ISBN: 978-85-7993-670-8

Autor/Organizadores: Wilder Kleber Fernandes de Santana

SOCIOALTERITARISMO: JESUS CRISTO E JOÃO EVANGELISTA EM PROCESSO DE CONSTITUIÇÃO

Introdução

Estudos que se preocuparam em abordar a dimensão categórica sujeito tiveram pauta em discussões linguístico-filosóficas desde antes mesmo da apropriação do domínio escrito. Porém, ainda que esta modalidade tenha potencializado a capacidade humana de observação diante dos fatos e de suas experiências, nem todas as pesquisas e direcionamentos de estudo situaram o sujeito como categoria central a ser estudada, principalmente no que respeita a uma perspectiva sociológica ou dialógico-discursiva, o que reverbera em notações sociointeracionistas (da linguagem).

A partir de estudos desenvolvidos (e direcionados) por Mikhail M. Bakhtin (1993 [1920-1924]), 2006 [1979], 2010 [1924]), Valentin N. Volóchinov (2017 [1929]) e Pável N. Medviédev (2016 [1928]) sobre a linguagem e suas manifestações, tem-se acesso a uma proposta de inclusão do sujeito em perspectiva de relações interdiscursivas e responsabilidade socio-éticoestética, em que este não é mais visto de forma uno-direcional, mas sobretudo é percebido a partir de suas relações com seu(s) outro(s), constituído alteritariamente.

A partir desse aporte teórico, propõe-se, aqui, investigar, a partir de óculos linguístico-discursivo-teo

lógicos, como se constituem os sujeitos enunciativos Jesus Cristo e João Evangelista, no I século da era cristã, conforme González (2011).

Compreende-se que ambos os sujeitos da enunciação, ao se reportarem aos seus interlocutores, emitem seus discursos de forma responsável, com os devidos cuidados éticos em considerar e situar as condições de produção de suas enunciabilidades. A partir do relato de João, em seu evangelho (Bíblia de Jerusalém, 2012), temos acesso aos registros escritos das exposições orais de Jesus Cristo, em perspectivas histórica e historiográfica.

Nesse sentido, defende-se, aqui, que a bíblia cristã não se trata apenas de um conjunto de escritos religiosos, mas sobretudo de documentos históricos e literários, assim como narrativas biográficas. Nessas vias interpretativas, sob prisma da Análise Dialógica do Discurso (ADD), procuramos situar os sujeitos enunciativos Jesus Cristo e João evangelista como produtores de narrativas éticas e responsáveis, sem que tentem criar álibis para sua existência e(m) seus propósitos enunciativos.