ISBN 978‐85‐7993‐112‐3

Autor/Organizadores: Samir Mustapha Ghaziri; Fábio Marques de Souza

Prefácio

 

 

Escrever um prefácio é, normalmente, preparar o leitor para o que vai encontrar no livro que está em suas mãos. Ao apresentar seus autores e falar de sua temática, de seus objetivos, dos destaques especiais e das contribuições específicas para o assunto abordado, o leitor é chamado para mergulhar nas páginas do livro e, assim, iniciar a aventura de nelas descobrir a liga entre o que se presume e o que se indaga. Enfim, prefaciar é motivar o leitor rumo a uma aventura mais centrada. Tarefa que me coube e que aceitei com prazer, por se tratar de um tema que me envolve: a leitura: especificamente, o ensino e a pesquisa sobre leitura.

 

A proposta desse livro: Pesquisa e Ensino de Leitura no Mundo Atual – Debates Múltiplos, organizado por Samir Mustapha Ghaziri, doutorando em Educação pela Universidade Estadual Paulista  ‐  Campus Marilia, e Fábio Marques de Souza, doutorando em Educação: cultura, organização e educação, pela Universidade de São Paulo, reúne trabalhos de pesquisadores de diversas instituições e formações, mas que têm em comum o estudo e o interesse pelo ensino e, por que não dizer, pela preocupação com que caminha a leitura nas escolas e entre os jovens leitores.

 

A leitura dos 13 artigos mostra a preocupação dos autores com a maneira como o ensino tem caminhado em todas as suas instâncias e, principalmente, o rumo da leitura nas escolas. Por esta razão, talvez, os estudos que se apresentam sobre modos de ler têm estado no topo das grandes pesquisas atualmente. Arena inaugura o livro presenteando‐nos com uma densa discussão sobre “invasões promovidas pelo texto verbal – o da tela do cinema”; em seguida, o artigo de Souza & Bongestab mostra que, ao tomar o cinema como arte e entretenimento, também vê aí a possibilidade de significá‐lo como ferramenta e prática social propícios para o exercício da intertextualidade.    Já Adriana Arena tece um relato de situações a partir de observações de aulas sobre leituras em uma escola de Lisboa

 

O texto de Ghaziri é fruto de sua pesquisa de mestrado em que discute novas práticas e modos de leitura emergentes no contexto do ciberespaço, mapeando, assim a leitura na tela do computador conectado à internet. Por sua vez, Paccini nos conta uma experiência vivida durante sua pesquisa de mestrado, em relação à prática de leitura, ao investigar os efeitos dos encontros de formação continuada com professores que tinham alunos surdos em suas salas de aula.  Bortolanza descreve as histórias de leitura de “Clara, Marina e Valéria” num espaço multidisciplinar de assistência e educação a pessoas com Down.

 

Em práticas de leitura: linguagem, ensino e gêneros, os autores discutem a leitura em três aspectos, sob o ponto de vista interacional de linguagem, ao passo que Neto afirma que a escola deveria ser um espaço privilegiado para a socialização do saber. Já Espíndula procura identificar e analisar o discurso sobre a leitura e os leitores, no manual intitulado Biblioteca pública: princípios e diretrizes e Tolomei afirma que a  literatura poderia e deveria ser  um espaço  ʺ  fantásticoʺ para o desenvolvimento da capacidade leitora da criança. Lima & Braga rediscutem o lugar da literatura nas aulas de espanhol como língua estrangeira no ensino superior e, por fim, o último capítulo é um convite ao trabalho em equipe: um relato de experiências das autoras sobre reuniões de planejamento e formação de Grupos de Apoio.

 

Termino aqui essa síntese das ideias e temáticas geradas a partir do conceito chave “LEITURA” e convido o leitor a penetrar nesse mundo de discussões e possibilidades apresentadas pelos autores. É preciso, então, virar essa página e percorrer todas as outras com um olhar atento para, assim, se construir uma nova leitura a partir dessas vozes que estão aqui apresentadas. Boa leitura!

 

Mona Mohamad Hawi

Profa. do Departamento de Letras Orientais da FFLCH‐ USP