente.

Como proposta final da disciplina, e depois de todas as provocações que ela causou, a professora Marisol Barenco propôs ao grupo a produção de textos que trouxessem as discussões sobre a linguagem para uma escritura provocadora, onde cada um pudesse enunciar em resposta às tantas questões estudadas no semestre. Assim, textos em diferentes linguagens foram criados: imagéticos, dissertativos-argumentativos, cartas e narrativas. Cada autora e autor de seu lugar único, em resposta, trouxe a esta arena de manifestação da palavra viva e em relação, o seu texto autoral, discutindo questões de alfabetização e de educação da linguagem e para a linguagem, elaborando críticas às maneiras mortificadoras de lidar com a capacidade criativa das crianças. Narrativas com memórias também ocuparam este lugar, fazendonos navegar em experiências singulares de família e também menipeias, gênero muito antigo onde, na linguagem é possível construir relações e reunir forças que estão espalhadas na vida, através da compressão do tempo e/ou espaço, deram forma às reflexões sobre conceitos de escuta, leitura, escritura, pluridiscursividade e compreensão respondente na perspectiva do professor Augusto Ponzio.

O livro reúne textos singulares e provocadores, que respondem e estão em resposta em linguagens que no diálogo estão sem hierarquia de valor, como o plurilinguismo que o professor Augusto Ponzio trata no livro Livre Mente estudado pelo grupo. Os textos dialogam em sua diversidade e diferença e a escolha do gênero por cada autor e autora compõe o seu enunciado como tom emotivo-volitivo e não é uma alegoria. Em uma manifestação de múltiplas vozes, o ajuntamento de autoras e autores que enunciam em resposta e abertura na linguagem é lugar de alegria que nos aponta que a língua é potência e poder que ajunta e não separa em relação e resposta.

 

Informação adicional

Ano de lançamento

2022

ISBN [e-book]

978-65-5869-931-6

Número de páginas

130

Formato

Organização

Grupo ATOS UFF

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