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Leituras sobre a sexualidade: reflexões a partir da repressão sexual. Vol. 12. Coleção Sexualidade & Mídias

Ana Cláudia Bortolozzi, Brenda Sayuri Tanaka

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Descrição

APRESENTAÇÃO

George Miguel Thisoteine
Brenda Sayuri Tanaka

Dentre os temas discutidos no campo da Sexualidade, a repressão sexual constitui desde muito tempo um assunto de grande relevância e profícuo debate. Já examinada por Michel Foucault em muitas de suas obras, a repressão sexual se faz presente no cotidiano de todos os indivíduos de diferentes formas, sejam elas explícitas ou não, e através dos mais variados dispositivos de poder.

Neste décimo segundo volume da Coleção Sexualidade & Mídias, convidamos os/as leitores/as a se aprofundarem no debate sobre a repressão sexual através da análise de como esse tema é representado na mídia, por meio de uma série de materiais selecionados pelos autores. Os capítulos aqui apresentados foram desenvolvidos pelos estudantes da Disciplina “Desenvolvimento e Educação Sexual”, oferecida no Curso de Psicologia da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”- UNESP, campus de Bauru, sob a responsabilidade da Prof.ª Assoc. Ana Cláudia Bortolozzi, com a monitoria de Brenda Sayuri Tanaka.

No Capítulo 1, Não Vai Dar: a repressão da sexualidade na adolescência, Helyson Fernando de Aguiar Jacinto discute a repressão sexual durante a fase da adolescência, analisando principalmente a interação dos adolescentes com seus pais. No segundo capítulo, Nada Ortodoxa: a repressão sexual retratada na comunidade judaicoortodoxa, escrito pelas autoras Júlia Coelli Beligolli, Raíssa Donatti de Lima e Ricardo Souza Camarotto, são analisadas as características sócio-históricas da repressão sexual, tendo em vista o referencial teórico foucaultiano. Já no Capítulo 3, O Farol: análise psicanalítica e mitológica da repressão sexual, Camila Miho Matsumoto e Gabriela dos Santos Pereira trabalham a opressão sobre a sexualidade humana a partir da psicanálise, em interface com a mitologia e a crítica foucaultiana das relações de poder.

No Capítulo 4, Interface e análise dos filmes A Hora Do Pesadelo e Corrente Do Mal: a história da sexualidade no terror slasher, os autores Luan Brito Moraes da Silva e William Pedro Freitas Laurindo debatem a construção social da repressão ao compararem dois diferentes filmes, tendo em vista o gênero de terror slasher e a história da sexualidade. Quanto ao Capítulo 5, Fleabag: a processualidade do luto e suas implicações em vínculos afetivos e sexuais, dos autores Matheus Silva Rodrigues, Gabriel Cruciata Perrone e Franciele Ferreira Ribeiro, trabalha-se a temática do luto e da crítica às formas de subjetividade atuais a partir da psicanálise, tendo como objetivo a observação dos movimentos de satisfações e frustrações sexuais dos sujeitos contemporâneos.

No Capítulo 6, Madame Satã: a arte como mecanismo de (re)existência e subjetivação do corpo e da sexualidade, dos autores Alícia Miatto Labegalini, João Lucas Silva Violante e Thais Silva Araújo de Souza, discute-se a partir da realidade sócio-histórica do Brasil como a colonização, a dominação dos corpos, o racismo e a implementação do capitalismo produziram formas de repressão e controle da sexualidade.

No Capítulo 7, Sex Education: o caráter pedagógico das mídias na educação sexual informal, as autoras Ana Carolina Shirazawa Kubija e Fernanda Reis Theodoro da Silva analisam o tabu da sexualidade e suas implicações como barreiras para o acesso a uma educação sexual formal.

Tendo em vista a permanência histórica do tema da repressão sexual, o Capítulo 8, escrito pela autora Tafnes Ikegami Pereira, Bridgerton: reflexões sobre o papel social da mulher e sua experiência de sexualidade no século XIX e na atualidade, discute a importância da história do feminismo para compreender os avanços relacionados à sexualidade humana observada nos direitos humanos. Por sua vez, a autora Gabriela Vanzo Spasiani no Capítulo 9, Coisa Mais Linda: o papel de gênero feminino em um drama de época debate criticamente as consequências da heteronormatividade, do machismo e do patriarcado no contexto sócio-histórico brasileiro.

O Capítulo 10, Uncle Frank: discussões sobre repressão sexual, homossexualidade e educação familiar religiosa, de Heitor Araújo Monreal, João Vitor Gengo Vendrame e Samuel Thomaz da Silva traz uma discussão sobre a homossexualidade partindo de uma perspectiva histórica e desvela contradições sociais que buscam reprimir a sexualidade e o desejo. No Capítulo 11, O retrato da vivência transexual em Veneno: reflexões sobre gênero, passabilidade e códigos binários, dos autores Louise Cursino Thomé e Lucas Duarte Araujo, trabalha-se criticamente sobre a normatização heterossexual imposta socialmente, refletindo a vivência da transexualidade como uma discussão importante para pensar em como surgem gêneros não binários.

Por fim, o Capítulo 12, Gêneros ininteligíveis e violência sexual em Meninos Não Choram: um olhar Queer sobre identidade, prática e expressão sexual, escrito pelas autoras Isabela Tamaki Otani, Milena Cianci Buck e Vitório Ferreira Malavolta, discute como a heteronormatividade é construída, e reflete algumas de suas consequências na sociedade a partir do discurso do protagonista no filme, tendo como referencial a teoria Queer.

Os trabalhos reunidos reafirmam a complexidade da repressão sexual enquanto objeto de estudo e análise, demonstrando a necessidade de um olhar crítico que leve em consideração os fatores históricos.

Pensar nesse tema, bem como sua representação na mídia e suas consequentes influências cotidianas é de grande importância para sua identificação na vida dos sujeitos e para a busca pela emancipação sexual de todos/as, com vistas à promoção de mais liberdade, autoconhecimento, satisfação e garantia dos direitos sexuais e humanos.

Esperamos que a leitura dos capítulos traga contribuições para as reflexões dos/as leitores/as e desejamos a todos/as uma ótima leitura!

Informação adicional

Ano de lançamento

2021

ISBN

978-65-5869-455-7

ISBN [e-book]

978-65-5869-456-4

Número de páginas

249

Organização

Ana Cláudia Bortolozzi, Brenda Sayuri Tanaka

Formato